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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014
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Segurança mata cliente em banco

Categoria: Polícia

Por Camilla Haddad

O corpo do fiscal Sandro Cordon Antônio, de 33 anos, será enterrado na tarde desta terça-feira, às 14 horas, no Cemitério Vila Formosa II, na zona leste de São Paulo, onde está sendo realizado o velório.Ele foi morto ontem, com quatro tiros disparados pelo vigia pelo vigilante Jônatas Pereira Lima, de 29, na agência bancária do Bradesco,  em São Bernardo do Campo, no Grande ABC paulista.  Uma discussão que começou na sexta-feira, 30, na porta da instituição, motivou o crime.

O vigia  foi preso em flagrante por homicídio doloso (quando há intenção de matar). No momento do crime, ele portava um revólver calibre 38 da empresa que faz a segurança do banco.

Cordon entrou no banco com um amigo às 10h15, fez um saque em um dos caixas internos no valor de R$ 200 e depois perguntou onde estava Lima para um dos funcionários. Segundo o delegado titular do 1.º Distrito Policial, Victor Vasconcellos Lutti, Cordon descobriu que o segurança com quem ele tinha se desentendido há três dias estava no primeiro andar.

Ele então seguiu até lá com uma mochila contendo alguns papéis. Os dois discutiram e brigaram rapidamente. Segundo a versão do segurança, dada ao delegado e aos policiais militares, Cordon fez menção de estar armado. Por isso houve o primeiro disparo na altura da barriga da vítima. O segurança disse também que, mesmo baleado, o cliente pegou uma funcionária do banco para se proteger. Ela conseguiu fugir e correu.

De acordo com o delegado, logo após isso acontecer, Cordon tentou fugir da agência e o segurança fez mais três disparos que atingiram as costas da vítima. Câmeras do circuito interno do banco mostram toda a ação e o momento exato que o segurança se posiciona para dar os outros três tiros. Cordon morreu no local.

O amigo dele, que também prestou depoimento à polícia, disse que não presenciou os tiros, pois parou para amarrar o tênis na escada do banco que dá acesso ao primeiro andar.

Após os disparos, houve pânico na agência. A vendedora Edna Alves Maria Alves, de 35 anos, contou que as pessoas foram obrigadas a deitar no chão e depois foram revistadas durante 20 minutos. “Travaram as portas de saída do banco. As pessoas estavam chorando em desespero.” A vendedora chegou a ver Cordon na fila antes de sua morte. “Ele não parecia que iria fazer nada. Estava na fila, bem arrumado e me perguntou de senhas, depois subiu. Só achei estranho que ele usava chineles e tinha as unhas sujas.” Com medo, lojistas baixaram as portas.

Em nota, o Bradesco informou que “lamenta profundamente a perda e presta total solidariedade aos familiares”. A Protege, empresa que o segurança trabalha, lamentou o ocorrido e informou que todos os seus vigilantes são qualificados, selecionados e treinados, conforme estabelece a legislação específica da atividade de segurança privada.

A família do segurança, que mora na zona leste da capital, não foi localizada pela reportagem. Colegas de trabalho de Lima disseram que o funcionário trabalha no banco há seis meses e nunca apresentou comportamento alterado no horário de expediente.