Estado.com.br
Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014
Segurança
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Vigilante de prédio é morto em tiroteio

Categoria: Polícia

FABIANO NUNES

Um vigilante foi morto durante uma troca de tiros, em frente ao condomínio Sunset Hill, na Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, na zona sul de São Paulo, na manhã de ontem. Um dos suspeitos também foi morto. A Polícia Civil acredita que o tiroteio aconteceu após uma tentativa de assalto, mas não descarta a possibilidade de um acerto de contas. O vigia trabalhava armado com uma Magnum calibre 44, que é de uso restrito das Forças Armadas.

O crime aconteceu por volta das 8h40, em frente ao prédio, que fica na esquina da Avenida Giovanni Gronchi com a Rua Doutor Francisco Thomaz de Carvalho, conhecida como “Ladeirão do Morumbi”, onde há uma concentração de assaltos no bairro. Segundo a polícia, imagens do circuito interno mostram o vigilante José Aílson Xavier dos Santos, de 31 anos, falando com o motorista de um Gol bege, do lado de fora do prédio, quando dois homens chegaram a pé. “Pelas imagens parece que o assaltante foi direto no vigia e deu um tiro. Ele conseguiu reagir e atingir o criminoso. Em seguida o Gol vai embora e o comparsa foge. Não parece que eles vieram para assaltar o prédio”, relata o síndico do prédio, Antônio Carlos Pulga Rebello, de 69 anos.

Segundo a Polícia Civil, o vigilante levou um tiro no peito. Ele foi socorrido pela PM e levado até o Pronto Socorro do Hospital do Campo Limpo, mas não resistiu ao ferimento e morreu.

O suspeito, identificado como Pedro Carlos de Souza, de 26 anos, levou um tiro no peito e outro na cabeça e morreu no local. Ele era foragido da Colônia Penal de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e tinha passagens na polícia por roubo. Souza teve o benefício da “saidinha” em outubro, no Dia da Criança, e não retornou para o local.

Segundo o delegado Carlos Battista, titular do 89.º DP (Portal do Morumbi), o motorista do Gol, que foi embora do local após o tiroteio, será localizado para prestar esclarecimentos. “Pode ser que ele tenha só se assustado com a situação e ido embora, mas também pode ter alguma ligação com a ação dos criminosos. Estamos investigando”, afirmou. O delegado afirmou que a situação do vigilante era irregular. “Ele portava uma arma de calibre restrito para as Forças Armadas. A numeração não está raspada, mas ela é irregular. Não encontramos nenhum registro”, disse o delegado. O síndico do prédio disse que ficou surpreso ao saber que o vigilante trabalhava armado. “Ele foi contratado para ficar de vigia. Não imaginava que trabalhasse armado.”

Segundo a Polícia Civil, três vigilantes morreram no Morumbi este ano após reagirem a assalto. De acordo com o advogado Arles Gonçalves Júnior, presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB-SP, há um crescimento de vigilantes que trabalham armados irregularmente. “Isso está ocorrendo incentivado pelos índices de criminalidade que sobem e a ineficiência de combate da Polícia Militar.”

A PM disse que a Operação Colina Verde, realizada entre agosto e novembro no Morumbi para inibir a criminalidade, resultou na queda de 58% no número de roubos. Foram 77 casos registrados entre maio e agosto. No período da operação, caiu para 28.