Crise: cautela nas aplicações
- 15 de agosto de 2011 |
- 10h12 |
- Tweet este Post
Categoria: Agenda, Análise, Bovespa, Contas públicas, Economia Internacional
LIGIA TUON
A turbulência na economia mundial tem preocupado os investidores, grandes ou pequenos, principalmente, os que aplicam na Bolsa de Valores.
O problema está no risco de os Estados Unidos e países da Europa, como Espanha e Itália, entrarem em recessão por conta do alto endividamento de seus governos.
Para quem tem ações, a recomendação é não vendê-las: o momento é de aguardar a recuperação do mercado para não perder dinheiro.
Pelo fato de os EUA serem a maior economia do planeta, a Bolsa norte-americana influencia as demais, explica o educador financeiro Mauro Calil.
Ao mesmo tempo, grandes empresas da Bolsa brasileira são exportadoras e negociadoras de commodities (matérias-primas).
“O principal cliente das exportadoras brasileiras é a China, que tem como principal comprador os EUA. Se há possibilidade de recessão no mercado americano, significa que a China venderá menos para o país e terá menos dinheiro para comprar commodities do Brasil”, aponta Calil. Com isso, as ações dessas companhias tendem a se desvalorizar.
Notícias negativas ou dados econômicos inferiores aos esperados também afugentam o investidor do mercado financeiro.
Um exemplo recente foi o rebaixamento, em 5 de agosto, da nota dos EUA de AAA para AA+ (veja quadro abaixo sobre as notas), pela agência Standard & Poor’s (S&P).
Na análise da agência, significa que há dúvidas sobre a capacidade do país honrar seus compromissos.
Por isso, na última segunda feira, as bolsas de todo o mundo despencaram, refletindo o anúncio da S&P. Por aqui, a Bovespa fechou em queda de 8,08%, o maior recuo desde outubro de 2008.
Como o cenário mundial é incerto, os investidores vendem ações de forma muito rápida, migrando para aplicações que consideram mais seguras. “Quando há um movimento de venda grande, a bolsa cai”, diz Calil.
Credor
Outro fato a preocupar é que o Brasil é o 5º maior credor da dívida americana, com US$ 207 bilhões, explica Eduardo Silva, sócio-diretor da FBM Consulting.
“Se há risco de calote, seríamos diretamente prejudicados”, comenta Silva. Porém, na opinião dele, apesar da crise, a economia dos EUA continua sendo uma das mais confiáveis.
O nervosismo do investidor externo também faz cair o preço das commodities – outro fator que prejudica os papéis de empresas negociados na Bovespa.
“Para não perder dinheiro lá na frente, os analistas de mercado futuro vendem as commodities agora. Como o Brasil é um grande exportador do item, se o preço cai, nós perdemos com isso”, aponta o analista da corretoras de valores SLW, Pedro Galdi.
A dica é que o pequeno investidor não venda todas as suas cotas. “O correto é esperar a recuperação”, diz Raymundo Magliano, diretor da feira de educação financeira Expo Money. “Se a pessoa não tem o equilíbrio emocional para ter ações, tem de achar outra forma de investir, como renda fixa.”
Por hora, a renda fixa não sofre com a instabilidade mundial. “Ela depende da taxa básica de juros (Selic). E só seria afetada se o governo diminuísse muito os juros, caso uma recessão chegue ao País, o que é improvável a curto prazo”, explica Calil. A redução da Selic seria uma forma de impulsionar a atividade econômica.
Recuperação
O gerente de produto de tesouraria Albert Mas já perdeu 15% de seus investimentos na Bolsa nas últimas semanas, mas aproveita o momento para comprar ações em baixa e acredita em uma recuperação. “Estou encarando o cenário como uma promoção.”
“Com o risco de recessão, é interessante trocar as ações de empresas do setor de exportação por aquelas que atuam no mercado interno, pois estão menos expostas”, diz Calil.
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
Bolsa de Valores, calote, China, commodities, dívida americana, economia mundial, Eduardo Silva, educador financeiro, endividamento, Espanha, Estados Unidos, EUA, Europa, exportadoras, instabilidade, investidores, Itália, LIGIA TUON, Mauro Calil, mercado, mercado financeiro, rebaixamento, recessão, recuperação, renda fixa, risco, S&P, sócio-diretor da FBM Consulting, Standard & Poor’s, turbulência


Deixe um comentário: