Banco Central pode mudar regras de câmbio
- 11 de setembro de 2010 |
- 9h20 |
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Categoria: Bancos, Indicadores, Investimentos
O Banco Central (BC) e Ministério da Fazenda estão discutindo uma série de medidas para conter uma valorização ainda maior do real, na tentativa de impedir que o dólar recue abaixo dos R$ 1,70. Os economistas do governo identificam um movimento especulativo com a moeda e defendem que o mercado seja surpreendido com as compras do Fundo Soberano e com a possibilidade de a autoridade monetária alterar os limites que os bancos têm para operar com câmbio.
Algumas medidas já são conhecidas e apenas o momento de uso de uma delas é que ainda está em discussão: a oferta de “swap cambial reverso”, que equivale a uma compra de dólar no mercado futuro. Esse tipo de operação é usado para equilibrar as apostas no mercado futuro sobre a tendência do dólar.
Enxurrada de dólares
Hoje, os investidores apostam em forte entrada de dólares por causa do ritmo de captação de empréstimos por empresas brasileiras no exterior e pela expectativa do forte interesse dos investidores estrangeiros pela capitalização da Petrobrás. Com tantos dólares entrando no Brasil, a expectativa dos investidores é que a cotação da moeda americana derreta.
A ação articulada entre Henrique Meirelles, presidente do BC, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode ser reforçada com as operações de compra de dólares com recursos do Fundo Soberano. Ao contrário da autoridade monetária, que divulga ao mercado suas operações diárias, a entrada do Fundo não é precedida de uma comunicação. “É esse efeito surpresa que poderá ser usado”, afirmam fontes do governo federal ouvidas pela Agência Estado.
Enquanto isso, o BC está reforçando as compras no mercado à vista. Nos últimos dias, a autoridade monetária tem intensificado suas compras, retomando a realização de dois leilões diários, evitar que a cotação fique abaixo do piso de R$ 1,70. Os economistas afirmam que não se trata de um piso oficial, mas de uma referência para o câmbio.
Nessa estratégia até mesmo a capitalização da Petrobrás, que muitos identificam como um momento de vulnerabilidade para a excessiva valorização do real, pode ser administrada sem afetar fortemente o mercado de câmbio. O governo poderá estabelecer um cronograma para o ingresso dos dólares da participação estrangeira na capitalização. “A Petrobrás não precisa trazer os dólares de uma única vez”, comentou uma fonte. (Beatriz Abreu)
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