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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Polícia investiga grupo que age em hotéis

Categoria: Polícia

Camila Haddad

A Polícia Civil investiga a ação de uma quadrilha especializada em furto e roubo de notebooks e bagagens nas recepções de hotéis de luxo em São Paulo. Parte do grupo foi presa no começo do mês após atacar um executivo em Pinheiros, na zona oeste.

Policiais acreditam que outros integrantes do mesmo bando continuam agindo. O alvo principal dos criminosos são empresários, economistas e administradores hospedados na cidade a negócios. Em pelo menos 80% dos ataques, segundo a polícia, os ladrões são estrangeiros – como bolivianos, peruanos e chilenos.

A reportagem levantou oito casos de furtos cometidos entre maio e agosto – seis ocorreram dentro dos hotéis e dois, na saída. Em um deles, um casal foi abordado ao deixar um hotel na zona norte. Uma mulher acenou para as vítimas dizendo que o pneu deles estava furado. Quando os dois pararam, ela simulou passar mal. Só que, enquanto isso acontecia, um comparsa dela levou toda a bagagem das vítimas. Todos escaparam.

Em outro caso, no Hotel Ibis Morumbi, zona sul, a vítima foi um diretor de empresas de Ohio, nos Estados Unidos. Ele disse que preenchia o cadastro de hóspedes e se “descuidou” – quando percebeu, sua maleta não estava mais ao seu lado. Além do computador portátil, o criminoso levou certidões dos filhos do executivo, passaportes e dinheiro. Segundo a vítima, não havia motivo para desconfiar de ninguém no local.

É exatamente essa a tática dos bandidos. “Eles estão sempre bem-vestidos. Às vezes usam uma mulher para distrair seguranças”, explica o delegado Diogo Zamut Junior, assistente do 57º Distrito Policial, no Alto da Mooca, que tem acompanhado as investigações. No dia 2 de setembro, quando desmantelou parte de uma quadrilha, todos usavam jaquetas de couro. A mulher, loira e elegante, vestia um sobretudo.

Foram presos o peruano Rafael Gustavo Morales e o venezuelano Richard Gonzales Costa. Eles estavam acompanhados pelos brasileiros Michel Rojas Bayon e Renata Araújo.

O grupo foi flagrado após tentar assaltar um executivo do Ceará quando ele saiu do Hotel Mercure, em Pinheiros. Só foram pegos porque o executivo conseguiu atraí-los até um posto da Polícia Militar. “Rezei e pensei na família”, disse a vítima, que não quer mais se hospedar em hotel.

No 57º Distrito Policial, o bando foi reconhecido por representantes de três hotéis. Um deles, do Holiday Inn Parque Anhembi, teve certeza de que os quatro foram os autores de um furto de malas no hall do hotel, em junho.

O delegado Zamut Junior credita um outro furto ao mesmo bando. O crime aconteceu no saguão do Matsubara Hotel, no Paraíso, zona sul da capital, no dia 23 de agosto. A vítima foi um economista que fazia o check-in. Na maleta, havia notebook, cartões internacionais e US$ 700.

“Outro dono de hotel também nos procurou e apuramos que, possivelmente, uma amiga de Renata, que foi presa, está envolvida no crime, mas não posso adiantar muito mais”, disse Zamut Junior.

O delegado Carlos Alberto Mezher, titular da Delegacia de Turismo (Deatur), disse haver um programa preventivo para coibir essas ações. A Ronda Hoteleira é formada por três equipes de policiais civis que orientam funcionários dos hotéis, desde os mais simples até os cinco estrelas.

“É um crime sazonal. Acontece por descuido nos saguões, restaurantes, no café da manhã”, alerta. “É importante dizer que depois de agirem em um hotel, eles (ladrões) vão para outros.”

 

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