Cresce a inadimplência entre jovens de até 30 anos
- 31 de outubro de 2011 |
- 8h00 |
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Categoria: Agenda, Análise, Crédito, Investimentos, Juros
GISELE TAMAMAR
Menos experientes e mais impulsivos, os jovens com até 30 anos estão cada vez mais presentes na lista de inadimplentes. Pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Boa Vista Serviços mostra que a faixa etária já representa 44% dos entrevistados que não conseguiram pagar as dívidas em setembro em São Paulo. Há um ano, o porcentual era menor: 36%. Para não ficar com o nome sujo, as orientações dos especialistas incluem análise crítica, organização e força de vontade.
As tentações são muitas: baladas, roupas da moda, sapatos e eletrônicos. E justamente os gastos com roupas e calçados lideram a lista dos produtos comprados que causaram inadimplência. O desemprego também continua na liderança dos fatores que levaram ao calote com 51%, mas o descontrole dos gastos é o que mais cresceu nos últimos 12 meses, passando de 11% para 18%.
“A oferta excessiva de crédito em conjunto com a ausência de educação financeira entre os jovens que entraram no mercado de consumo resultaram na inadimplência nessa faixa etária”, destaca o educador e consultor financeiro Álvaro Modernell. Segundo ele, a inadimplência foi causada por uma soma de pequenas dívidas, o que caracteriza descontrole financeiro.
Na avaliação de Edson Sadao, professor do mestrado profissional em finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), o jovem endividado precisa repensar seu padrão de consumo.
“Muitas vezes o jovem se endivida por causa do consumo imediato. Eles são seduzidos pelo consumo”, afirma.
Durante o processo de avaliação, é preciso descobrir para onde está indo o dinheiro. A orientação dos especialistas é anotar as despesas, incluindo os pequenos gastos, como o café da tarde e o doce de sobremesa.
Para quem gosta de shoppings, a dica é simples: diminuir a frequência e ir até o local com objetivos específicos. “Algumas pessoas buscam lazer nos shoppings, mas a partir do momento que você entra no local, será seduzido a comprar”, afirma Sadao. No caso das baladas, a orientação também é diminuir a frequência e prever os gastos no orçamento. “O jovem pode levar uma quantia preestabelecida. Se pretende gastar R$ 50, leve R$ 50”, afirma Modernell.
Única parcela
O educador financeiro reforça a orientação para o pagamento à vista. “Se não tem como pagar, junte o valor para depois gastar. Assim, o jovem não fica endividado e ainda consegue negociar um desconto”, aconselha.
A orientação é seguida pelo empresário Ricardo de André Motta, de 29 anos. Ele se enrolou com as finanças apenas uma vez, quando era adolescente. “Foi com o primeiro cartão de crédito e precisei pagar os juros”, lembra.
Desde então, ele segue com o orçamento controlado e há seis anos organiza os gastos em planilhas. “Anoto todos os gastos, analiso mês a mês e um terço do meu salário é destinado para investimentos”, conta Motta, que aplica em renda fixa, previdência privada e tem planos de se dedicar mais ao homebroker, programa eletrônico de venda de ações.
O empresário tem dois cartões de crédito, mas a preferência é pelo pagamento à vista. “Os cartões ficam em casa. Pago mais com o cartão de débito e com dinheiro mesmo.”
O professor da Fecap explica que o planejamento financeiro envolve aspectos racionais e emocionais. “É preciso avaliar como a pessoa é. O cafezinho da tarde pode ter importância diferente de acordo com o perfil da pessoa. Se ela precisa tomar o café, se a faz sentir bem, será preciso olhar para outros gastos”, esclarece Sadao.
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