Calote sobe pelo 10º mês seguido e já preocupa
- 10 de dezembro de 2011 |
- 9h22 |
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Categoria: Agenda, Análise, comércio, Crédito, Inflação
Célia Froufe
O consumidor brasileiro tem ido mais às compras, mas também tem tido mais dificuldades para honrar suas dívidas. Tanto é que a inadimplência no varejo subiu pelo 10º mês consecutivo em novembro. No mês passado, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) registrou alta de 9,46% no volume de calotes no setor, na comparação com novembro de 2010.
A inadimplência já é um mau sinal por si só. Mas pode ser ainda pior se implicar também em um desaquecimento das vendas no curto prazo. “Nos preocupa a saída desse pessoal do mercado consumidor por causa do não pagamento de dívidas”, explica o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior.
O aumento do calote no comércio, diz o executivo da Confederação, já é sentido pelo sistema financeiro. “Apesar de a Selic (taxa básica de juros) ter caído, o juro ao consumidor subiu por embutir um risco maior de inadimplência”, afirma. Em sua avaliação, além da elevação do custo do dinheiro, o cenário internacional adverso dificultou o pagamento das dívidas. “A inflação também retirou muito do poder de sobra de caixa, que o consumidor teria para pagar prestações”, afirma.
No acumulado de 2011 até novembro, o aumento do calote já é de 5,69% ante os primeiros 11 meses do ano passado. O quadro visto este ano é bem diferente do de 2009 e de 2010, quando os brasileiros conseguiram colocar mais as contas em ordem e diminuir a taxa de inadimplência.
De outubro para novembro, o comércio viu alguma reação, com a queda de 12,11% no volume de calotes. Pellizzaro Junior acredita que essa redução pode estar relacionada à preocupação dos consumidores em não se endividar demais por conta das festas de fim de ano. Também ajuda o pagamento do 13º salário, já que muitos aproveitam esse recurso para limpar o nome.
Vendas
Com ou sem dívidas, a questão é que as vendas no comércio continuam aquecidas. No mês passado, o incremento foi de 4,32% ante novembro de 2010. Nos 11 primeiros meses, a alta é de 5,32%. “O comércio se mostra sólido, sustentado pelo mercado de trabalho e pelo crédito.”
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