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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Caem prazos para financiar carro e eletros

Categoria: Consumo, Crédito

MARÍLIA ALMEIDA

Má notícia para o consumidor que pensa em tomar crédito, seja para comprar um carro ou bens como eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Pesquisa divulgada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que o crédito está mais caro. Isso porque o prazo máximo para financiamento se reduziu, enquanto as taxas de juros subiram, o que faz com que as parcelas da compra pesem mais no orçamento.

A gerente de contratos Maria Fabiana da Silva, 27 anos, que pretende comprar um carro este ano já percebeu a diferença. “Estou guardando dinheiro para comprar à vista, pois um carro financiado fica muito caro. No fim das contas, um usado pode sair quase pelo mesmo preço de um novo. Com o dinheiro que iria gastar com juros posso pagar o IPVA e o seguro”.

De janeiro de 2010 a janeiro deste ano, o prazo máximo de financiamento para a compra de um carro caiu de 80 para 60 meses, O mesmo ocorreu com o prazo médio, que caiu de 42 para 41 meses. No caso de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, compras que podiam ser parceladas em até 36 vezes agora podem ser parceladas em até 24 vezes.

De acordo com Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac, as variações da taxa de juros e do prazo para financiamento são reflexo da política econômica adotada pelo governo federal nos últimos meses, que tem como objetivo reduzir o consumo e controlar a inflação no País.

“O que impactou diretamente os prazos de financiamento foi uma medida do Banco Central que aumenta a exigência de capital próprio para bancos que queiram trabalhar com prazos mais longos de financiamento. Além disso, o aumento da taxa básica de juros fez com que os bancos ficassem mais criteriosos para conceder crédito porque sinaliza que a economia deve crescer menos, o que pode resultar em maior índice de desemprego”.

O resultado já é observado nas concessionárias. Na Sandrecar, que vende modelos da Ford na Mooca, zona leste da cidade, o prazo máximo de financiamento é de 60 meses, com taxa de juros de 1,80% ao mês. “Estávamos fazendo por 72 meses até sem entrada, mas isso acabou. A taxa de juros no final do ano girava em torno de 1,30%”, disse um vendedor.

Na Amazonas da Avenida Morumbi, que vende modelos da Fiat, ao optar pelo prazo máximo de financiamento, apenas com entrada de pelo menos 30% do valor se consegue taxas de juros mais baixas, em torno de 1,30%.

Oliveira aponta que a tendência é que os juros continuem subindo este ano, enquanto os prazos de financiamento devem se manter em queda. “Depende do comportamento da Selic. Mas uma inflação acima do que se esperava em janeiro é um combustível para a subida dos juros.”

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