PF quer aprofundar investigação sobre Panamericano
- 11 de fevereiro de 2012 |
- 17h30 |
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O delegado Milton Fornazari Júnior, que presidiu o inquérito sobre o rombo de R$ 4,3 bilhões no Banco Panamericano, representou à Justiça Federal para que autorize o compartilhamento de prova, a fim de que seja aberto inquérito na Polícia Federal em Juiz de Fora (MG) destinado a investigar o investidor Adalberto Salgado Júnior em operações com CDB (Certificado de Depósito Bancário) “fora da realidade do mercado”.
A base do pedido de Fornazari é o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que identificou Adalberto como o cliente do banco que recebeu remuneração em CDB ao valor equivalente a 697% durante 315 dias. A remuneração média desse título não ultrapassa os 12% ao ano. O investidor reside naquela cidade.
A PF quer “aprofundar as investigações em relação a eventual conluio de Adalberto e pessoas a ele vinculadas, de qualquer forma, com os ex-administradores do Panamericano, na obtenção de taxas de remuneração de CDB fora da realidade do mercado, o que só poderá ser constatado por meio de novas diligências, incluindo quebra de sigilo bancário, bem como para investigar a origem dos altos valores movimentados por ele em circunstâncias anormais”.
O advogado Roberto Podval nega o envolvimento de Adalberto em transações irregulares.
A PF incluiu o investidor no capítulo “demais investigados” do relatório final do inquérito. Fazem parte desse rol 15 nomes, incluindo o empresário Senor Abravanel, o Silvio Santos. Ele e Adalberto não foram indiciados.
O delegado suspeita que o ex-presidente do banco, Rafael Palladino, teria enriquecido ilicitamente. À página 31 do relatório, Fornazari destaca a compra, por empresas de Palladino, de “dois veículos de alto luxo, um Porsche Cayenne e uma Ferrari modelo F355”.
À página 120, o delegado assinala: “Sobre o indiciamento de Palladino por lavagem de dinheiro, é bom ressaltar que há ainda a presença de robustos indícios de que ele possui amplo patrimônio nos Estados Unidos, não declarado à Receita Federal brasileira, ao que tudo indica, obtido com recursos ilícitos, oriundos da gestão fraudulenta do Banco Panamericano”.
“Palladino não tem nenhum robusto patrimônio no exterior, quem possui é pessoa jurídica e não há nada que não esteja declarado à Receita”, rechaçou a advogada Elizabeth Queijo, que defende Palladino. “Há muito a ser esclarecido. A investigação é equivocada.” / FAUSTO MACEDO
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