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Terça-feira, 23 de Setembro de 2014
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Crescem opções de crédito para construir e reformar

Categoria: Casa própria, Construção, Serviços

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O consumidor conta com mais opções de linhas de crédito para construir, reformar e até decorar a casa. Bancos têm ampliado a oferta de financiamentos para esse fim, cujas principais vantagens são as taxas de juros reduzidas em relação a outras modalidades e os prazos de pagamento que podem chegar a 120 meses.

O último lançamento, feito este mês, foi o do banco Santander, que financia também a mão de obra usada para construir e reformar, além do material.

“Entendemos que havia uma demanda muito grande por pessoas que querem construir”, diz Nerian Gussoni, superintendente de produtos de negócios imobiliários da instituição. O banco entrou no mercado para competir com o Itaú, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Banco do Brasil.

Segundo Alain Guetta, presidente da Guetta Franchising, empresa especializada em consultoria empresarial, os bancos impunham limites para esse tipo de financiamento a longo prazo. O que vem mudando.

“Ninguém vai sair dando crédito para quem pode não pagar a dívida lá na frente. Hoje em dia, essa realidade mudou”, afirma Guetta.

Para o analista, mesmo com a expectativa de a crise internacional chegar ao Brasil, ficou mais fácil projetar o comportamento do consumidor. “A confiança nacional é maior e o reconhecimento internacional de maior estabilidade no nosso mercado faz com que haja oferta de crédito”, diz.

O principal motivo que faz com que o crédito para construir e reformar apresente juros mais atraentes está no fato de os recursos virem da poupança.

No caso da Caixa, esse dinheiro vem também do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que também segura as taxas. “Como o crédito pessoal tradicional expande com velocidade maior que o imobiliário, há momentos em que a fonte do capital pode apertar. Por isso, a modalidade (crédito pessoal) é bem mais cara”, diz Guetta.

Segundo ele, a média dos juros cobrados no crédito imobiliário no País é de 12% ao ano, enquanto no consignado é de 25% anuais e no pessoal, de 50% ao ano.

Apesar do aquecimento do setor, estima-se que ainda há muito espaço para a modalidade crescer. “As linhas de crédito disponíveis no mercado para este fim ainda são insuficientes”, ressalta o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Claudio Elias Conz.

Para Eduardo Coelho, coordenador do curso negócios imobiliários da Faap, a vantagem de construir em vez de comprar o imóvel pronto, por exemplo, é o preço mais baixo. Mas há ressalvas.

“Ao comprar um imóvel, a pessoa gasta, em média, 20% mais. No entanto, vivemos um apagão de mão de obra qualificada no setor o que pode comprometer a obra, o que deve ser considerado”, alerta Coelho.

Além disso, segundo Coelho, só vale a pena escolher linhas de crédito se a pessoa não puder comprar um imóvel no programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.

O administrador de empresas Cláudio Guirão viu vantagem em usar crédito para construir sua casa, mas acredita que deveria ter sido mais bem informado na contratação. “As taxas são muito atraentes, mas não sabia que, ao amortizar a dívida antecipadamente, não teria direito a desconto nos juros”, diz.