Atividade mais lenta ainda não preocupa
- 24 de janeiro de 2012 |
- 23h00 |
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Categoria: Agenda, Análise, comércio, Indicadores, Indústria, Trabalho
LUCIELE VELLUTO
Os primeiros sinais de desaceleração na economia brasileira, evidentes no mês passado, não preocupam, embora mostrem que 2012 não será tão bom quanto 2011. Essa é a opinião de especialistas ouvidos pelo JT. O emprego formal sofreu os impactos da retração: em dezembro houve mais demissões do que contratações na cidade de São Paulo, o que fez o saldo de vagas ficar negativo em 30.837 postos de trabalho na capital. É o pior resultado para o mês desde 2008. No País, o resultado também foi de enxugamento dos quadros no último mês do ano passado, com corte de 408 mil empregos com carteira assinada.
O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que mede o mercado de trabalho formal, foi divulgado ontem e seguiu outros indicadores econômicos.

A indústria de transformação apresentou saldo positivo de 7.867 vagas de trabalho na capital paulista em 2011 (Foto: ALBERTO CESAR ARAUJO/AE 12-08-2010)
A produção da indústria teve desaceleração no mês passado, passou de 50,1 pontos a 42,1 na comparação com novembro, aponta sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI). As vendas do comércio ficaram abaixo do esperado para dezembro. E o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre de 2011 deve se aproximar de zero.
Mesmo assim, o último ano foi bom para o emprego com registro em carteira, pois o saldo anual ficou em 1,94 milhão de contratações no País, sendo 205 mil vagas criadas em São Paulo. O resultado nacional é o segundo melhor, só perde para 2011, e o paulista é segundo melhor desde 2008.
“A performance de 2011 foi muito boa se compararmos ao crescimento do País. Enquanto em 2010 tivemos um PIB de 7,5% e 2,4 milhões de contratações, no ano passado devemos ficar com 3,5% a 4% de crescimento, com 1,9 milhões de empregos com carteira assinada”, explica Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Sem novidades
Para a professora de economia do Insper, Regina Madalozzo, as demissões em dezembro não são novidade. “Se acompanharmos a série histórica, veremos que há mais dispensas no período que contratação, pois muitos temporários têm o contrato de trabalho encerrado antes mesmo do ano acabar. Com a desaceleração ao longo do ano, o resultado era esperado.”
No início de 2011, o Ministério do Trabalho previa 3 milhões novas vagas formais de emprego, mas depois foi forçado a reduzir sua estimativa para 2,5 milhões.
A professora ainda acredita que os resultados do final do ano passado ainda devem influenciar o geração de emprego no primeiro trimestre de 2012. Janeiro e fevereiro são historicamente meses fracos de contratação e a economia tende a acelerar após esse período, já que o governo adotou medidas para voltar a incentivar o consumo e o crescimento do PIB.
Na previsão do Dieese, 2012 será um ano com crescimento menor na contratação com carteira assinada do que o ano anterior. “A expectativa é de 1 milhão a 1,5 milhão, mas com tendência para o menor número, já que o crescimento da economia deve ser semelhante ao de 2011”, diz Regina.
No ano passado, o setor de serviços criou o maior número de vagas na cidade de São Paulo, com 138,9 mil contratações. O comércio ficou em segundo lugar, com 236,6 mil, seguido pela construção civil, com 22,3 mil, e pela indústria, com 7,9 mil.
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