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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Carne mais barata alivia orçamento

Categoria: Consumo, Indicadores, Inflação

MARÍLIA ALMEIDA

A carne está mais barata em 2011, mas a queda nos preços ainda não é o suficiente para levar a inflação do produto aos patamares de 2010. Segundo o Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de janeiro a maio os preço da carne bovina de primeira caiu 9,57%, o do frango 4,77% e o da carne suína 4,31%. No acumulado do ano passado, os melhores cortes bovinos subiram 36,3%, a ave 23,81% e a carne de porco 16,5%.

O filé mignon é o que teve maior baixa, de 30,7%, seguido pela picanha (-19,7%), justamente os dois cortes que tiveram as maiores altas em 2010, de 72,58% e 53,82%, respectivamente.

“A carne aliviou a inflação neste início de ano, mas no longo prazo foi na verdade a vilã da alta dos preços”, diz o economista Thiago Curado, da consultoria Tendências. Isso porque 2010 foi atípico. Além do encarecimento do custo de produção do gado e do maior número de pessoas a consumir carne bovina, o que pressiona os preços, houve uma seca prolongada que prejudicou as pastagens, principal alimento do rebanho.

A alta dos preços se concentrou nos últimos quatro meses de 2010, período de menor oferta do gado, e só baixou porque no início do ano há maior oferta de carne. O risco, até o final do ano, é o período de “entressafra”.

A aposentada Maria Moura, de 67 anos, ainda prefere comprar frango (Foto: Marília Almeida/AE)

“Estamos no pico da produção, mas a tendência é que até outubro comece a faltar carne de novo e os preços voltem a subir”, avisa o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar.

Alta menor
As estimativas, entretanto, mostram que alta no final de 2011deve ser menor do que o de 2010. “Os preços devem subir 7% no ano acima da inflação”, diz Curado.

“Enquanto não houver recuperação do rebanho vai ser difícil atender à demanda e os preços devem continuar a subir. Os produtores precisam investir”, diz Péricles Salazar.

O aumento de preço da carne bovina tende a ser acompanhado pela alta dos preços do frango e do porco, ainda que em proporção menor. Quando a carne de boi sobe, o consumidor migra para o alimento que estiver mais barato. “Mas as altas não acontecem ao mesmo tempo. O consumidor pode comprar a carne mais em conta”, diz Thiago Curado.

A aposentada Maria do Céu Moura, de 67 anos, hoje compra frango. “Está mais em conta. Carne de segunda é barata, mas não vale a pena, tem muita gordura”.

A corretora de imóveis Liliana Aparecida Vasconcelos, 55 anos, cortou o consumo de carnes pela metade. Ontem comprava carne de frango e porco. “Comprei 4 kg por R$ 15, preço equivalente a 1 kg de coxão mole em bifes. Esperarei pelas promoções, quando as carnes chegam a ficar até 30% mais baratas.”

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