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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Alimento puxa maior inflação desde 2004

Categoria: Aposentadoria, Indicadores, Salário mínimo

CAROLINA DALL’OLIO

O custo de vida do brasileiro subiu 5,91% em 2010 — a maior inflação desde 2004, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os grandes vilões do bolso do consumidor foram os alimentos. Em média, eles ficaram 10,39% mais caros. Mas em alguns casos, como o do feijão, o reajuste passou de 50%.

Divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), os índices de inflação demonstraram a pujança do consumo no mercado local em 2010 e se tornaram um forte argumento para os trabalhadores reivindicarem um reajuste maior do salário mínimo.

Além do IPCA, o governo federal divulgou também o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que teve alta de 6,47% em 2010. Embora não haja lei que regulamente o tema, o indicador é usado desde 2007 para calcular o reajuste do salário mínimo.

Caso a regra fosse mantida neste ano, portanto, o valor correto do mínimo seria de R$ 543. Com arredondamentos, chegaria a R$ 550. Mas o valor atual está em R$ 540, o que corresponde a um aumento de 5,88% frente ao valor de R$ 510, vigente em 2010. Ou seja, o governo deu ao piso nacional um reajuste menor que a inflação.

“Meteram a mão no salário mínimo”, queixa-se o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, deputado pelo PDT-SP. Ele já apresentou emenda propondo a elevação do valor para R$ 580, valor defendido pelas centrais sindicais.

Salário mínimo

Diante dos dados oficiais divulgados ontem, especialistas dizem ser pouco provável que o Palácio do Planalto mantenha o mínimo em R$ 540. Mas também é difícil imaginar que o valor proposto pelos sindicalistas seja aprovado.

“Em 2011, com a perspectiva de que a inflação continue em alta, o governo já avisou que vai precisar conter seus gastos para não pressionar ainda mais os preços”, afirma o economista Bolívar Godinho, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Para José Silvestre, coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), seja qual for o novo valor do piso nacional definido pelo governo, ele servirá de parâmetro para as negociações salariais neste início de ano.

“Como a economia está aquecida, podemos supor que a maioria das categorias conseguirá obter aumentos reais (acima da inflação)”, diz Silvestre. “Mas se o reajuste do mínimo pleiteado pelas centrais for aprovado, é provável que isso encoraje os trabalhadores a exigirem reajustes maiores também nas convenções do primeiro semestre.”

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon-SP) é uma das principais categorias que têm data-base em maio de 2011. E embora a inflação tenha sido mais alta em 2010 do que em 2009, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon-SP) deve manter a reivindicação inicial que fez no ano passado: reposição da inflação e mais 10% de aumento real.

“O valor ainda não está fechado. Mas como as empresas estão numa fase muito boa e falta mão de obra no setor, acho que o pedido é justo”, admite Antonio Ramalho, presidente do Sintracon-SP. Em 2010, a categoria conseguiu aumento salarial de 8,01%.

Só quem não precisa brigar mais por reajustes este ano são os aposentados que ganham mais de um salário mínimo. É que, por lei, o governo deve reajustar estes benefícios pelo INPC, em 6,47%. Em fevereiro, os aposentados receberão o valor correto, informa o Ministério da Previdência.

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