Cai a renda do trabalhador da Grande SP
- 26 de maio de 2011 |
- 8h46 |
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Categoria: Indicadores, Inflação, Trabalho
GISELE TAMAMAR
Mesmo em tempos de economia aquecida, pelo quinto mês consecutivo, o rendimento médio do trabalhador apresentou queda na Região Metropolitana de São Paulo. O valor de R$ 1.490 registrado em março é 1% menor que o mês anterior, quando foi de R$ 1.505. Os dados fazem parte da Pesquisa Emprego e Desemprego divulgada ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O declínio do rendimento ocorre desde outubro, quando a média recebida pelos trabalhadores foi de R$ 1.590. Na avaliação do coordenador de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian, a redução no último trimestre do ano pode ser efeito do aumento de trabalhadores com salários menores, como os temporários, sem carteira assinada e autônomos. Essa situação pode ter interferido no cálculo do rendimento médio.
Já em relação a 2011, o coordenador pontua que é comum ocorrer uma redução do rendimento no primeiro trimestre devido ao aumento da taxa de desemprego.
Em janeiro, a taxa era de 10,5% e subiu para 10,6% e 11,3% em fevereiro e março, respectivamente. O movimento de alta foi interrompido em abril com uma leve queda para 11,2%.
Outro fator que pode ter contribuído para a queda do rendimento é a inflação. A pesquisa utiliza o Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese para calcular o rendimento real dos trabalhadores.
No acumulado dos três primeiros meses, a inflação foi de 2,62%. “A aceleração da inflação corrói o salário do trabalhador”, destaca Loloian.
A entrada no mercado de trabalho de pessoas menos qualificadas para substituir profissionais que se aposentaram, por exemplo, também pode ter contribuído para a queda do rendimento médio, de acordo com o diretor nacional de Educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), Luiz Edmundo Rosa.
“Vivemos um processo de apagão de talentos. Como não temos profissionais qualificados, as empresas acabam contratando um funcionário menos qualificado e consequentemente com um salário menor do que o funcionário que se aposentou”, exemplifica o diretor da associação.
Entre os números do levantamento, Luiz Rosa observa que os trabalhadores sem carteira assinada tiveram aumento do rendimento em março ante fevereiro — de R$ 1.106 para R$ 1.147. Já os trabalhadores com carteira assinada registraram movimento contrário: de R$ 1.512 para R$ 1.473. “O valor dos encargos trabalhistas faz com que os trabalhadores sem carteira assinada conseguissem vender melhor sua força de trabalho”, diz o diretor da ABRH-Nacional.
Qualificação
A professora do Núcleo de Gestão de Pessoas e orientadora de carreiras da ESPM, Adriana Gomes, reforça o cenário de falta de qualificação, principalmente nas áreas de tecnologia da informação, engenharia, gás e petróleo.
E para se manter competitivo no mercado, é preciso se atualizar constantemente. “O conhecimento perde a validade rapidamente”, alerta.
Uma das preocupações deve ser o conhecimento em outros idiomas. “Falar mais ou menos não funciona e não convence em nível internacional. É preciso investir na formação técnica, nas competências comportamentais e estratégicas”, diz Adriana.
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