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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Brasil cresce 1,3%, mas brasileiro consome menos

Categoria: Consumo, Indicadores

LUCIELE VELLUTO

A economia do Brasil cresceu 1,3% nos três primeiros meses deste ano ante o quarto trimestre de 2010 e atingiu R$ 939,6 bilhões. Os números do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que houve aumento nos investimentos no País, mas o brasileiro colocou o pé no freio no consumo.

O resultado positivo tem o efeito de manter em alta o nível de confiança de empresários, com reflexos na criação de empregos. Porém, esse indicadores vêm acompanhados de sinais preocupantes de aumento da inadimplência e pressão sobre os preços, o que eleva a inflação.

O avanço econômico do País está ligado principalmente à grande oferta de crédito, que permitiu às empresas aumentarem seus investimentos. No primeiro trimestre, esse item teve alta de 1,2% comparado ao trimestre anterior — três vezes mais que o mesmo resultado para os últimos três meses de 2010, de 0,4%.

O consumo das famílias também cresceu (0,6%), mas menos do que no último trimestre de 2010 (2,3%). Foi o pior desempenho desde o quarto trimestre de 2008. De acordo com o professor de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Otto Nogami, esse consumo foi facilitado pelo maior acesso ao crédito.

Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o crescimento do PIB foi de 4,2%. Para os especialistas, um bom resultado para os padrões brasileiros, mas bem abaixo do que os outros países em ascensão, como China (9,7%) e Índia (7,8%).

O investimento das empresas — que concentraram parte dos seus ganhos para aumentar a produção com aquisição de máquinas e equipamentos — registrou alta de 8,8% ante o primeiro trimestre de 2010.

Destaques
Segundo o IBGE, entre os setores que se destacaram nos primeiros três meses deste ano, estão o comércio, que cresceu 5,5% em comparação aos três primeiros meses de 2010, seguido pelo setor de serviços, com 4%, e a indústria, com 3,5%.

No geral, o PIB positivo deve elevar o nível de confiança tanto de empresários, que devem continuar a investir, quanto do consumidor, que manterá seus planos para financiamento e compras de produtos e bens à prazo.

“A divulgação tem essa função de realimentar o nível de confiança na economia. Quem já estava confiante continua ou até fica mais por saber o resultado do Produto Interno Bruto”, explica Rafael Paschoarelli, professor do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Crescimento saudável
Apesar dos bons resultados para economia, alguns especialistas acreditam que esse crescimento não foi “saudável”. “A oferta de crédito foi grande, mas a inadimplência também cresceu, o que mostra que a renda não acompanhou. E o investimento das empresas ainda não é suficiente para ter uma produção suficiente para atender à demanda das famílias brasileiras, um dos motivos para a inflação continuar elevada”, diz Nogami.

De acordo com o Banco Central, a inadimplência das operações de crédito com recursos livres subiu de 4,7% em março para 4,9% em abril.

Para tentar colocar o País no eixo do “crescimento saudável”, o governo já tomou medidas para frear o crédito, como aumento da taxa de básica de juros. E a expectativa é que o crescimento do PIB desacelere nos próximos meses.

“A economia não aguenta crescer no ritmo de 2010 e no do início deste ano. É só olhar para a inflação”, afirma Paschoarelli. A expectativa do mercado é que o ano de 2011 feche com um crescimento de PIB de 4%.

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