Passageiro vive dia de fúria na Linha 5 do Metrô
- 17 de julho de 2012 |
- 23h05 |
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CAIO DO VALLE
Um passageiro da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo viveu ontem um dia de fúria. O homem de 33 anos viajava com a irmã no sentido Largo Treze, por volta das 6h50, quando, de repente, sem motivo aparente, deu um tapa no rosto de um usuário, dentro do trem.
Segundo a polícia, ele apresentava “claros sintomas de desequilíbrio mental”. Imobilizado por outras pessoas, P.L.S. foi colocado para fora do vagão na Estação Campo Limpo, na zona sul. Na plataforma, o “surto” continuou. De acordo com o boletim de ocorrência, “muito descontrolado”, o homem “desferiu socos e pontapés” na porta de vidro do quadro de força.
Uma das lâminas do equipamento ficou com um buraco. Em seguida, o passageiro enfurecido andou até a caixa do hidrante, a quase 15 metros de distância, e a vandalizou. A proteção de vidro foi quebrada. A agente administrativa Jessica Vieira, de 20 anos, presenciou a situação da plataforma oposta.
Ela disse que houve muitos gritos, além de empurra-empurra. “Na correria, teve gente que correu até a passarela de manutenção dos trilhos, onde não é permitido entrar”, conta. A ocorrência foi na altura do último carro do trem. “As pessoas dos outros vagões correram quando viram as que estavam no último saírem rápido e gritando.”
Jessica, que se dirigia até a vizinha Estação Capão Redondo, afirmou que a parada já estava bastante cheia no momento da confusão. “Muita gente ficou bastante assustada. No começo, tinha quem achasse que era assalto.”
Os seguranças do Metrô conseguiram conter o passageiro e o caso foi registrado na Delegacia do Metropolitano (Delpom), na Estação Palmeiras-Barra Funda da Linha 3- Vermelha.
Aos policiais, a irmã do autor dos golpes informou que ele toma medicamentos controlados e está se submetendo a um tratamento psiquiátrico. O episódio foi registrado como lesão corporal e dano qualificado. Em nota, o Metrô informou que o usuário “com problemas psicológicos” foi levado à delegacia, mas não revelou se ele foi imediatamente liberado. O rapaz atingido pelo tapa no trem não chegou a prestar queixa, mas passa bem.
No texto enviado pela assessoria de imprensa do Metrô, foi relatado que o único dano sofrido pela estação foi o vidro do hidrante, o que não condiz com o que a reportagem encontrou no local.
Reparos
No início da noite, os dois pontos da Estação Campo Limpo que foram quebrados pelo rapaz que surtou continuavam isolados com pedestais e fitas plásticas. A porta de vidro do hidrante foi removida, deixando a mangueira de incêndio completamente exposta. Já a caixa de força permanecia com uma portinhola quebrada. Não foi informado quando esses materiais serão reparados, nem o valor da substituição.
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Rapper acusa vigias do Metrô de agressão
- 26 de outubro de 2011 |
- 23h23 |
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Categoria: Polícia
Por Caio do Valle
O rapper e ativista cultural William Oliveira Santos, conhecido como Preto Will, de 25 anos, acusou de racismo e agressão corporal dois seguranças do Metrô. Ele afirma ter sido vítima de ambos os crimes na Estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás, zona sul. O caso, registrado no 37.º Distrito Policial, que fica no mesmo bairro, ocorreu na tarde de anteontem. O músico diz ter sofrido uma luxação no braço esquerdo ao ser puxado pelos agentes.
De acordo com Santos, um dos seguranças – que se vestem com uniforme escuro e, por determinação legal, têm poder de polícia – começou a encará-lo sem nenhum motivo assim que ele passou pela catraca. “Ele estava olhando para mim de um jeito intimidador. Perguntei para ele se tinha algum problema, se tinha alguma coisa para me falar. Quando ele falou que não, eu disse que não precisava ficar olhando para mim com cara de peixe morto.”
Santos, então, subiu a escada que dá acesso à plataforma da estação. Chegando lá, já falando ao celular com uma amiga, o músico foi abordado pelo segurança, que, então, estava acompanhado de outro agente. “Eles chegaram falando para eu desligar o telefone.”
Em seguida, teriam feito uma revista em Santos e, de acordo com ele, começado a puxá-lo pelos braços. “Eu falei que eles estavam me machucando, mas um deles disse ‘F…, eu não me importo’.” Nesse momento, o mesmo agente que encarou o rapper na entrada, teria afirmado: “É, negão, agora você vai dar um rolê de busão. De metrô, você não vai mais.”
Com um segurança de cada lado, Santos foi levado para fora da estação, mesmo tendo pago passagem.
Do lado de fora da estação, Santos acionou a Polícia Militar, que o orientou a registrar um boletim de ocorrência. Ele fez ontem o exame de corpo de delito.
Toda a ação ocorreu em um ambiente monitorado por câmeras de circuito interno. As imagens, diz Santos, vão ajudá-lo a comprovar a sua versão dos fatos. O rapper afirma que, em nenhum momento, ofereceu resistência ou demonstrou ameaças que justificassem ter sido agredido pelos dois agentes do Metrô. “É nítido que foi preconceito em relação à minha cor e à roupa que eu vestia.”
Ele pretende abrir um processo por ter sido vítima de racismo e agressão física e psicológica. Na versão dos agentes, o rapper teria dito palavras de baixo calão.
Em nota, o Metrô informou que as versões são diferentes e que vai aprofundar o esclarecimento dos fatos “com rigor e rapidez” e que o boletim de ocorrência “não registra nenhuma acusação sobre racismo”. O Metrô disse ainda que “vai apurar” se irá se retratar de alguma maneira devido ao incidente.
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