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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Policiais são acusados de sequestrar sacoleiros

Categoria: Polícia

Vista da rua Doutor Soares Gouveia, no Carandirú, próximo ao Deic, onde os policiais mantiveram os dois ônibus sequestrados (Foto: JF Diorio/AE)

 

BRUNO LUPION
JOSMAR JOZINO

A Corregedoria da Polícia Civil procura quatro investigadores acusados de sequestrar dois ônibus com sacoleiros vindos do Paraguai e de exigir R$ 100 mil para não os prender por descaminho no dia 28 de junho. A Justiça decretou a prisão dos policiais. Eles estão foragidos desde quarta-feira, 2, e, segundo o Ministério Público Estadual (MPE), cometeram crime de extorsão mediante sequestro e “traíram a confiança do povo paulista”.

Segundo a corregedoria, o sequestro foi arquitetado pelo investigador Valmir Carvalho Leite, da 1ª Delegacia de Crimes contra a Propriedade Imaterial do Deic. O delegado Renato Francisco de Camargo Mello, da Divisão de Operações Especiais (DOP) da Corregedoria, apurou que em junho, mesmo em férias, Leite mantinha contato com um informante dentro dos ônibus e convidou três colegas do Deic para armar o cerco e extorquir os sacoleiros.

Leite já era investigado por suposto envolvimento com uma quadrilha de policiais civis que cobra propina de comerciantes da Feira da Madrugada, no Brás, região central, e estava com o telefone grampeado graças à autorização judicial. Em uma das interceptações, o informante, conhecido como Surfista, comunica ao investigador a chegada de um ônibus carregado com “fumaça” (cigarros) e outro com “mídia” (DVDs piratas) no dia 28 de junho.

Na manhã do crime, Leite teria ido à sede do Deic, em Santana, zona norte, acertar os detalhes da ação com os investigadores Marcelo Garcia Bilhordes, de 40 anos, Carlos Benedito Felice Júnior, de 42, e José Vandir Ferreira, de 40, todos da 2ª Delegacia de Crimes Contra a Fé Pública.

Segundo o delegado da corregedoria, de lá, o trio seguiu para a Marginal do Tietê e interceptou os ônibus na altura da Ponte do Piqueri, perto da Superintendência da Polícia Federal, zona oeste, às 14h30. “Os ônibus foram levados para uma rua sem saída (a Dr. Soares de Gouveia), atrás do Deic, onde ocorreu a extorsão mediante sequestro”, disse Mello.

Com base no inquérito da corregedoria, o promotor de Justiça Fábio Meneguelo Sakamoto, do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), pediu a prisão preventiva dos quatro policiais, decretada em 25 de outubro pela juíza Mônica Salles Penna Machado, da 3ª Vara Criminal da Capital.

Por causa da lei eleitoral, que só permite prisão em flagrante cinco dias antes e dois dias depois do pleito, a corregedoria teve de esperar até anteontem para procurar os acusados. Até ontem, eles estavam foragidos.

De acordo com seis sacoleiros, Felice Junior, Bilhordes e Ferreira exigiram R$ 100 mil para não os entregar à PF pelo crime de descaminho. Não puderam sair dos ônibus durante cinco horas. Um sacoleiro tentou fugir pela janela e foi agredido a coronhadas e tapas. O advogado dos policiais nega as acusações.

Os investigadores teriam afirmado que o dinheiro deveria ser entregue até o fim da partida Brasil e Chile, pela Copa de 2010, disputada naquela tarde, “pois o delegado (José Roberto Arruda, titular da 2ª Delegacia de Crimes contra a Fé Pública) estava no Deic assistindo ao jogo e após o término da peleja não haveria mais chance de acordo”.

À corregedoria, porém, Arruda, negou participação no esquema e disse que estava no litoral do Estado naquela data.
Às 19h50, após diversas negativas dos sacoleiros em pagar a propina, os investigadores conduziram os dois ônibus à sede da PF, onde 22 passageiros foram ouvidos pela delegada federal de plantão.

Alguns narraram a suposta extorsão e cópias dos depoimentos foram enviadas à Corregedoria da Polícia Civil. Na manhã seguinte, o grampo registra uma mulher ligando para Leite para avisar que havia ocorrido problemas com o pessoal da PF.

Advogado nega sequestro

 Aldo Soares, advogado dos quatro policiais civis, disse que seus clientes agiram dentro da lei e são inocentes. Segundo o defensor, os investigadores apreenderam os ônibus com produtos contrabandeados e levaram os sacoleiros para o Deic. Ele afirmou que, por ser um crime de descaminho, a ocorrência foi levada para a Superintendência da Polícia Federal, no bairro da Lapa, zona oeste da capital.

O advogado disse ainda que os sacoleiros não foram sequestrados. “Alguns passageiros desceram dos ônibus para fumar. Outros ainda entraram no prédio do Deic para usar o banheiro. Além disso, o guia de um dos ônibus foi ouvido na Corregedoria da Polícia Civil, onde corre, paralelamente, um processo administrativo contra meus clientes, e o depoimento dele foi favorável.”

Soares explicou que entrou na Justiça com pedido de habeas corpus em favor dos investigadores. “Vamos aguardar a decisão judicial. Meus clientes queriam se apresentar. Mas não posso apresentar um inocente para ser preso. Eles são pais de família e não devem nada”, argumentou.

O defensor disse que a maioria dos sacoleiros é de Foz do Iguaçu (PR) e trazia do Paraguai diversos produtos, como calculadoras e relógios, para revender no centro. Ainda segundo ele, um dos sacoleiros tem três passagens na polícia por descaminho.

Soares afirmou que na sede da PF um delegado da Corregedoria da Polícia Civil acompanhou os depoimentos e não prendeu nenhum policial em flagrante porque eles são inocentes. Bilhordes, Ferreira e Felice Júnior foram transferidos logo após o episódio para o Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc). Não se apresentaram ao novo posto por estarem foragidos.

8 Comentários Comente também
  • 05/11/2010 - 09:29
    Enviado por: Dr. Luiz G. Scarpitti

    Ao não transporte imediato dos passageiros à delegacia especializada à apreensão , leva à conclusão incontestável que os policiais agiram de má fé.
    Que leve o Julgador aperceber o fato para efeito de condenação/expulsão dos agentes .

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  • 05/11/2010 - 13:33
    Enviado por: Adhemar

    Corrupção na Polícia Civil de SP tod mundo sabe que tá fora de controle faz tempo, deem um pulinho na Fazendária, no Detran e no Deic e vejam os carrões e a riqueza incompatível daquela gente, não é a toa que todo mundo quer “trabalhar” nestas boquinhas ricas.

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  • 05/11/2010 - 22:13
    Enviado por: Regina Célia

    Ótima notícia de um grande jornal que é o Jornal da Tarde. O problema da Polícia Civil é que o recrutamento dos policiais é feito pela própria instituição, cujas provas são formalizadas pela Academia. O ideal seria se fosse pela Fundação Carlos Chagas e não por meio corporativista, familiar e político. Sobre a matéria publicada, entendo que há um vício na instituição de presunção de impunidade agasalhado ao abuso de autoridade. Excluir os maus policiais é sempre o ideal, não podemos conviver com bandidos travestidos de policiais.

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  • 08/11/2010 - 10:39
    Enviado por: feliz

    Policial deve ser bem remunerado. Vê os salarios dos promotores: eles cuidam da sociedade e recebem muito bem, por que a policia não?

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  • 10/02/2011 - 02:44
    Enviado por: vivacia

    Nada de novo. Corrupcao enorme, porque? Todas essas denuncias terminam em nada e os policiais se julgam acima da lei ja que a lei quase nunca os pune.Engracado e que os pobres criminosos, mesmo quando roubam uma bicicleta, ou uma carteira com R$50, os comentarios sao ” matem esses vagabundos” ” “acabem com eles” etc. Mas crimes cometidos por policiais, como roubos, agressoes, extorsoes, etc. Quando vamos deixar de ser pais de terceiro mundo?

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  • 21/03/2011 - 21:07
    Enviado por: pepela

    Corupção na certa conheço esse adv de outros carnavais amaaaa……$$$$$$$$$$$ uma graninha extra fiquem de olho ok!

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