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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Criação de empregos em queda

Categoria: Indicadores, Trabalho

CAMILA DA SILVA BEZERRA

A desaceleração da economia e a crise internacional influenciaram a evolução do mercado de trabalho na cidade de São Paulo em novembro, que teve saldo (contratações menos demissões) de 10.588 vagas, segundo o levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho. Foi o pior novembro desde 2008, quando 10,1 mil postos foram criados na capital.

O mês também foi fraco para o emprego com carteira assinada no País, apenas 42,7 mil postos, e o menor resultado mensal de 2011.

Para especialistas, o desempenho do mercado de trabalho é reflexo da economia do País que, em ritmo mais lento, não inspira confiança dos empregadores.


Entre janeiro e novembro, foram criadas 2,3 milhões de postos de trabalho com carteira assinada em todo País (Foto: DANIEL TEIXEIRA/AE)


“A Selic (taxa básica de juros), em julho, era de 12,5%. Ela foi caindo e, em novembro, estava em 11%, o que ainda é alto. Por isso, os empresários não têm estímulo para investimento — precaução que não gera empregos”, afirma a professora de economia da FMU, Maria de Fátima Barboza.

Luiz Guilherme Brom, superintendente institucional da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), diz que a evolução do emprego ainda não é afetada pela crise econômica internacional, mas influenciada pelo desempenho econômico.

Em São Paulo, foram 236,1 mil novas vagas abertas entre janeiro e novembro ante 264,9 mil postos criados no mesmo período de 2010. Em todo o Brasil foram 2,3 milhões de vagas criadas, número inferior ao desempenho em igual período de 2010, quando 2,9 milhões de postos foram abertos.

Setores
A indústria e a construção civil apresentaram maior número de demissões do que de contratações em novembro (-2.383 e -2.626, respectivamente). “Devido à crise internacional, para a indústria, em particular, tem o problema das importações, que são crescentes e desestimulam a atividade interna”, diz a docente da FMU.

A indústria apresentou baixo desempenho na capital também porque São Paulo passa por processo de desindustrialização. “No caso da construção civil, o setor se beneficiou muito do crescimento econômico e agora vive um momento de pequeno recuo”, acredita Brom.

Com 8.420 empregos criados, serviços é o setor que mais contratou no último mês. Já o comércio, aquecido com a época de festas de fim de ano, abriu 6.964 posições. No entanto, o número é inferior a agosto, quando o saldo de vagas foi de 8.037.

“Novembro não é um mês forte de contratações, pois para o Natal, o comércio começa a contratar antes”, comenta Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

A perspectiva em 2012 é que o mercado de trabalho paulistano continue com saldo positivo, mas inferior ao deste ano. “Vai começar mais fraco que 2011, mas deve voltar a crescer no segundo semestre”, afirma Solimeo.

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