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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Cotação do real já reage à alta do IOF

Categoria: Tecnologia

Raquel Landim

Graças à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo federal conseguiu neutralizar, por enquanto, os efeitos sobre a taxa de câmbio da enxurrada de dólares jogada pelos Estados Unidos na economia mundial. O real se valorizou bem menos que outras moedas e descolou dos preços das commodities.

Ontem, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anunciou que vai comprar US$ 600 bilhões em títulos de longo prazo do governo americano para reativar a economia. Como a medida já era esperada desde o dia 21 de setembro, quando ocorreu a reunião anterior do Fed, os mercados reagiram com calma.

O dólar fechou ontem a R$ 1,6990 no mercado de balcão, uma queda de 0,47% em relação ao dia anterior, testando o nível de R$ 1,70 pela primeira vez em sete sessões. No entanto, desde que começaram as especulações sobre as medidas do Fed há seis semanas, o real acumula alta de apenas 1% em relação à moeda americana.

A perspectiva de novas medidas do Fed provocou uma desvalorização do dólar e elevou os preços das commodities nesse período. Em relação ao dia 21 de setembro, o dólar caiu 6,5% em relação ao euro. O CRB (Commodity Research Bureau, principal índice de preços de commodities) subiu 9,7%. Uma cesta formada pelas commodities exportadas pelo Brasil avançou ainda mais: 10,5%.

“A valorização do real foi menos significativa por causa da eficácia das medidas do governo. Países que não adotaram nenhum controle de capitais sofreram mais”, disse Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora. O dólar australiano, por exemplo, avançou 5,8% desde 21 de setembro e testou a máxima em relação ao dólar ontem.

As moedas de Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Noruega e Canadá estão entre as mais afetadas pela queda do dólar, porque esses países são grandes exportadores de commodities.

IOF

O Brasil elevou por duas vezes consecutivas o IOF, sua principal arma até agora na “guerra cambial”. No dia 4 de outubro, o imposto para o investimento em renda fixa subiu de 2% para 4%. O governo estava assustado com a queda do dólar, que bateu R$ 1,66 naquele dia.

O mercado achou a dose do remédio fraca e insistiu. O dólar chegou a R$ 1,65 já no dia seguinte (5 de outubro), nível mínimo atingido no período mais recente. Com o início das especulações de que o governo brasileiro adotaria medidas mais duras, a tendência começou a virar.

No dia 18 de outubro, o IOF para renda fixa subiu de novo, para 6%. O governo elevou ainda o IOF pago nas garantias para operar no mercado futuro de 0,38% para 6%. A pancada assustou os investidores e o real passou a oscilar perto de R$ 1,70.

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