Carne sobe mais que inflação em SP
- 7 de setembro de 2010 |
- 23h46 |
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Categoria: Consumo
Marcos Burghi
O preço da carne nos açougues e supermercados acumula aumento médio de 3,82% entre janeiro e julho deste ano. A alta, levemente superior à inflação geral do período, que marcou 3,36%, só deve ceder em novembro, com a volta das chuvas e a melhora dos pastos que alimentam o gado.
A elevação, constatada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) durante a verificação do Índice de Custo de Vida (ICV), que mede a inflação na capital, foi maior na carne de segunda, que subiu 5,6%. Os cortes de primeira tiveram elevação de 3,4%.
Péricles Salazar, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), afirma que o aumento é consequência da redução de oferta do produto. Salazar diz que entre 2008 e 2009 o preço pago ao produtor de carne bovina caiu, o que fez com que muitos produtores abatessem animais reprodutores, chamados de matrizes, o que interfere na oferta do produto.
De acordo com relatório do Centro de Estudos Aplicados de Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o preço da arroba (peça de 15 quilos) caiu de R$ 94,41 em junho de 2008 para R$ 77,03 no fechamento de 2009, retração de 18,4%.
Salazar observa, ainda, que a estiagem em grandes regiões produtoras como Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Tocantins também contribuiu para a elevação dos preços.
Mais consumidores
Pedro Fernandes, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes do Estado, explica que a estiagem que prejudica os pastos leva os produtores a engordarem o boi confinado, o que obriga o uso de outros insumos na alimentação do gado, elevando o custo de produção. “Acredito que a estabilização ou possível queda de alguns preços só ocorram em outubro ou novembro, com a volta das chuvas”, avalia.
Apesar das quedas de preços verificadas nos dois últimos anos, o Cepea/Esalq verifica que em 2010 está ocorrendo a recomposição dos preços ao produtor. Até agosto, a valorização da arroba ficou perto de 20%, consequência da demanda aquecida e da falta de oferta apontada pela Abrafrigo.
Martinho Paiva Moreira, vice- presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), credita a inflação do setor à demanda. O executivo da Apas avalia que com a melhora da condição econômica da população brasileira mais gente tem acesso ao produto, o que contribui para a elevação do preço.
Segundo Moreira, até agosto só os cortes de segunda sofreram um repasse de 10% nos preços nas gôndolas. “Acreditamos que os valores permaneçam nos níveis atuais até outubro e comecem a melhorar a partir de novembro”, avalia o vice-presidente da Apas.
Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, afirma que mesmo com a melhora dos preços aos produtores, a normalização da oferta não é imediata. “Não se pode estocar e abater a qualquer momento”, explica.
Pessoa acredita que com a alta do preço da arroba, que ultrapassou R$ 92 segundo o Cepea, a oferta seguirá melhorando e ele também aponta novembro como prazo para a queda chegar às gôndolas do varejo.
A combinação de falta de oferta, estiagem e reajuste ao produtor já chegou aos bolsos dos consumidores. O operador de máquina Antonio Pinheiro, 29 anos, conta que notou mudanças para cima nos preços e fez da pesquisa sua maior aliada. “Verifico vários estabelecimentos e escolho aquele que combina valor e qualidade”, diz.
O comerciante Sérgio Murilo, 44 anos, observa que percebeu mudanças nos preços, mas “nada significativo até agora”. “Ainda não precisei mudar meus hábitos”, garante.
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