A vez das redes sociais especializadas em compras
- 1 de outubro de 2011 |
- 23h00 |
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Categoria: Tecnologia
MARÍLIA ALMEIDA
Além de compartilhar com os amigos fotos, notícias e até o estado de espírito do momento nas redes sociais, o internauta agora pode também divulgar as compras realizadas ou recomendar e avaliar produtos.
O compartilhamento é feito por meio de sites de relacionamento próprios para trocar ideias sobre as últimas aquisições e os objetos de desejo. São exemplos as páginas eletrônicas Frugar, Bloompa e Winke — do grupo Buscapé. É possível compartilhar opiniões e informações sobre produtos e compras das mais diversas categorias, que também podem ser postadas em outras redes sociais como Facebook e Twitter. O Submarino Digital Club, rede social sobre livros online, incentiva a recomendação de títulos por meio de discussões.
O objetivo é facilitar e organizar o boca a boca na rede, que tanto tem influenciado a decisão do consumidor na hora de comprar, seja pela internet ou no comércio físico. É possível, por exemplo, verificar quais os produtos desejados ou recomendados por amigos e criar listas de desejos e presentes.
O publicitário Murilo Felipe, 21 anos, conheceu o Bloompa por indicação e já comprou após recomendação no site. “Não sabia que existia uma máquina de gelo de um personagem que gosto. Além de conhecer produtos, gosto de saber o que meus amigos querem ganhar. Também compartilho produtos que acho interessantes.”
Criada em maio, o Winke já tem 200 mil usuários cadastrados. “A eficiência do boca a boca já está comprovada. Agora, é possível saber onde o amigo fez a compra, quanto pagou, fazer comentários e fomentar a troca de ideias”, diz Cristina Rother, diretora da consultoria especializada em comércio eletrônico, e-bit.
No ar desde o início do ano, a Frugar recebeu 120 mil visitantes em julho. “Nas redes sociais, informações sobre produtos se perdem. A organização dessas informações em outra plataforma acaba sendo necessária”, diz Guilherme Costa, gerente de marketing do site.
Nesse mar de opiniões, muitas de desconhecidos, surge a figura do “especialista”, aquele consumidor que conhece bem determinado item. Um deles é o publicitário Michel Arouca, responsável pelo blog Série Maníacos. Ele já criou cerca de 20 listas com DVDs de seriados no Frugar, seguidas por mais de 1 mil usuários.
“Costumo fazer listas de tudo que considero relevante para quem quer conhecer seriados. Os seguidores participam indicando outros produtos, curtindo a recomendação e dando opiniões”, diz.
Especialistas
Esses “especialistas” são valorizados pelos sites, que geralmente incentivam a interação com comissões em dinheiro. Afinal, além de fomentar o boca a boca e a troca de informações entre os consumidores, os sites também desejam incentivar vendas. Portanto, na hora de embarcar nas recomendações, é necessário cuidado.
“Diferente de uma roda de amigos, nos quais confiamos, que recomendam e atestam a experiência que tiveram com o produto, na rede é difícil saber se as dez pessoas que recomendam um produto são reais ou tiveram realmente bons resultados com a compra, a não ser que já façam parte da rede social do consumidor”, diz Karina Alfano, gerente de relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
Por isso, ela recomenda que as indicações de produtos sejam apenas parte da decisão de compra, que deve ser acompanhada por pesquisas complementares. “Além de pesquisar preços, é importante que o consumidor busque reclamações sobre o produto e a empresa que realiza a venda nos órgãos de defesa do consumidor e na internet, não só verificando sua qualidade e idoneidade, mas também se respeita seus direitos.”
A psicanalista e doutora em psicologia econômica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), Vera Rita de Mello Ferreira, também alerta para o “efeito manada”. “Ao ver que alguém comprou, a pessoa sente vontade de comprar sem necessariamente refletir. A internet potencializa este comportamento. É necessário que o consumidor avalie se o que serve para o outro também serve para ele.”
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