Bancos lucram menos e crédito fica mais difícil
- 16 de fevereiro de 2012 |
- 10h37 |
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Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Crédito, Juros
GISELE TAMAMAR
Quatro dos cinco principais bancos do País não tiveram um último trimestre de 2011 positivo e registraram queda no lucro em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na visão de especialistas do sistema bancário, a situação se reflete em concessões de crédito mais criteriosas e taxas de juros para o consumidor que não cedem e não acompanham as reduções da taxa básica, a Selic, no curto prazo.
Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Santander foram as instituições que registraram queda no lucro no quarto trimestre de 2011. Despesas administrativas, prejuízos com outras operações, provisões para processos trabalhistas e, principalmente, a inadimplência estão entre os motivos para a retração. Apenas a Caixa Econômica Federal foi em sentido contrário e contabilizou alta em seus lucros.
O calote avançou e contribuiu para a limitação no crédito no País no ano passado. Em dezembro de 2010, a taxa de pagamentos com atraso superior a 90 dias era 5,7%. Um ano depois, o índice fechou em 7,3%. E a tendência é que ela continue subindo pelo menos no primeiro semestre. “Projetamos uma taxa de inadimplência de 7,84% para abril. Os bancos vão segurar o crédito e fazer uma análise mais seletiva”, afirma o presidente do Conselho do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/Ibevar), Claudio Felisoni.
Na avaliação de Eric Brasil, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) e coordenador do Núcleo de Pesquisas do Ifecap, é pouco provável que o resultado dos bancos vá encarecer o crédito para o consumidor. Isso porque o País segue em crescimento, o desemprego está em queda e a Selic tem tendência de baixa. “Se houver algum movimento, deve ser no sentido dos bancos tomarem mais cuidado com o risco que estão assumindo ao conceder o crédito”, diz Brasil.
Apesar da queda no último trimestre, o lucro dos bancos foi positivo em 2011 e chegou a bater recordes. Mas a redução registrada no final do ano merece atenção, segundo o professor de economia da ESPM, José Eduardo Amato Balian. Para ele, uma redução no lucro mostra a necessidade dos bancos mudarem suas estratégias e ganharem mais no volume de crédito do que com aplicações financeiras.
“A remuneração dos títulos públicos passam por ajustes por causa da queda da Selic e os bancos começam a ver a necessidade de reduzir os juros para ganhar no volume de operações de crédito. Mas isso não acontece no curto prazo”, destaca Balian.
Para quem vai precisar recorrer ao crédito, a orientação é ser cauteloso. “O consumidor não deve cair em tentação e contrair uma dívida acima das possibilidades de pagamento. É preciso fazer a lição de casa, pesquisando preços e melhores condições de pagamento”, orienta o professor Eric Brasil.
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