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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
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Remédio roubado leva risco à população

Categoria: Polícia

Um esquema de desvio de remédios de hospitais públicos e particulares de São Paulo, comandado de dentro de um presídio da capital, colocou em risco a saúde de pacientes de todo o País. O alerta foi feito ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) após ele anunciar a prisão de 11 pessoas de uma quadrilha que desviou R$ 10 milhões em medicamentos. Ele diz que os remédios furtados podem não estar em locais com refrigeração adequada, comprometendo o tratamento de doenças graves como o câncer.

Na casa de um dos detidos, por exemplo, foram localizados remédios de alto custo para tratamento oncológico em uma geladeira – onde havia diversos tipos de comida e bebidas. O correto era estar em temperatura entre 3 e 9 graus.

O médico Carlos Chiattone, diretor da Associação Brasileira de Hematologia e de Hemoterapia (ABHH), confirma o risco. “Uma pessoa capaz de ter uma atitude como essa não vai ter nenhum critério no sentido de preservar os medicamentos.” O MabThera, por exemplo, é um produto biológico que precisa de temperaturas e condições ambientais adequadas para a preservação. Sem isso, perde o efeito biológico e pode ser até prejudicial.

As pessoas que observarem inscrições de “proibida a venda ou comercialização do medicamento” na caixa dos remédios podem fazer denúncias no site da Corregedoria Geral da Administração, no  www.corregedoria.sp.gov.br). A operação que desbaratou o bando, ontem, foi feita pelo Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Polícia Civil e Corregedoria Geral.

Foram cumpridos 12 mandados de prisão temporária e 16 de busca e apreensão em São Paulo, São Caetano, Itaquaquecetuba (os dois na Grande São Paulo), Praia Grande (Baixada Santista) e no Rio de Janeiro. O corregedor Gustavo Ungaro explicou que as investigações começaram há seis meses, após denúncia anônima ao Gaeco. Segundo ele, os remédios eram desviados dos hospitais com a ajuda de funcionários. Depois, eram revendidos a farmácias e distribuidoras de remédios.

Entre os acusados está Stefano Mantovani Fernandes, apontado pela polícia como o chefe do bando. Condenado pelo mesmo crime, ele está preso no Centro de Detenção Provisório de Pinheiros, zona oeste, de onde dava as coordenadas para o grupo por celular. Também foi detida Eliane Assunção de Siqueira, farmacêutica do Hospital Brigadeiro, ligado ao Governo do Estado; Fernando Rocha da Silva, funcionário do Hospital Samaritano. Segundo policiais, há envolvimento de funcionários do Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer (IBCC), entre eles Sidnei Dias, preso ontem.

O delegado Anderson Giampaoli diz que na capital uma farmácia na Rua 13 de Maio vendia esses medicamentos. O dono foi preso.

O Hospital Samaritano afirmou desconhecer o envolvimento de funcionários no desvio de medicamentos. O Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), que não recebeu notificação oficial sobre o caso. A Secretaria de Estado da Saúde afirmou que participou e ajudou nas investigações.

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