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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014
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Baixa renda gasta mais com empregada

Categoria: Indicadores, Renda, Serviços, Trabalho

Em 2011, ano em que o desemprego atingiu o nível mais baixo da história, o gasto dos brasileiros com empregada doméstica foi o maior desde 2005, e as classes D e E foram as que mais desembolsaram com esse tipo de serviço, revela a pesquisa O Observador Brasil 2012, da Cetelem BGN. A pesquisa, que ouviu 1,5 mil famílias de todas as classes sociais em 70 cidades do País, é uma espécie de radiografia do mercado consumidor.

No ano passado, o gasto médio mensal das famílias das classes D e E com empregados domésticos atingiu R$ 300, superando as despesas com supermercado (R$ 284) e moradia (R$ 209) para essa faixa de renda. R$ 300 também foi a cifra média desembolsada pelas famílias de todas as classes sociais com empregadas domésticas em 2011. O aumento foi de 29,3% ante 2010.

“Esse é o reflexo do pleno emprego”, afirma o vice-presidente da Cetelem BGN, Miltonleise Carreiro Filho. Ele destaca que as classes de menor renda encontraram melhores oportunidades de trabalho, principalmente no setor de serviços, e tiveram de contratar pessoas para cuidar dos filhos e da casa.

A pesquisa utiliza o Critério Brasil, formulado pela Associação Brasileira da Empresas de Pesquisa (Abep), que considera a posse de bens no domicílio e a escolaridade do chefe de família como critérios de estratificação social. Para facilitar o entendimento, segundo esse critério, a renda média familiar da classe C é de R$ 1.282; das classes A e B, varia entre R$ 2.565 a R$ 12.926; e as classes D e E têm renda de até R$ 714.

Escolaridade
Há evidências desse movimento de escassez de mão de obra também em outro dado da pesquisa. A renda disponível, isto é, aquela que sobra para as famílias depois de todas as despesas básicas, cresceu muito mais para as famílias com menor nível de escolaridade.

De 2010 para 2011, a renda disponível das famílias cujo chefe tem ensino básico subiu 46,14%. Naquelas com ensino fundamental, a alta foi de 44,64%. Nesse mesmo período, as famílias cujo chefe tem ensino médio ampliaram a renda em 19,89%. Mas aquelas de nível superior registraram queda de 4,70% na renda.

Esse resultado pode ser um indício de que as famílias de maior poder aquisitivo e escolaridade, que normalmente são as grandes consumidoras de serviços, tiveram a renda disponível reduzida por causa de aumento de preços dos serviços nos últimos meses. Em contrapartida, as famílias das classes de menor renda, que geralmente são as prestadoras de serviços, foram beneficiadas pelos aumentos de preços e do emprego e tiveram aumento de renda.

Segundo a pesquisa, a renda disponível das famílias de classe C cresceu quase 50% de 2010 para 2011, enquanto o acréscimo para a média dos brasileiros foi de 22% em igual período.

A renda disponível das famílias de maior poder aquisitivo, das classes A e B, ultrapassou no ano passado R$ 1 mil, mas cresceu apenas 1% em relação ao ano anterior. Nas classes D e E, a base da pirâmide social, houve um acréscimo de 21% na renda disponível no mesmo período.