Perseguições aéreas são cada vez mais frequentes
- 25 de janeiro de 2012 |
- 23h20 |
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Categoria: Polícia
CAMILLA HADDAD
Perseguições policiais com helicópteros são cada vez mais rotineiras no Estado. Em 2011, os aparelhos Águia da Polícia Militar foram acionados 8.070 vezes para ir atrás de criminosos, média de 22 chamadas por dia, só para esse tipo de ocorrência. Segundo a PM, 70% dos atendimentos são na capital. O número do ano passado é 43% superior ao de 2010, quando ocorreram 5.621 acionamentos.
As operações bem sucedidas – que resultaram em prisões – cresceram praticamente na mesma proporção: de 967 em 2010 para 1.374 no ano passado, aumento de 42%. Os casos envolvem roubos de residência, arrastões em prédios, assaltos a banco, lotéricas e sequestros relâmpagos.
No último dia 12, um morador do Jardim Paulista, na zona oeste da capital, recebeu ajuda do céu após bandidos invadirem sua casa. Ele foi amarrado e amordaçado. A quadrilha recolheu objetos e colocou tudo no carro da vítima, um bancário de 30 anos. Na fuga, o bando foi seguido por viaturas da PM. O Águia entrou na perseguição, monitorava o trajeto da fuga e passava informações para a patrulha. Três suspeitos foram presos. Com eles, havia telefones, relógios de grife e joias.
No caso de um analista de sistemas de 47 anos assaltado em outubro passado no Morumbi, zona sul, a ação do Águia foi ainda mais intensa. Os policiais do helicóptero jogaram bombas de gás para forçar os criminosos a saírem de um matagal onde estavam escondidos. “Vinte e dois policiais não acharam os bandidos, mas o helicóptero foi chamado e passou a jogar bombas. O terreno ficou cercado e foi feita a prisão”, conta a vítima.
O tenente Rui Galetti, oficial de relações públicas do Grupamento Aéreo, explica que, em alguns casos, o próprio piloto se aproxima do suspeito no solo e faz a prisão. “Aconteceu isso uma vez, os tripulantes se aproximaram bem deles (ladrões) e deram voz de prisão para criminosos que estavam escondidos em uma mata.”
A Polícia Militar diz que o acionamento do Águia pode ser feito pelo policial da rua que está na ocorrência, em contato via rádio. Outra forma é o operador do 190 que observa alguma gravidade no caso e também aciona a aeronave. O grupamento tem acesso diário à rede de rádio e pode deslocar os helicópteros para os locais.
A perseguição a suspeitos não foi o único tipo de atendimento do Águia que cresceu. Os salvamentos aeromédicos (no qual se incluem vítimas de acidentes e de incêndios), por exemplo, passaram de 988 em 2010 para 1.237 no ano passado, aumento de 25,2%.
Pilotos e suas equipes relatam casos dramáticos, como o do incêndio na Favela do Moinho, no Bom Retiro, região central, a poucos dias do Natal. Os homens do Águia resgataram 11 pessoas no cesto do helicóptero. “Vimos a fumaça do Campo de Marte e fomos para lá”, conta o capitão Marcelo César Cancian, 12 anos no grupamento e 25 na corporação.
O especialista em segurança Felipe Gonçalves lembra que o helicóptero possibilita um visão do “todo” em um situação de crise. “Permite uma ação de acerto dos policiais em terra e agiliza o atendimento da ocorrência.”
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