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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Alta da carne puxa consumo e eleva preço do frango

Categoria: Consumo

MARCOS BURGHI

Das gôndolas de supermercado chegam duas notícias relacionadas à ceia de Natal: as aves estão 9% mais caras que em 2009, mas Papai Noel poderá ser recebido com um maior volume de produtos importados na composição da mesa. O aumento de consumo no segmento é estimado em 20% para este fim de ano na comparação com 2009.

Segundo Orlando Morando, vice-presidente de Comunicação da Associação Paulista de Supermercados (Apas), os preços do frango e do peru subiram 9%, em média, em razão do aumento da demanda por conta dos consumidores que trocaram a carne bovina, mais cara, pelas aves. De acordo com o Índice de Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (ICV/Dieese), que mede a inflação na capital, os cortes de boi acumulam alta superior a 31% até novembro. Pelo levantamento do Dieese, a carne de frango também subiu, mas menos. Registrou alta próxima de 17% no mesmo período.

A pesquisa de produtos de Natal feita pela Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP), com dados colhidos no final de novembro em dez estabelecimentos das cinco regiões da capital, também detectou alta nos preços das carnes consumidas no fim de ano – entre as quais frango e peru. Segundo Cristina Martinussi, técnica do Procon-SP, o consumidor deve pagar, em média, 8,36% mais que no Natal de 2009.

A técnica do Procon-SP sugere a pesquisa de preços para que o consumidor possa gastar menos sem deixar de obter qualidade. “É preciso pesquisar bem antes de comprar”, afirma.

Ela observa, porém, que quando essa prática requer deslocamentos deve-se verificar se o gasto com combustível não vai anular a possível economia obtida na compra do produto. Os aumentos de preços das aves estão bem acima do índice de inflação geral no período, pouco maior que 6%. Tanto com a carne vermelha quanto em relação às aves, as elevações se devem ao aumento de consumo interno e externo.

Morando, que também é deputado estadual (PSDB-SP), afirma que os produtos importados estão mais baratos em função da cotação do dólar, atualmente ao redor de R$ 1,70. De acordo com o executivo, os preços de alguns vinhos tiveram redução de 30% em relação ao Natal do ano passado.

Segundo Morando, os vinhos mais procurados são os argentinos, chilenos e italianos. A projeção é que o volume de vendas cresça 15%. O bacalhau é outro item mais em conta, diz Morando. A baixa, segundo ele, pode chegar a 40%.

Cláudio Felizoni, coordenador do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar-Fia), afirma que a melhora da renda do brasileiro também estimulou o consumo de importados que estarão, de fato, mais presentes nas mesas este ano.

Ricardo Pastore, coordenador do Núcleo de Varejo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que ainda há poucos fornecedores de produtos importados ao mercado brasileiro, o que torna comum encontrar o mesmo item em diferentes estabelecimentos. Segundo ele, se houvesse maior diversificação o consumo seria maior.

A advogada Maria Ângela Ramalho, 41 anos, diz que os vinhos importados terão mais espaço em suas festas de fim de ano, mas quando o assunto é panetone ela diz que prefere os nacionais. “Os preços estão bem convidativos”, avalia. Ela também gostou dos preços do bacalhau.

A terapeuta Walkíria de Oliveira, 52 anos, diz que costuma pesquisar antes das compras e este ano sentiu-se atraída pelos preços do bacalhau importado e de um tradicional espumante francês. “Também vou comprar mais castanha portuguesa, que está mais barata”, conta.

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