Partidos fecharam acordo, diz Obama
- 31 de julho de 2011 |
- 23h20 |
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Categoria: Contas públicas
O presidente americano, Barack Obama, anunciou na noite de ontem um acordo com líderes republicanos e democratas sobre o aumento do teto da dívida pública dos Estados Unidos e para evitar que o país não tenha como cumprir com todas as suas obrigações financeiras.
Em um pronunciamento rápido, Obama afirmou que o processo para fechar o acordo bipartidário foi “bagunçado e levou muito tempo”, mas agradeceu aos líderes políticos republicanos e democratas por terem se comprometido. O presidente também agradeceu ao povo americano pelas “vozes, e-mails e tuítes” que pressionaram os políticos.
Obama também afirmou que este acordo vai permitir que os Estados Unidos paguem suas dívidas, além de criar empregos no futuro e vai encerrar “a crise que Washington impôs ao resto dos Estados Unidos”.
O presidente disse que este acordo vai reduzir em cerca de US$ 1 trilhão os gastos nos próximos dez anos. O acordo será apresentado hoje ao Senado e à Câmara dos Representantes.
Caso o impasse do teto da dívida não seja resolvido até amanhã, os EUA não terão como cumprir com suas obrigações financeiras, o que pode forçar uma moratória com prováveis impactos na economia mundial.
Democratas e republicanos demonstravam ontem otimismo cauteloso sobre as possibilidades de um acordo sobre o aumento do teto da dívida pública dos Estados Unidos antes de amanhã, na tentativa de evitar uma moratória.
O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell disse que os dois partidos estavam “muito perto” de fecharem um acordo que elevaria o teto da dívida dos EUA – atualmente em US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) – em US$ 3 trilhões, após conversas com o vice-presidente Joe Biden.
O senador democrata Richard Durbin também falou que havia “um sentimento mais positivo” sobre a questão. Mas os democratas e a Casa Branca alertaram que ainda era preciso que os dois lados concordassem a respeito de alguns detalhes.
As negociações pareciam ter progredido um pouco, quando o Senado rejeitou por uma diferença pequena de votos a proposta do líder da maioria democrata, Harry Reid, que também era apoiada por Barack Obama.
A proposta previa cortes orçamentários de US$ 2,2 trilhões e o aumento o teto da dívida em US$ 2,7 trilhões, o que faria com que o assunto não precisasse ser discutido novamente até depois das eleições de 2012.
A derrota desse projeto abriu caminho para uma proposta bipartidária que provavelmente terá elementos do plano de Reid, segundo analistas. “O acordo que está sendo trabalhado junto com o líder dos republicanos, o governo e outros ainda não foi fechado”, disse Reid no Senado depois da votação. “Estamos esperançosos e confiantes de que pode ser fechado.”
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Barack Obama, Câmara dos Representantes, democratas, dívidas, Estados Unidos, republicanos, Senado
Consumidor fica refém das fusões de empresas
- 31 de julho de 2011 |
- 23h00 |
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Categoria: Empresas
Carolina Marcelino
Grupo Pão de Açúcar e Casas Bahia, Perdigão e Sadia, Itaú e Unibanco. Essas foram as fusões mais significativas ocorridas no Brasil nos últimos anos e que mexeram com o dia a dia do consumidor. Será que ele foi beneficiado, os preços caíram? O atendimento melhorou?
São transações bilionárias, que se tornam importantes do ponto de vista dos negócios, significando mais faturamento para as empresas envolvidas. Só que o consumidor apenas observa os acontecimentos. As parcerias tendem a limitar o poder de escolha do brasileiro, já que essas fusões concentram mercado nas mãos de menos grupos. De acordo com o sócio-diretor da Go4! Consultoria de Negócios, Christian Majczak, quando há uma fusão, a tendência é que os preços aumentem. “As empresas fazem transações para intimidar a concorrência e por isso colocam o preço que bem entendem”, afirma ele.
Em 2008, ocasião da união entre Itaú e Unibanco, pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostrou que, das 35 tarifas cobradas por ambos os bancos, 26 delas eram maiores no Unibanco. Hoje, todas as cobranças foram igualadas para os clientes. O Itaú Unibanco não informa se, na média, as tarifas subiram ou diminuíram mas, segundo o Idec, desde 2008 a cesta de tarifas do Itaú teve um aumento de 7%.
É essa mudança nos preços que preocupa os consumidores. A designer de interiores Beatriz Campos, de 62 anos, é uma das pessoas que se mostram contrárias à união entre grandes empresas. “Se a fusão entre o Carrefour e o Pão de Açúcar acontecesse, o governo, ao permitir, estaria caminhando contra tudo o que um dia jurou defender: o povo.”
O Índice Nacional de Satisfação do Consumidor, verificado mensalmente pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), mostra que, no mês de julho, 15% dos internautas que comentaram as negociações da fusão entre as redes varejistas se mostraram contrários a essa parceria. A pesquisa monitora sites, blogs e redes sociais e em apenas um mês, 800 pessoas se expressaram sobre o assunto. “O que surpreendeu é que os internautas palpitaram sobre a ajuda do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
no caso. A população está mais consciente”, diz Alexandre Gracioso, vice-presidente da ESPM e coordenador do indicador de mercado. O BNDES faria um aporte de R$ 4,5 bilhões de dinheiro público para concretizar o negócio.
Mas para o sócio-diretor comercial do Grupo Azo, consultoria especializada em varejo, Marco Quintarelli, as fusões estimulam o crescimento de outras companhias, que investem para não perder mercado. Ele afirma que, em um primeiro momento, as empresas que fizeram fusão passam por dificuldade. “Quem consumia Perdigão tem antipatia pela Sadia, que teve produtos retirados do mercado.”
A dona de casa Ana Carolina Escudeiro de Moura, 21, está casada há sete meses. Desde então, passou a prestar mais atenção aos preços. “Nunca vou no mesmo mercado. Gosto de variar para sentir as mudanças dos preços. Com as fusões, fico sem opção de mercado e sem opção de mercadoria.”
O presidente da Associação Brasileira do Consumidor (ABC), Marcelo Segredo, afirma que é exatamente esse o problema. “Os preços podem aumentar muito e não há ninguém que possa controlar isso.”
Segundo o diretor de Estudos e Pesquisas do Programa de Administração de Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA), Nuno Manoel Martins Dias Fouto, as variações de preços dependem do comerciante e do cliente. “O Pão de Açúcar é uma empresa inteligente. Eles variam os preços dos produtos em lojas regionais.”
Já o especialista em fusões e aquisições da Guimarães & Vieira de Mello Advogados, Leonardo Guimarães, discorda. “As fusões agregam muito à economia do País, pois juntas as empresas fortalecem o mercado brasileiro ante outros países. Se o Pão de Açúcar tivesse comprado o Carrefour, todos os lucros ficariam no Brasil. Se fosse o contrário, o faturamento iria para a França.”
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Concessões travam 3º aeroporto em SP
- 31 de julho de 2011 |
- 16h53 |
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Categoria: Tecnologia
Depois de quase quatro anos na gaveta, o projeto de construção de um terceiro aeroporto na Grande São Paulo pela Andrade Gutierrez e a Camargo Correa está prestes a ter avaliada sua viabilidade operacional pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Detentoras do direito de compra de uma área de 9 milhões de metros quadrados em Caieiras, na região metropolitana, as empresas querem autorização para tocar o projeto em regime privado.
Em uma reunião realizada em julho na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Decea solicitou mais informações às empresas para estudar a viabilidade técnica do aeroporto, afirmou o chefe do setor que cuida do planejamento estratégico operacional no órgão, Julio Cesar de Sousa Pereira. Segundo ele, de posse desses dados, o Decea levaria um mês para concluir a análise.
De acordo com fontes, porém, o órgão já teria informado internamente ao governo que o projeto não é viável. O resultado reforça a pouca empolgação que o Planalto vem demonstrando em relação ao projeto. A Anac, agência reguladora do setor aéreo, nunca chegou a estudar a viabilidade de outorgar à iniciativa privada a construção e operação do novo aeroporto, revelou uma fonte.
Entre diretores da agência, as desculpas para a falta de ação mostram o caráter polêmico do projeto: o suposto rechaço da presidente Dilma Rousseff, a inviabilidade operacional alegada pelo Decea e até a contrariedade da Odebrecht, construtora rival da Andrade e da Camargo.
O novo diretor-presidente da agência, Marcelo Guaranys, porém, não seria contra a autorização, dizem fontes. Ele assumiu a Anac este mês. O governo de São Paulo é outro aliado à construção do terceiro aeroporto, embora não se posicione especificamente sobre o projeto de Caieiras. A visão é de que um investimento desse tipo seria uma solução para destravar os gargalos de infraestrutura, cujas pontas mais visíveis são as longas filas em Congonhas e Guarulhos.
Uma reunião entre a Secretaria Estadual de Logística e Transportes e a Anac para tratar do assunto, programada para junho, foi cancelada. A agência teria alegado problema de agenda, informou a assessoria de imprensa da pasta. O secretário Saulo de Castro tem uma reunião prevista com o ministro da Secretaria da Aviação Civil, Wagner Bittencourt, “para breve”, mas ainda sem data marcada. Pela assessoria, ele disse que prefere não dar entrevista antes do encontro.
Um dos motivos de o governo não incentivar um terceiro aeroporto em São Paulo é a convicção de que conseguirá tirar do papel o projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) ligando Rio, São Paulo e Campinas.
Para técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que trabalharam nos estudos para o edital do frustrado leilão do trem-bala, a ligação entre São Paulo e Campinas viabilizaria o Aeroporto de Viracopos como terceira opção para a Grande São Paulo. Os estudos do TAV foram conduzidos no BNDES sob a liderança do atual ministro Wagner Bittencourt, que foi diretor de infraestrutura do banco.
No caminho do aeroporto de Caieiras, a 35 quilômetros de São Paulo, está ainda a Infraero. O governo vê que a construção de um novo aeroporto na região pode atrapalhar uma futura abertura de capital da estatal. Mais um aeroporto na Grande São Paulo também poderia reduzir o valor ofertado pelos consórcios interessados nas concessões de Guarulhos e Viracopos.
Segundo um consultor, o governo também teme que a autorização do projeto seja vista como um favorecimento às empresas. No entanto, mesmo que o governo chamasse outros possíveis interessados, as duas construtoras seriam as vencedoras, pois outros grupos teriam dificuldades de encontrar um terreno.
Procurada, a Camargo Corrêa não quis comentar o assunto. A Andrade Gutierrez confirmou, em nota, que “continua interessada e trabalhando para o sucesso do terceiro aeroporto de São Paulo”. A SAC não respondeu às perguntas da reportagem. (Colaborou Alexandre Rodrigues)
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Nova classe média é jovem e está empregada
- 31 de julho de 2011 |
- 10h00 |
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Categoria: Consumo
A nova classe média popular que surgiu no Brasil nos últimos anos é, comparada à população total, mais jovem, mais empregada no setor privado formal, mais concentrada na indústria de transformação e no comércio, e com uma proporção maior de pessoas com oito a dez anos de estudos. Em termos qualitativos, segundo o especialista Renato Meirelles, do Instituto de Pesquisa Data Popular, “se a nova classe média tivesse um rosto, seria o de uma jovem mulher conectada na internet”.
Todos aqueles dados estão sendo preparados pelo economista Ricardo Paes de Barros, subsecretário da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, para o seminário Políticas Públicas para a Nova Classe Média, que será realizado em Brasília no dia 8 de agosto. A presidente Dilma Rousseff está escalada para fazer a abertura.
Barros nota que a emergência da nova classe média corresponde ao inchaço de um segmento do meio da pirâmide de renda no Brasil, com perda de espaço para as pontas mais pobre e mais rica. Isso ocorreu pela queda da desigualdade, com a renda dos pobres crescendo mais rapidamente do que a dos ricos, congestionando o meio da distribuição. Assim, aquele grupo médio saiu de 40% da população em 1999, ou 68 milhões de pessoas, para 52% em 2009, ou 99 milhões. “Hoje, já está com certeza acima de 100 milhões”, diz Barros.
Nesse grupo, 9,3% das pessoas são jovens de 20 a 24 anos, proporção maior do que entre os pobres, de 7,7%, ou os ricos, com 7,8%. Entre os trabalhadores dessa classe média popular, 41,6% têm emprego com carteira assinada, comparado a 20,5% dos pobres, e 34,5% dos ricos. O grupo do meio tem 15,9% na indústria da transformação, ante 9,5% dos pobres e 13,5% dos ricos; e 19,8% no comércio e serviços de reparação, comparado a 13,8% dos pobres e 17,5% dos ricos.
Em termos educacionais, 38,9% do segmento médio tem de oito a 11 anos de estudo, comparado com 37,8% dos ricos, e 23,6% dos pobres. Os ricos, porém, tem uma proporção maior de pessoas com onze anos de estudo (27,9%) do que a classe média popular (23,5%). Esta, por sua vez, tem mais pessoas com oito a dez anos de estudo (15,4%) do que os ricos (9,9%).
Barros trabalha com um conceito de classe média estatístico, relativo aos que de fato estão no meio da distribuição de renda brasileira. Essa definição às vezes entra em choque com a ideia de que classe média no Brasil são os que vivem nos mesmos padrões do grupo assim classificado nos Estados Unidos e na Europa. Mas, enquanto lá esse segmento está de fato no meio da distribuição, no Brasil ele se situa entre os mais ricos.
Barros definiu esse grupo intermediário como os que têm renda per capita familiar entre R$ 250 e R$ 1.000, o que, numa típica família de quatro pessoas, significa renda entre R$ 1.000 e R$ 4.000. O seu critério foi justamente o de identificar o agrupamento do meio que cresce mais rapidamente do que a população como um todo, por causa da melhora da distribuição de renda. Portanto, tantos os que ele classifica como pobres, abaixo daquele intervalo, quanto os que chama de ricos, acima, estão perdendo espaço relativo na população.
As pesquisas de Meirelles ao longo dos dez anos do Data Popular, um instituto pioneiro com foco nas classes C e D, mostram que, de fato, esse grupo cada vez maior no meio da distribuição brasileira tem uma personalidade própria, diferenciada tantos dos ricos quanto dos pobres. Em muitos aspectos, como a aspiração à ascensão social, o gosto pela tecnologia e a importância crescente dada à educação, é um segmento com características sociológicas de classe média.
Na sua definição da classe média popular Meirelles trabalhou com a classe C, definida como os de renda familiar per capita de R$ 323 até R$ 1.388. Embora um pouco acima da conceituação de Barros, as duas definições têm a maior parte do seu universo populacional em comum.
Meirelles, que também participará do seminário, vê como uma característica marcante da classe média popular um papel ampliado nas famílias de jovens e mulheres, inclusive em termos de formação de opinião e inclinações políticas. Algumas características tornam claro por que isso ocorre.
Assim, enquanto nas classes A e B apenas 10% dos filhos ultrapassam o nível de escolaridade dos pais, esta proporção sobe para 68% no caso do segmento médio. Em um típica família de classe C, com um filho trabalhando, para cada R$ 100 que o chefe de família aporta para a renda familiar, o jovem traz R$ 53. Numa família de classe alta, o filho adiciona apenas R$ 11 para cada R$ 100 trazido pelo pai.
Outro traço das famílias do grupo médio é a importância que dão à tecnologia, e especialmente ao computador, como ferramenta de desenvolvimento pessoal. A classe C é mais otimista que os pobres e os ricos, e tem consumidores muito exigentes, atentos à relação custo e qualidade, já que seus orçamentos são menores que os das classes A e B. (Fernando Dantas)
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Cirurgia plástica ajuda a turbinar carreira
- 30 de julho de 2011 |
- 23h15 |
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Categoria: Trabalho
SUZANE G. FRUTUOSO
Jovial e dinâmico. Jovial e dinâmico. Jovial e dinâmico… Essas duas palavras vêm martelando na cabeça de profissionais na faixa entre 40 e 50 anos. A importância da aparência, numa sociedade que exalta a juventude, se tornou fundamental para a permanência no mercado de trabalho e no jogo das promoções.
Tanta preocupação criou uma nova demanda nos consultórios de cirurgiões plásticos. Nos últimos cinco anos, começou a ser registrado um aumento de 15% ao ano no número de pacientes que aparecem com o objetivo de mudar algo para se manter no emprego e passar o recado de que ainda são capazes.
“As pessoas chegam dizendo que estão competindo com gente jovem e bonita pelas melhores colocações”, diz o cirurgião plástico Carlos Alberto Komatsu, presidente da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC).
Entre os procedimentos mais pedidos estão a blefaroplastia (que levanta a pálpebra e retira bolsas de gordura abaixo dos olhos) e o mini-lifting de papada. As lipoaspirações também estão na lista, assim como os liftings faciais para amenizar rugas.
Parecer cansado, triste e bravo são as principais queixas dos profissionais. As mulheres são maioria. Mas os homens já são cerca de 30% dos clientes, que incluem executivos, advogados, dentistas, funcionários de banco e uma infinidade de posições nas quais é necessário lidar com o público.
“A jovialidade ajuda no networking e na vida social. E as empresas também relacionam boa aparência e saúde. Não é só ser bonito. Indica cuidado com alimentação, tempo para exercícios físicos, não beber e não fumar. Atitudes que não causarão prejuízos para o empregador no futuro”, diz o cirurgião plástico Alexandre Barbosa, sócio da Clínica de Cirurgia Plástica de São Paulo.
No primeiro semestre do ano passado, ele realizou 68 cirurgias em que os pacientes confirmaram querer mudanças físicas focando melhores colocações profissionais. Desde janeiro, o número já chega a 122 operações.
O cirurgião plástico Wagner Montenegro, dono da clínica que leva seu nome, em São Paulo, diz que uma parcela considerável dos pacientes se submete à plástica quando pretendem trocar de empresa. “Eles vão para as entrevistas de emprego com uma postura diferente, mais seguros.” Segundo o especialista, uma de suas pacientes mudou três vezes de empresa em um ano por receber propostas cada vez melhores após a plástica.
Mostrar apreço por si próprio, com uma imagem de energia e motivação, é saudável. Mas para a psicóloga Adriana Gomes, coordenadora acadêmica da área de pessoas e do centro de carreiras da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirmar que a empregabilidade depende de uma mudança física pode ser desculpa. “A dificuldade atual das pessoas em se reconhecer no envelhecimento é absurda. Dizer que a plástica é por causa do trabalho disfarça o real desejo que é ser parte do modelo estético que se consome hoje.”
Montenegro exige que os pacientes passem pela psicóloga em sua clínica para identificar aqueles que possam estar obcecados com a imagem. “Barramos os que querem resolver insucessos profissionais com modificações estéticas.” Já Komatsu insiste com os pacientes sobre os riscos da anestesia e o incômodo do pós-operatório. “Infelizmente, tem quem acredite que uma plástica é como ir ao salão de beleza. Uma banalização que deve ser combatida.”
Boa aparência
A bolsa debaixo dos olhos vinha incomodando o publicitário Adolfo Tolosa, 49 anos. Diretor comercial de uma editora, resolveu se submeter a uma cirurgia plástica em junho do ano passado para retirada dessa gordurinha. “Lido com público e clientes. Não queria passar uma imagem que não corresponde ao que sou.”

O publicitário Adolfo Tolosa fez cirurgia plástica e afirma levar em consideração a aparência na hora de escolher um candidato (Foto: Daniel Teixeira/AE)
Tolosa diz que as bolsas passavam impressão de “cara de bêbado ou de sono”. Vaidoso, pensa em até o fim do ano levantar a pálpebra. Também frequenta academia, só usa roupa passada no mesmo dia e trata os pés com podóloga. “É importante se sentir bem e contagiar as pessoas com essa sensação. Ajuda até a melhorar o ambiente de trabalho.”
Ao escolher um profissional para uma vaga, o publicitário diz levar em consideração a aparência do candidato. “Não é discriminação. É uma questão do que será melhor para a empresa. Quem demonstra cuidado com a apresentação indica que sabe se organizar a ponto de ter tempo para si mesmo”, conta Tolosa. Para ele, quem está acima do peso, por exemplo, sempre vai parecer ter menos força de vontade.
Casos de preconceito com a aparência já foram presenciados pela secretária executiva Sandra Deco, 45 anos. “Em uma dinâmica de grupo, a coordenadora falou que a empresa se preocupava com o risco de um funcionário ficar doente. Ela falou olhando diretamente para uma moça obesa, que não foi selecionada”, afirma.

A secretária executiva Sandra Deco, que fez uma cirurgia na pálpebra, já presenciou preconceito durante uma seleção (Foto: Marcio Fernandes/AE)
Ciente de que a discriminação existe, inclusive em relação à idade, Sandra se cuida. Há pouco mais de dez anos, fez uma cirurgia na pálpebra. “Minha satisfação aumentou, coloquei mais energia no trabalho e fui promovida”, diz. Em maio, tirou também a bolsa na parte inferior dos olhos “para tirar o ar cansado”. Para ela, boa aparência significa organização e autoestima. E dentes, unhas, cabelo, maquiagem e roupa devem estar sempre impecáveis. “Até nisso a competição é acirrada.”
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