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Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
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Passageiro vive dia de fúria na Linha 5 do Metrô

Categoria: Geral, Polícia

CAIO DO VALLE

Um passageiro da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo viveu ontem um dia de fúria. O homem de 33 anos viajava com a irmã no sentido Largo Treze, por volta das 6h50, quando, de repente, sem motivo aparente, deu um tapa no rosto de um usuário, dentro do trem.

Segundo a polícia, ele apresentava “claros sintomas de desequilíbrio mental”. Imobilizado por outras pessoas, P.L.S. foi colocado para fora do vagão na Estação Campo Limpo, na zona sul. Na plataforma, o “surto” continuou. De acordo com o boletim de ocorrência, “muito descontrolado”, o homem “desferiu socos e pontapés” na porta de vidro do quadro de força.

Uma das lâminas do equipamento ficou com um buraco. Em seguida, o passageiro enfurecido andou até a caixa do hidrante, a quase 15 metros de distância, e a vandalizou. A proteção de vidro foi quebrada. A agente administrativa Jessica Vieira, de 20 anos, presenciou a situação da plataforma oposta.

Ela disse que houve muitos gritos, além de empurra-empurra. “Na correria, teve gente que correu até a passarela de manutenção dos trilhos, onde não é permitido entrar”, conta. A ocorrência foi na altura do último carro do trem. “As pessoas dos outros vagões correram quando viram as que estavam no último saírem rápido e gritando.”

Jessica, que se dirigia até a vizinha Estação Capão Redondo, afirmou que a parada já estava bastante cheia no momento da confusão. “Muita gente ficou bastante assustada. No começo, tinha quem achasse que era assalto.”
Os seguranças do Metrô conseguiram conter o passageiro e o caso foi registrado na Delegacia do Metropolitano (Delpom), na Estação Palmeiras-Barra Funda da Linha 3- Vermelha.

Aos policiais, a irmã do autor dos golpes informou que ele toma medicamentos controlados e está se submetendo a um tratamento psiquiátrico. O episódio foi registrado como lesão corporal e dano qualificado. Em nota, o Metrô informou que o usuário “com problemas psicológicos” foi levado à delegacia, mas não revelou se ele foi imediatamente liberado. O rapaz atingido pelo tapa no trem não chegou a prestar queixa, mas passa bem.

No texto enviado pela assessoria de imprensa do Metrô, foi relatado que o único dano sofrido pela estação foi o vidro do hidrante, o que não condiz com o que a reportagem encontrou no local.

Reparos
No início da noite, os dois pontos da Estação Campo Limpo que foram quebrados pelo rapaz que surtou continuavam isolados com pedestais e fitas plásticas. A porta de vidro do hidrante foi removida, deixando a mangueira de incêndio completamente exposta. Já a caixa de força permanecia com uma portinhola quebrada. Não foi informado quando esses materiais serão reparados, nem o valor da substituição.

Aluna da USP é baleada

Categoria: Polícia

Por Camilla Haddad, Pedro Rocha e Ricardo Valota

Poucos após sair da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste da capital, a estudante do 3º ano de biologia Camila Bassi Fernandes da Silva, de 22 anos, foi baleada no rosto por assaltantes, na noite de anteontem. Ela foi atacada na Avenida Escola Politécnica, a cerca de 4,5 quilômetros da Universidade de São Paulo (USP). A jovem pode ter sido vítima de bandidos que antes agiam no câmpus. A Polícia Militar informou ontem, por nota, que identificou a migração de criminosos da universidade para áreas vizinhas.

Camila dirigia um Meriva e seguia para casa, em Cotia, Grande São Paulo, quando foi atacada por três ladrões. Depois de balear a estudante, eles fugiram sem levar nada. Na noite de ontem, parentes da estudante informaram que ela perdeu a visão do olho direito devido aos ferimentos. Ela está internada no Hospital das Clínicas, onde, na tarde de ontem, foi submetida a cirurgia por um oftalmologista e um cirurgião plástico.

O patrulhamento dentro da USP ganhou reforço a partir do fim de maio, logo após o assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 25 anos, por assaltantes, dentro do câmpus. Duas semanas após o crime, a PM identificou a migração dos criminosos para vias no entorno da universidade. Ontem, a corporação revelou que foi identificado uma segunda migração. Desta vez em um raio maior, a cerca de 4,5 quilômetros da USP. Em toda a extensão da via onde Camila foi atacada ocorreram desde janeiro 51 roubos de carro, contra 45 em igual período do ano passado.

Eram 23h10 quando Camila parou no semáforo na altura do número 4.600 da avenida, ao lado de um matagal. Três homens armados se aproximaram e anunciaram o assalto. Ela tentou fugir acelerando e um dos bandidos deu três tiros. Uma das balas atingiu o olho da jovem. As outras, o carro.

O local onde a estudante foi cercada pelo trio fica perto da entrada do condomínio Parque dos Príncipes, próximo à Rodovia Raposo Tavares. Mesmo baleada, ela conseguiu telefonar para a mãe. Neste momento, o estudante de economia Tiago Lacerda do Nascimento, de 26 anos, passava por ali. O rapaz viu o Meriva parado com o pisca-alerta ligado e estranhou. “Assumi o volante do carro e segui para o hospital. Um caminhoneiro me ajudou, indo na frente e indicando o caminho.”

Ele levou a vítima ao Hospital Municipal Professor Mário Degni, próximo ao local do crime. Os dois conversaram no trajeto. Camila sangrava muito. De lá, ela foi para o Hospital das Clínicas.

O gráfico Carlos Fernandes da Silva, de 44 anos, pai da estudante, afirmou que, na noite de anteontem, a filha havia saído da rotina. “Normalmente ela volta para casa de carona com uma colega da USP para ter companhia e segurança. Mas na quinta-feira, por causa do estágio e por ter se atrasado, resolveu ir de carro.”

Silva estava inconformado. “Investi minha vida inteira nos estudos da minha filha. Ele quer estudar genética para salvar vidas. Então vem alguém e quase destrói todo esse esforço”, disse. “Os políticos fazem muito pouco pela segurança pública. Mas quero avisar: do jeito que está, amanhã pode ser o filho de um deles.” A ocorrência é investigada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).