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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Quadrilha assalta joalheria em hipermercado

Categoria: Polícia

Ricardo Valota

Armados de pistolas, pelo menos quatro homens assaltaram, por volta das 19 horas de quarta-feira, 2, a joalheria Dacam, localizada no interior da loja do hipermercado Carrefour, na altura do quilômetro 11,5 da Via Anchieta, no bairro de Vila das Mercês, região do Sacomã, na zona sul de São Paulo.

PMs da 2ª Companhia do 46º Batalhão foram acionados por seguranças do hipermercado e pelo comerciante, mas não chegaram a tempo de deter algum suspeito na região. Carregando joias em geral e relógios, a maioria retirada da vitrine, a quadrilha, segundo testemunhas, fugiu em motos. Ninguém ficou ferido.

O dono da joalheria primeiro vai levantar tudo o que foi roubado a fim de registrar boletim de ocorrência no 26º Distrito Policial, do Sacomã, delegacia da região.

Presos três PMs da gangue ninja

Categoria: Polícia

Leandro Calixto

Três “PMs Ninjas” acusados de participar da matança na Baixada Santista no mês de abril foram detidos ontem à noite e levados para a Corregedoria da Polícia Militar com prisão temporária de cinco dias. Outros dois policiais militares também foram identificados e deveriam ser capturados ainda na madrugada de hoje.

 A prisão só foi possível após três suspeitos serem detidos ontem, no Guarujá, com revólveres ilegais e munição. Um deles teria delatado a participação de cinco PMs nos crimes. A matança no litoral sul provocou a morte de 23 pessoas em apenas oito dias, de 18 a 26 de abril.

A suposta participação de PMs foi revelada pelo Jornal da Tarde na edição de 1º de maio. Os crimes motivaram o alto escalão do governo do Estado de São Paulo a trocar o comando da Corregedoria. Desde a semana passada, o coronel Admir Gervásio assumiu a Corregedoria da PM em lugar do coronel Davi Nelson Rosolen. Poucos dias depois de ser indicado ao cargo, o novo corregedor já trouxe os primeiros resultados.

“Existe forte suspeita da participação de policiais militares nos crimes da Baixada Santista. Aproveitamos um regimento interno e decretamos a prisão disciplinar desses suspeitos. Isso nos dá mais tranquilidade para seguirmos as investigações”, disse o major Marcelo Nagy, da Corregedoria da Polícia Militar. Por questão de segurança, a polícia não revelou a identidade dos policiais presos.

A reportagem apurou que os três PMs detidos fazem parte de batalhões do Guarujá, Diadema e Santo André. Os outros dois identificados também são do Guarujá. Os cinco PMs suspeitos moram na Baixada Santista.

A matança na Baixada em abril teria começado depois que o policial da Força Tática, Paulo Raphael Pires, de 27 anos, foi morto a mando de um traficante. Conhecido pelo seu estilo duro, o policial era repressor de traficantes que agem no litoral sul.

A atuação de Pires no combate ao crime, principalmente no Guarujá, teria provocado a revolta de um traficante, que teria ordenado a morte do policial. No mesmo dia, alguns policiais, que fariam parte de um grupo de extermínio, teriam feito juramento de vingar a morte do soldado da Força Tática. Desde então, 22 pessoas foram executadas. Levantamento feito pelo JT mostrou que das 18 vítimas nas execuções, dez tinham passagens pela polícia.

 A matança no litoral sul chegou a provocar uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O consulado norte-americano divulgou nota recomendando à população de seu país que não visitasse o Guarujá nos dias que sucederam os crimes.

 A Tropa de Choque chegou a reforçar o policiamento da Baixada Santista até o início do mês passado. Mais de 200 homens foram deslocados para Santos, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.

MP denuncia 12 PMs por morte de motoboy

Categoria: Polícia

Josmar Jozino

O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia contra os 12 PMs acusados de torturar e espancar até a morte o motoboy Eduardo Luís Pinheiro dos Santos, de 30 anos. O crime aconteceu em 9 de abril na 1ª Companhia do 9º Batalhão, na Casa Verde, zona norte da capital.

Segundo a denúncia, oferecida pelo promotor de Justiça Marcos Hideki Ihara, da Promotoria do 2º Tribunal do Júri da capital, os PMs conduziram o motoboy à força, e sem motivo, à 1ª Companhia do 9º Batalhão da PM, onde ele foi humilhado e espancado até morrer.
Ainda de acordo com a denúncia, os policiais planejavam abandonar o corpo em uma rua deserta. Em seguida, eles fariam um boletim de ocorrência relatando que Eduardo foi encontrado na rua.

São acusados de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, utilização de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa) e fraude processual os policiais Wagner Aparecido Rosa, Alexandre Seidel, Raphael Souza Cardoso, Nelson Rubens Soares, Antonio Sidnei Rapelli Júnior, Jair Honorato da Silva Júnior, Fernando Martins Lobato, Ismael Pereira de Jesus e Rodrigo Monteiro.

Já os PMs Andressa Silvestrini Sartoreto, Rafael Silvestre Meneguini e Jordana Gomes Pereira são acusados pelo homicídio. Os suspeitos ficaram 30 dias no Presídio Militar Romão Gomes, mas foram soltos no dia 28 de maio após o fim da prisão temporária.

Um novo laudo divulgado ontem pelo Instituto Médico-Legal (IML) concluiu que o motoboy foi vítima de politraumatismo. Os exames constataram que as múltiplas lesões foram causadas por socos e pontapés e que a vítima foi torturada e asfixiada.

Ex-namorado de advogada desaparecida se contradiz

Categoria: Polícia

Elvis Pereira

Principal suspeito pelo desaparecimento de sua ex-namorada, a advogada Mércia Nakashima,  o policial militar reformado Mizael Bispo se contradisse ontem em seu segundo depoimento ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). No final do interrogatório, de mais de duas horas, chorou ao ser questionado sobre o que ele acredita ter acontecido com a ex-namorada.

Bispo recuou e não soube confirmar se a mulher com quem diz ter ficado por três horas e meia era prostituta. Disse que passou numa avenida próxima, buzinou e convidou a desconhecida para entrar no Kia Sportage prata dele. Ele negou ter ficado com ela no estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos. Relatou ter parado o carro em frente ao local. O policial contou que se tratava de uma morena, com cerca de 25 anos, de calça jeans. Após manterem relações sexuais no veículo, entregou R$ 20 a ela.

“Ninguém fica três horas e meia num carro com um menina e não sabe o nome dela”, afirmou o delegado Antônio Olim, do DHPP. “Essa história não bate. Com certeza ele desceu do carro”. Uma testemunha disse ter visto o suspeito deixar o veículo dele no estacionamento e embarcar em outro.

Outro ponto que intriga a polícia é a visita de Bispo a um amigo na tarde de 23 de maio, dia do desaparecimento de Mércia. O amigo mora perto da casa da advogada. Dali, o PM dirigiu até a região do hospital, onde chegou às 17h32, e ficou ali 15 minutos.

Bispo afirmou ter ido à casa dele em seguida para buscar preservativos e dinheiro. Saiu e teria e encontrado a suposta prostituta. O Sportage dele ficou diante do hospital das 18h37 às 22h12. Mércia deixou a casa da avó dela por volta das 18h30. Desde então, não foi mais vista. Nem atendeu mais os três telefones que possui.

Governador demite delegado Fleury

Categoria: Polícia

Bruno Tavares

Marcelo Godoy

O governador Alberto Goldman (PSDB) demitiu ontem da Polícia Civil o delegado Paulo Sérgio Oppido Fleury, acusado de presentear as secretárias da então juíza-corregedora Ivana David Boriero com bolsas Louis Vuitton falsas. Foi considerado procedimento irregular de natureza grave.

Fleury, conhecido como Fleurizinho, é filho do delegado Sérgio Paranhos Fleury, símbolo do esquadrão da morte e da repressão política no País durante o regime militar (1964-1985). Fleury, o pai, trabalhava no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) quando o ex-comunista Goldman ainda militava no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Matou alguns dos inimigos da ditadura, como os líderes comunistas Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Militares aprenderam com ele a prender, torturar e matar. Morreu afogado em 1979, em um acidente banal – escorregou de um barco em Ilhabela (SP).

Fleurizinho fez carreira não menos polêmica. No caso das bolsas, foi condenado em primeira instância a 2 anos de prisão, mas foi absolvido. O processo administrativo continuou. O delegado Marco Antônio Desgualdo, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), havia proposto suspensão, pena aceita pelo então secretário da Segurança, Ronaldo Bretas Marzagão. Mas a competência para decidir processos administrativos de delegados, por lei, não é do secretário, mas do governador. Assim, o atual secretário, Antônio Ferreira Pinto, anulou a decisão e enviou o caso para o Palácio dos Bandeirantes.

Fleury era o todo-poderoso no combate à pirataria quando foi acusado de desviar mercadorias apreendidas por sua delegacia. Segundo o Ministério Público Estadual, ele teria transformado sua empresa de assessoria em uma espécie de distrito pirata, e usava a delegacia que chefiava para fazer investigações contratadas pelos seus clientes. Foram encontrados 25 autos de apreensão de mercadorias sem vínculo com inquéritos, cujos bens não foram para perícia, mas “subtraídos pelos denunciados”, segundo denúncia do MP.

Por causa disso, Fleury foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão, mas teve o direito de apelar em liberdade – o TJ ainda não analisou o recurso. O processo administrativo ainda não foi concluído. O delegado é investigado ainda pela 4ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social sob suspeita de improbidade administrativa.

Fleury se diz vítima de perseguição do atual secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto. Sua defesa alega que ele não praticou crime ao presentear as secretárias, pois a dona da marca não representou pela apreensão do material. Seu advogado, Jorge Henrique Martins, foi procurado pela reportagem, mas não retornou.