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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Dinamite poderia colocar presídio abaixo

Categoria: Polícia

A Policia Civil de Franco da Rocha localizou e apreendeu 318 Kg de dinamite a cerca de 200 metros da Penitenciaria 3 (FOTO: JB NETO/AE)

ELVIS PEREIRA
CAMILLA HADDAD

Os 390 quilos de TNT gel encontrados pela polícia em um matagal a 200 metros da Penitenciária 3 de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, seriam suficientes para colocar o presídio abaixo, na avaliação de um especialista ouvido pelo Jornal da Tarde.

A Polícia Civil investiga se as 574 bananas do explosivo seriam utilizadas em uma tentativa de resgate na unidade. Policiais também analisam se os explosivos foram os mesmo roubados de uma pedreira em Jundiaí, na noite de 11 de novembro. Parte da carga levada pela quadrilha – detonadores e pavios com espoleta – foi recuperada dia 25 em Franco da Rocha e estava armazenada em sacos plásticos.

Até a noite desta terça-feira, 30, dois homens estavam sendo procurados pela polícia. A dupla foi vista por investigadores fugindo por volta das 20h de segunda-feira nas imediações da Rua Marcos Vinícius Donadel Goes, próximo à penitenciária e perto do local onde estavam os explosivos.

A carga foi descoberta, segundo a polícia, após uma ligação anônima que apontava o local onde estavam os explosivos. Quando os policiais chegaram à área indicada, muito escura, a dupla conseguiu correr em direção ao Parque Estadual do Juquery. Equipes ainda fizeram uma ronda na região mas não encontraram os suspeitos.

O investigador que atendeu a ocorrência diz que ficou preocupado com uma eventual explosão, que poderia causar a fuga em massa dos presos e por isso levou a carga para a delegacia. Após algumas horas, homens do Grupo Especial de Resgate (GER) analisaram o material encontrado mas disseram que os explosivos poderiam suportar um transporte bruto e não poderiam ser detonados sem o auxílio de espoletas.

Agentes penitenciários associados ao Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) disseram que, apesar de não existir presos de alta periculosidade em Franco da Rocha, localizar explosivos nas imediações de uma penitenciária é motivo de preocupação.

As bananas em gel, produzidas pela indústria Britanite-IBQ, deveriam ser retiradas ainda nesta terça-feira, 30, da delegacia. “Encontramos os explosivos numa viela no meio do mato”, afirma o delegado titular da cidade Luis Roberto Faria Hellmeister.

Na área da apreensão fica, além da Penitenciária 3 de Franco da Rocha, um Centro de Detenção Provisória. A empresa que foi vítima de roubo de uma carga de dinamite igual a encontrada em Franco da Rocha, em Jundiaí, não foi localizada para confirmar se a carga é a mesma levada pelos ladrões.

Procurada, a Britanite-IBQ não havia respondido às perguntas enviadas pela reportagem até o fechamento desta edição. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) foi procurada mas informou que não poderia comentar o caso, já que a apreensão do material explosivo ocorreu do lado de fora da Penitenciária 3 de Franco da Rocha.

Presos

A Penitenciária de Franco da Rocha já abrigou presos conhecidos e teria, atualmente, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) – homens que estão abaixo dos líderes. Em junho deste ano, policiais prenderam Anderson José da Silva, de 30 anos. Ele é acusado de ser o líder de um roubo a joalheria Tiffany & Co, no Shopping Cidade Jardim, na zona sul de São Paulo.

Segundo a polícia, Silva era foragido da Penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Eduardo Rodrigues do Nascimento, o Eduardinho, de 28 anos, preso em maio, também esteve no mesmo cárcere. Ele é acusado de ter participado da morte do policial militar Paulo Raphael Ferreira Pires, de 27 anos, em 18 de abril, na cidade do Guarujá, na Baixada Santista. Nenhum dos dois está mais na unidade.

Colaborou Bruno Lupion

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