Estado.com.br
Sábado, 25 de Outubro de 2014
Segurança
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Casal é preso com drogas e arma em SP

Categoria: Polícia

Um casal de namorados foi detido, na noite de quinta-feira 5, na região do Campo Limpo, zona sul da capital paulista, com várias drogas, entre elas o oxi – uma versão do crack bem mais forte e potencialmente letal – e uma pistola 9 mm, calibre de uso exclusivo das Forças Armadas. Em patrulhamento, PMs abordaram o casal na rua Cardoso Moreira, no Jardim Olinda, e vistoriaram uma bolsa, da mulher, mas que estava em poder do namorado.

Além da arma, a dupla carregava 199 cápsulas plásticas contendo cocaína, 50 trouxinhas de maconha e um tijolo de meio quilo de Oxi, uma droga nova no mercado paulistano, feita a base de pasta de cocaína, cal virgem, querosene e/ou gasolina, e que já circula pela região conhecida como cracolândia, no centro da capital, e é vendida por preço médio de R$ 2, bem mais barato que o crack, cuja pedra sai por R$ 8 e até R$ 10. O caso foi registrado no 37º Distrito Policial, do Campo Limpo.

Diferença – A diferença do oxi para o crack está na composição. Para transformar o pó da cocaína em pedra de crack, usa-se o bicarbonato de sódio e o amoníaco. Já o oxi, com o objetivo de baratear os custos – e atingir um número maior de usuários -, leva querosene e cal virgem, substâncias corrosivas e extremamente tóxicas.

Segundo especialistas no combate ao e no tratamento de dependentes químicos, Oxi chegou ao país há cerca de 6 anos pelo Acre e pelo Amazonas, nas regiões das fronteiras com Bolívia e Colômbia. Já há registro de mortes no Piauí. A Fundação Oswaldo Cruz já prepara um mapeamento da droga no território nacional.

Forças Armadas aumentarão presença no Rio

Categoria: Geral, Polícia

Tânia Monteiro

Apesar da greve dos aeroviários e aeronautas prevista para esta quinta-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou sua presença no Rio de Janeiro para, ao lado do comandante do Exército, general Enzo Peri, assinar o convênio de trabalho para a ocupação dos Complexos do Alemão e da Penha, com o governador Sérgio Cabral.

Os militares já estão no morro e na noite passada vivenciaram os primeiros confrontos com os bandidos, com quem trocaram tiros. Com a ida de Jobim ao morro e a assinatura do convênio será dado início à segunda etapa da operação das Forças Armadas nos morros, agora denominada força de pacificação, quando o Exército atuará também como polícia. Até então, eles estavam lá em missão de cerco a área.

Neste convênio estarão determinadas as áreas exatas de pacificação onde os militares vão atuar, para evitar qualquer tipo de problema jurídico. No acordo constará também os parâmetros do trabalho na área de pacificação. Com isso, não será admitido que policiais militares ou civis do Rio entrem na área que estará sob o comando do Exército no policiamento de pacificação. As Forças Armadas temem que alguns destes policiais que ajudam ao tráfico atuem no local, atrapalhando seu trabalho. Por isso, a decisão é de impedir a entrada de terceiros na área de pacificação.

No acordo estarão estabelecidas também os compromissos do governo do estado do Rio com as melhorias que serão feitas na área a ser pacificada para benefício da população. Este compromisso é considerado fundamental pelos militares para que a população veja que o Estado, de fato, estará ali presente definitivamente e que aquele apoio à área não é apenas momentâneo. O acordo não estabelecerá um prazo de atuação das Forças Armadas nos morros do Rio. A ideia da Defesa é avaliar a situação a cada 30 dias.

A presidente eleita, Dilma Rousseff, nas conversas que tem mantido com as Forças Armadas tem ressaltado a importância das tropas federais nos morros do Rio porque entende que o Estado precisa dar uma resposta ao mundo, mostrando que é capaz de promover ali qualquer tipo de evento. Dilma também estava preocupada com a possibilidade de contaminação da tropa pelo crime organizado e reiterou por diversas vezes que a presença das Forças Armadas nos morros é um fato episódico por entender que o Exército não pode ser usado como polícia.

Pelo menos cerca de dois mil homens permanecerão nos complexos do Alemão e da Penha, em uma primeira etapa, todos integrantes da Brigada de Paraquedista, sediada no Rio. Em um segundo momento, serão usados no policiamento pacificador dos morros, os militares da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada. Só depois a Defesa recorrerá a pessoal dos outros estados, começando com São Paulo.

Complexo do Alemão é tomado por policiais

Categoria: Polícia

“Todas as casas serão revistadas. Beco por beco, buraco por buraco”, afirmou o comandante geral da PM Mario Sergio Duarte, no complexo do Alemão, na Grota. Segundo ele, ninguém foi baleado, mas ainda não é possível fazer um balanço da operação.

Sergio Moraes/Reuters

Sergio Moraes/Reuters

O delegado Rodrigo de Oliveira, comandante da operação, disse que a área já está em poder da polícia. Apesar de ter enfrentado dificuldades no início, Oliveira disse que os policiais “furaram o bloqueio”. Durante a operação, policiais ocuparam a casa do traficante Pezão (veja foto abaixo), considerado um dos chefes do tráfico, que está foragido.

“Agora é um trabalho de paciência e não temos hora pra sair”, disse ainda sobre o controle dos pontos estratégicos nos morros. De acordo com o comandante, foram vistos rastros de sangue onde os traficantes estariam, o que indica que pode haver pessoas feridas.

Operação. A polícia começou a subir no Complexo do Alemão pouco antes das 8 horas da manhã deste domingo, 28. Segundo a polícia, muitos traficantes se refugiaram no topo do morro, onde é possível ter uma vista melhor da operação.

Mais cedo, às 6h40, traficantes e policiais voltaram a trocar tiros nos dois lados da favela da Grota.  Os moradores estão sendo abrigados em um galpão localizado na entrada do morro da Grota. 

Helicópteros da polícia fazem voos rasantes e os caveirões da polícia já ocupam o morro. O veículo conhecido como ‘Cascavel’, um blindado do exército, e os blindados da Marinha também ocuparam a favela. Assim como aconteceu na Vila Cruzeiro, a invasão só foi possível por conta do uso dos veículos das Forças Armadas, que conseguem ultrapassar as barricadas organizadas pelos traficantes.

Fazendinha. Aos gritos de “caveira”, um grupo de 30 homens do Bope avançou pela Rua Canitar, principal acesso da Fazendinha, no Complexo do Alemão. Eles seguem a pé pela comunidade com o apoio de um caveirão da PM e de um blindado da Marinha. O local está tomado por dezenas de policiais e militares e muita pouca gente se aventura a sair.

Alguns moradores acompanham a movimentação das tropas de suas janelas tentando ao mesmo tempo se esconder de uma possível bala perdida. O clima é tenso, mas as forças policiais demonstram confiança na ação. Alguns soldados do Exército comentam entre si que gostariam muito de participar das ações de um modo mais efetivo e lamentam que o papel deles seja apenas de contenção e cerco.

Moradores

 Embora muito apreensivos, os moradores assistem com curiosidade à investida da polícia. “Estou achando muito legal. Já deviam ter feito isso faz tempo”, disse uma moradora.

Apesar da aprovação da maioria, há moradores que reclamam de abuso policial. A atendente Flavia Gomes, de 28 anos, por exemplo, conta que sua irmã de apenas 14 anos está detida em um ônibus da polícia desde as 23 horas da noite de ontem.

Mesmo já tendo sido levada para delegacia e tendo sua ficha limpa confirmada, ela ainda não foi liberada. “Concordo com a ação da polícia. Mas não acho que eles podem deter quem devia ser liberado”, disse Flavia. De acordo com ela, a irmã mais nova foi detida quando caminhava com o cunhado durante a noite.

Uma dona de casa, Ana Paula da Silva, de 30 anos, estava com uma criança de 3 meses e tentou levar alimento para a mãe que vive no Complexo do Alemão, mas foi impedida por policiais de subir o morro.

Segundo Ana Paula, há três dias, os alimentos da mãe estavam no fim e por isso foi levar mais mantimentos até o local onde ela mora. “Cheguei às 6 da manhã e os policiais não me deixaram subir. Se não fosse o tiroteio, teria subido antes”, explica Ana Paula.

De acordo com os policiais, os moradores não poderão retornar para suas casas até que a situação esteja resolvida. Pois, caso alguma vítima seja baleada, o planejamento da operação pode ser totalmente alterado.

Madrugada

Durante a noite, a situação no Complexo do Alemão foi de calmaria. Não houve conflitos e nem trocas de tiros e nenhum criminoso se rendeu.

Forças Armadas usam tanques contra traficantes

Categoria: Polícia

Depois de cinco dias de confrontos no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou 800 homens do Exército para o Rio, além de mobilizar Aeronáutica, Marinha e Polícia Federal (PF). Ontem, em operação policial sem precedentes, com apoio de blindados da Marinha, a polícia ocupou a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, zona norte do Rio, após 40 horas de intenso tiroteio.

Veja imagens do confronto no Rio

O Exército vai garantir a proteção das áreas que forem ocupadas pelas polícias. Além disso, foram enviados dois helicópteros da Aeronáutica e mais dez blindados das Forças Armadas, equipamentos de comunicação e óculos de visão noturna. Pelo menos 300 homens da PF vão atuar no Estado nos próximos dias.

Dois dias de conflito na Vila Cruzeiro, quartel-general do Comando Vermelho, já deixaram 29 feridos e 4 mortos. Em toda a cidade, os confrontos entre bandidos e forças policiais resultaram em pelo menos 35 mortes desde domingo. Somente ontem 30 carros foram incendiados. À tarde e à noite, houve ataques em outras partes da cidade.

A ocupação na Vila Cruzeiro mobilizou 510 policiais militares e civis e 70 fuzileiros navais, que ajudaram a operar os blindados da Marinha, equipados com metralhadoras .50. Foram eles que permitiram a polícia ultrapassar as barricadas montadas por traficantes. O espaço aéreo chegou a ser fechado pela amanhã, para facilitar a invasão. A ação assustou moradores e criminosos – até à noite, o número oficial de mortos e feridos não havia sido divulgado.

O subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, reconheceu que vários criminosos fugiram para a favela vizinha. “O que acontece é que há uma rota de fuga difícil de alcançar”, explicou Oliveira, referindo-se às imagens do helicóptero da TV Globo, que mostraram ao vivo a fuga em massa da Vila Cruzeiro para o Morro do Alemão pela Serra da Misericórdia. Segundo ele, hoje a Polícia voltará à Vila Cruzeiro para checar “diversos objetivos”.

Pela manhã, a chegada dos primeiros seis blindados da Marinha interrompeu o tráfego de veículos na Avenida Brás de Pina, uma das principais da Penha. Segundo a Marinha, foram empregados na operação seis veículos blindados M-113, quatro carros-lagarta anfíbios e três viaturas Piranha, para transporte de tropas. “Virou uma guerra civil”, disse a recepcionista Monique Gama, de 30anos.

Os blindados entraram no Complexo da Penha pela Rua Cajá, para acessar o Morro da Chatuba; pela Nossa Senhora da Penha para entrar na Vila Cruzeiro; e utilizaram o Parque Xangai para invadir a Favela da Merendiba. Os blindados da Marinha foram recebidos a tiros pelos traficante. Barulhos de explosões e bombas foram seguidos de colunas de fumaça.

Bombeiros acham arsenal em apartamento

Categoria: Polícia

Bombeiros chegaram ao local por acaso, após vizinhos sentirem cheiro de gás no local (Reprodução: J.B. Neto/AE)

Bombeiros chegaram ao local por acaso, após vizinhos sentirem cheiro de gás no local (Reprodução: J.B. Neto/AE)

Leandro Calixto

Edmilson Nunes Júnior, de 32 anos, foi preso em flagrante nesta segunda-feira, 5, por manter em seu apartamento no bairro do Aclimação, região central da capital, um arsenal com forte poder de fogo. A quantidade de armamentos era tão grande que nem o fato de Nunes ter registro de colecionador de armas no Exército o livrou da prisão.

Um fuzil e uma submetralhadora, além de outros armamentos de uso restrito das Forças Armadas, foram apreendidos. A polícia suspeita ele alugava as armas para quadrilhas especializadas em assaltos a caixas eletrônicos de bancos de São Paulo e também da Baixada Santista.

O acusado também será investigado por suposta ligação com a facção criminosa Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. Apenas uma das armas apreendidas no apartamento – em um edifício de classe média na Rua Bueno de Andrade, 706 – não tinha registro.

A polícia chegou às armas por acaso. Moradores do mesmo andar do acusado sentiram um forte cheiro de gás na noite de domingo, 4, e chamaram o Corpo de Bombeiros. Quando conseguiram entrar no apartamento 213, no 21 andar, os bombeiros se surpreenderam ao encontrar o arsenal.

Entre as armas havia um fuzil de uso restrito, calibre 7.62, de fabricação chinesa, avaliado no mercado negro em até R$ 40 mil. Também foi localizada a réplica de uma submetralhadora israelense, uma carabina americana calibre 44, sete pistolas automáticas 6.35, um revólver calibre 38, além de carregadores de pistolas e várias munições. Com exceção de uma das pistolas, todas as armas têm registro junto ao Exército Brasileiro.

Não bastasse o arsenal, também foram encontrados no apartamento dois cilindros de gás, dois maçaricos, dois pés de cabra, 52 celulares e R$ 150 mil em dinheiro e cheques.

“Ele disse que é apenas colecionador de armas. Mas achamos estranho uma pessoa manter tudo isso em uma casa. É um verdadeiro kit de arrombamento. Acreditamos que ele possa alugar essas armas para algumas quadrilhas especializadas em roubo a caixas eletrônicos”, diz o delegado do 5º DP (Aclimação), Renato Felisone.

Edmilson Nunes Júnior teve passagem pela polícia no início do ano. Ele foi acusado de ter participado de um assalto a banco na Baixada Santista, mas como um outro homem assumiu o crime, acabou sendo liberado. No apartamento do suspeito, foram encontrados duas carteiras de identidade: uma falsa e outra verdadeira.

A polícia não tem dúvidas de que o apartamento de classe média foi utilizado como depósito de armas porque não iria chamar a atenção. Nos últimos meses, o acusado não vivia mais com a mulher e nem com o filho no local. “Ele disse que morava em outro lugar, mas não falou em qual”, completou o delegado. Edmilson dever ser transferido nesta terça-feira para algum CDP.

Vizinhos

O acusado de manter em seu apartamento um potente arsenal era visto por vizinhos como um homem “briguento”. “Ele brigava muito com a mulher. Era grito e chute de portas. Muitas vezes, tive que ligar para o síndico para avisar sobre o comportamento dele”, disse uma mulher que não quis se identificar, moradora no mesmo prédio de Edmilson Nunes Júnior.

Embora tivesse fama de encrenqueiro, Nunes era bastante reservado. Praticamente não falava com os moradores do edifício. “E ultimamente, ele nem estava vivendo por aqui. Vinha apenas de vez em quando”, completou um outro morador.

O fato de Nunes sempre subir de elevador carregando caixas de papelão provocava desconfiança nos vizinhos. “Era estranho mesmo. Agora, ao saber de todo esse escândalo, a gente vê o risco que corria”, disse uma outra vizinha. “Bandido burro é aquele que larga as coisas de qualquer jeito. Foi o caso de Edmilson”, afirmou a mesma moradora. O valor de mercado de um apartamento igual ao de Edmilson é de cerca de R$ 250 mil.

O QUE FOI APREENDIDO

- Um fuzil calibre 7.62 mm de fabricação chinesa
- Sete pistolas automáticas 6.35, seis delas registradas
- Uma réplica de uma submetralhadora Uzi israelense 9 mm
- Um revólver calibre 38
- Uma carabina americana calibre 44
- Botijões de gás, dois maçaricos, dois pés de cabra, dois radiocomunicadores e 52 celulares 

- R$ 150 mil em dinheiro e cheques no apartamento