Parque da Mooca tem um homicídio após 20 meses
- 5 de fevereiro de 2012 |
- 23h50 |
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Categoria: Polícia, Segurança Pública
FELIPE TAU
Um crime ocorrido no dia 27 de janeiro pôs fim a um período de um ano e oito meses sem homicídios no 57.ºDP (Parque da Mooca), na zona leste da cidade. A delegacia foi a única de São Paulo a não registrar nenhum homicídio doloso (com intenção) no ano passado. O último caso havia ocorrido no dia 17 de maio de 2010.
O jejum foi quebrado pelo assassinato de um jovem de 17 anos na sexta-feira retrasada, não esclarecido (leia mais ao lado). Apesar do episódio, o clima na região ainda é de tranquilidade na área da delegacia. São cinco quilômetros quadrados, com uma população fixa de 96 mil pessoas, segundo a Polícia Militar.
Entre elas, o barbeiro Nelson Fernandes, de 63 anos, conhecido como “Brasinha”. Morador da Mooca desde que nasceu, ele não se lembra do último crime de que ouviu falar – não sabia do caso do jovem de 17 anos. “Aqui é muito pacato, todo mundo se conhece”, diz ele, enquanto atende um freguês de longa data.
O sapateiro português Manoel Jorge dos Santos, de 77 anos, vizinho de “Brasinha”, diz que nunca foi vítima de violência. “Moro aqui há 47 anos e jamais mexeram comigo”, relata o imigrante, que vive e trabalha na Rua do Oratório. Ele mora em um sobrado com a mulher, Maria das Dores, de 75 anos, e sua oficina estava de portas abertas na tarde de sexta-feira, sem ninguém na recepção. “É seguro”, garantiu. “Os moradores são todos antigos, gente ordeira”, disse ele, que chegou de Portugal aos 19 anos, em 1954.
Para o delegado titular do 57.ºDP, Ricardo Salvatore, de 46 anos, a parceria entre polícia e comunidade é a chave do sucesso. “Muitas famílias moram aqui há várias gerações. Quando veem qualquer pessoa estranha, acionam a polícia”, explica. O delegado diz que checar as denúncias e os casos de ameaça também ajuda a reduzir crimes.
Para Salvatore, conhecer o local e atender bem a população são outros detalhes que podem fazer a diferença. “Se a pessoa é bem atendida, volta para dar informações”, explica ele, que cadastrou todos os vigias noturnos e guardadores de carro da região. Em sua terceira passagem pelo distrito, iniciada em 2007, Salvatore mudou-se para a Mooca há menos de um mês.
O policiamento comunitário também é empregado pela PM. “Muitos moradores conhecem os policiais pelo nome e informam quando há algo errado ”, explica o capitão José Elias de Godoy, porta-voz do 21.º Batalhão da PM, responsável pela área do 57.ºDP.
Furto de Veículos
Apesar dos bons índices, o furto de veículos, com 602 casos no 57.ºDP no ano passado, é o crime que mais preocupa o delegado. Segundo ele, o crescimento imobiliário e comercial do bairro vem atraindo mais carros e, por consequência, mais ladrões.
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