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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Quadrilha faz arrastão em prédio de Moema

Categoria: Geral, Polícia

LUÍSA ALCALDE

Grades baixas, ausência de câmeras de monitoramento viradas para a rua e o fraco movimento de pessoas no bairro, em razão do feriado prolongado, fizeram com que o prédio na esquina da Avenida Divino Salvador com Alameda dos Jurupis, em Moema, na zona sul da capital, se mostrasse vulnerável aos sete homens que o invadiram nesta segunda-feira, 30, onde roubaram pelo menos cinco apartamentos. O arrastão durou cerca de duas horas e meia e ninguém foi preso.

Por volta das 5h30, quando ainda amanhecia, um dos bandidos pulou as grades que ficam atrás da guarita. Com uma pistola, ele rendeu o porteiro e o obrigou a abrir o portão para seus comparsas. O bando permaneceu no hall de entrada e foi rendendo, um a um, moradores e funcionários que entravam ou saíam do edifício. Todos eles foram obrigados a ir até o apartamento onde moravam ou trabalhavam, e lá, os bandidos recolhiam os pertences das vítimas e objetos da casa.

De acordo com Alessandro Baroni, de 33 anos, delegado assistente do 27º Distrito Policial (Campo Belo), onde o caso foi registrado, o bando era formado por homens com idades entre 25 e 30 anos. Ninguém usava máscaras. Eles vestiam-se de maneira informal e portavam armas de baixo calibre, como revólveres e pistolas.

Em depoimento, as vítimas disseram que os bandidos não foram agressivos. O porteiro, no entanto, foi agredido. “Eles deram uns empurrões no primeiro porteiro para forçá-lo a abrir o portão para os demais membros da quadrilha”, disse o delegado.

Todos os objetos roubados dos apartamentos foram colocados em um Peugeot pertencente a um dos moradores, veículo com o qual os bandidos fugiram. O delegado acredita, no entanto, que um oitavo homem estaria dando cobertura ao grupo em um carro do lado de fora.

Investigação

A polícia ainda não tem uma estimativa dos prejuízos porque nem todos os moradores foram ao Distrito Policial para prestar depoimento e declarar o que foi roubado. Os que compareceram à delegacia disseram que tiveram computadores, notebooks, filmadoras, celulares, jogos eletrônicos, joias e dinheiro, além do veículo Peugeot, levados.

Policiais da delegacia especializada em assaltos a condomínios do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) foram acionados pelo 27º DP segunda-feira de manhã e estiveram no condomínio para recolher pistas e informações que possam levar à prisão da quadrilha.

O prédio, que tem dez andares e vinte apartamentos, não possui câmeras de vigilância na parte interna nem na externa. A esperança é que os criminosos sejam identificados por fotografias e reconhecidos como os autores do arrastão. Segundo levantamento do Jornal da Tarde, foi o 17º caso do ano na capital.

Homem ataca 2 com martelo na Defensoria

Categoria: Polícia

FELIPE TAU

Armado com um martelo e uma faca, o desempregado Ivailton da Silva Souza, de 37 anos, invadiu um posto da Defensoria Pública do Estado, no centro da cidade, e atacou dois vigias. Transtornado, segundo testemunhas, ele entrou no prédio da Avenida Liberdade às 7h40 e deu marteladas nos seguranças no térreo, deixando em pânico as pessoas que aguardavam atendimento. A policiais, Silva disse que teria sido vítima de “traição”, sem especificar do que se tratava. Até ontem à noite, uma das vítimas estava internada na UTI em estado grave.
“Foi uma cena de horror”, disse a dona de casa Eliane Pereira Ramos, de 54 anos, que seria atendida na Defensoria. Silva foi dominado por outros seguranças e preso em fragrante por policiais que passavam na rua.
Golpeados na cabeça, os seguranças Eugênio Carlos Gonçalves, de 47 anos, e Walter Moreira, de 44, foram levados ao Hospital do Servidor Público Municipal, na Liberdade. Eugênio recebeu pontos e foi liberado, mas Walter permanecia na UTI.
Segundo o tenente da Polícia Militar Hugo Silva Neto, um dos dois primeiros policias a atender a ocorrência, Silva estava bastante agressivo e teve de ser levado ao banheiro para não ser linchado. Embora de forma confusa, o agressor demonstrava revolta contra a Defensoria.
“Ele falou que se sentia injustiçado pelo órgão e por isso decidiu fazer o que fez”, disse o policial. “Também mencionava uma traição, que não deu para entender de quem.” Uma guarda da Defensoria que presenciou os ataques disse que ele ameaçava os vigias. “Vocês ferraram a minha vida, vou acabar com vocês”, teria dito.

Filhos
Segundo a Defensoria Pública, o agressor estava em disputa judicial envolvendo os três filhos que tem com a ex-mulher, Juliana Pereira de Sousa. Em setembro do ano passado, Juliana entrou com ação pedindo o reconhecimento da separação do casal, que rompeu em 2010 depois de 11 anos de união informal. Em outubro, foi Silva quem processou Juliana, pedindo a regulamentação da guarda e da visita dos filhos, que ficaram com ela.
Após desistir de sua ação, Silva continuou como réu do processo movido pela ex-mulher e compareceu na Defensoria pela última vez no dia 19. Segundo o defensor público Luiz Felipe Azevedo, o desempregado esteve ao menos cinco vezes lá, entre fevereiro do ano passado e abril deste ano.
Levado ao 8º DP, do Brás, foi indiciado por dupla tentativa de homicídio. Segundo o delegado Giuliano Sorte de Paula Silva, ele disse que só falaria em juízo. ::

Homicídio volta a crescer e roubo de veículos dispara

Categoria: Segurança Pública

GIO MENDES
Os índices de criminalidade cresceram no mês passado na capital. O número de homicídios e roubos, crimes que mais assustam o paulistano, foi maior em março deste ano em comparação com o mesmo mês de 2011. O pico da violência ajudou a aumentar as estatísticas de um trimestre para outro, conforme os dados divulgados ontem (dia 25) à noite pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).

A capital teve 95 assassinatos no último mês, ante 53 casos em março do ano passado, aumento de 79,25%. No primeiro trimestre de 2012 ocorreram 257 homicídios, 14,22% a mais em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 225 casos.

A queda no número de homicídios nos últimos anos, que colocou o Estado abaixo da linha epidêmica de 10 mortos para cada 100 mil habitantes, tem sido a principal bandeira da segurança pública em São Paulo. A taxa de homicídios, que era de 35,27 para cada 100 mil habitantes em 1999, ficou em 9,9 no ano passado. Nos últimos 12 anos, o número de assassinatos caiu 72%.

O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro de Lima, afirmou que provavelmente o mês de março de 2011 foi mais chuvoso do que o deste ano, o que pode ter colaborado para o aumento dos casos de homicídios. “O pessoal brinca que não existe melhor polícia do que uma noite fria e chuvosa. Nessas condições, as pessoas procuram voltar mais cedo para casa e o movimento de bares cai. Isso reflete na criminalidade, pois as pessoas deixam de se envolver em brigas que podem terminar em morte”, disse.

Outro índice que disparou no mês de março na capital foi o de roubo de veículos. Foram 4.275 casos neste ano, contra 3.343 em março de 2011. O aumento de um trimestre para o outro foi de 21,50%, de 9.246 veículos roubados no ano passado para 11.234 neste ano. Março teve ainda 4.378 veículos furtados em 2012, um crescimento de 19,62% no comparativo entre os meses de cada ano. De um trimestre para o outro, os furtos de veículos subiram 7,01%, de 10.438 casos para 11.170.
O delegado-geral não soube dizer um motivo específico para explicar o aumento de veículos roubados e furtados no mês de março. Mas ele observou que os ladrões de carros estão agindo cada vez mais longe do centro da cidade e de bairros nobres. “O criminoso sempre procura a maior facilidade para agir. Com o aumento do poder aquisitivo da população, moradores de bairros da periferia compram ou trocam de carro com mais facilidade”, comentou Carneiro.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, roubos e furtos de veículos são um dos crimes que mais preocupam o paulistano. “Hoje um cidadão já compra um veículo com a percepção de que amanhã ele poderia ser vítima de um ladrão. Ele não faz um seguro de vida, mas automaticamente vai fazer um seguro para o veículo. A percepção dele é que terá mais chance de ter o carro subtraído do que ser morto”, disse Carneiro.

O delegado disse que esse tipo de crime vem sendo combatido pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que na quinta-feira da semana passada descobriu um esquema de carros seminovos que eram roubados em São Paulo e tinham o chassi remarcado para serem vendidos em outros Estados. Na ocasião, três empresários acusados de negociar os veículos em sites de classificados foram presos. “O Deic também tem fechado desmanches”, observou Carneiro. O Deic fechou quatro desmanches e quatro lojas que vendiam peças de carros roubados e prendeu 26 pessoas neste ano.

O número de roubos em geral, que inclui assaltos a pedestres, residências e estabelecimentos comerciais, também cresceu nos três primeiros meses de 2012. Foram 27.597 casos neste ano, contra 26.354 no primeiro trimestre de 2011, um aumento de 4,72%. Só em março foram 10.151 casos, 8,32% a mais em relação ao mesmo mês do ano passado, que teve 9.371 ocorrências.

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Estrangeiros são alvo de arrastão no centro

Categoria: Polícia

CRISTIANE BOMFIM
CAMILLA HADDAD
Estudantes estrangeiros que fazem intercâmbio no Brasil foram alvo de uma quadrilha, na noite deste domingo, durante um arrastão em um prédio no centro de São Paulo. A ação durou cerca de 4 horas. Dezenove pessoas – apenas cinco brasileiros – foram amarradas e encapuzadas em um quarto no 10.º andar, enquanto outros criminosos roubavam objetos de valor dos apartamentos. Ninguém foi preso. Este foi o 16º arrastão a condomínio na capital desde janeiro, quase um caso por semana.

Os estudantes estão matriculados na Fundação Getúlio Vargas (FGV) – a maioria no curso de Administração –, na Avenida 9 de Julho, a poucos metros do edifício invadido, na mesma avenida. Por volta das 22h30 de anteontem, o porteiro Luiz Fernandes, de 70 anos, foi rendido por 15 assaltantes que aproveitaram a chegada de dois moradores para entrar no local. Alguns estavam armados e todos tinham os rostos cobertos.

Cinco criminosos permaneceram no hall vigiando o porteiro e rendendo outros moradores que chegavam. Outra parte do bando subiu para os apartamentos que ficam entre o 10º e o 14º andar, onde a maioria dos estrangeiros mora. A cuidadora de idosos Gidalva Gracelina de Santana, de 37 anos, foi surpreendida por quatro criminosos quando chegava do trabalho, às 23h.

“Quando entrei no prédio três homens me renderam e me jogaram no elevador, onde outro homem aguardava. Eles tiraram R$ 250 da minha bolsa e meus dois celulares”, conta. Moradora do quarto andar, ela diz que explicou para os criminosos que não tinha nada de valor e foi levada para um apartamento no 10º, onde 18 pessoas já eram mantidas reféns.

“Estavam todos amarrados com fio de telefone, gravata e o que tivesse por perto”, explica. Um intercambista polonês levou uma coronhada na testa. Testemunhas disseram que a agressão ocorreu por ele não ter entendido a ordem de um dos bandidos, que eram agressivos.

O edifício de 14 andares não tem circuito interno de câmeras nem vigilantes. Há pelo menos três anos o imóvel virou república de estudantes estrangeiros. Segundo a polícia, os ladrões roubaram o equivalente a R$ 15 mil – em reais e moedas de outros países –, além de 13 notebooks, 12 câmeras digitais, 11 óculos de sol de grife e peças de roupas e celulares.

Na fuga, os assaltantes usaram dois carros de vítimas: um Toyota Fielder azul e um Toyota Corolla prata. Após o crime, o dono de um dos carros acabou preso ao prestar queixa do roubo do veículo no 78.º Distrito Policial (Jardins). João Malatesta Neto, 69 anos, tinha dois mandados de prisão pelo não pagamento de pensão alimentícia: um de 1999 em Goiás e outro na cidade de São Paulo, de fevereiro de 2011.

As vítimas são de diversas nacionalidades. Quatro eram da Holanda, três da Alemanha, três da França, 1 da Suíça, 1 da Colômbia, 1 da Itália e 1 da Polônia. Segundo o Departamento de Investigações sobe Crime Organizado (Deic), entre os reféns estava uma professora holandesa que visitava os dois filhos de 24 e 22 anos. Ela está hospedada em hotel.

De acordo com o departamento, desde janeiro nove casos foram registrados na delegacia especializada – que investiga só roubos em condomínios. No entanto, balanço feito pela reportagem mostra que nos primeiros quatro meses do ano, pelo menos 16 arrastões foram apresentados nas delegacias, os mais recentes registrados no prédio de estrangeiros e também em um edifício no bairro de Pinheiros, zona oeste. No ano passado inteiro foram 13 casos. No ano anterior, 24 prédios foram invadidos por assaltantes.

PMs corruptos viram consultores do crime

Categoria: Geral, Polícia, Segurança Pública

WILLIAM CARDOSO

O crime organizado criou um novo bico para PMs de São Paulo: o de consultores de risco. Nessa função, policiais fazem o papel de olheiros de quadrilhas especializadas em arrastões a condomínios e roubos a caixas eletrônicos. Usam o acesso aos equipamentos de rádio da PM para avisar os bandidos, por celular, quando algum policial fora do esquema se aproxima do prédio ou do banco durante a ação dos criminosos.

Neste ano, duas investigações já flagraram a participação de três policiais militares acusados de dar cobertura a ladrões durante os assaltos, mas existe a suspeita de que outros também estejam envolvidos. No ano passado, 20 PMs foram detidos por colaborar com quadrilhas que furtavam caixas eletrônicos – apenas dez continuam presos. “O crime está apelando cada vez mais para a informação e depende, também cada vez mais, das dicas de quem está por dentro. É necessário fortalecer os grupos que combatem o crime organizado dentro das instituições policiais”, afirma o coordenador do Observatório de Segurança Pública da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp), Luís Antônio Francisco de Souza.

Desde 2008, a PM tem usado rádios comunicadores digitais, que dificilmente seriam interceptados por ladrões. Por isso, as quadrilhas passaram a aliciar PMs corruptos, que as mantêm informadas. São eles que avisam quando o roubo é descoberto porque um vizinho ligou para o 190, por exemplo. Também avaliam os riscos de um assalto ser malsucedido e alertam sobre o patrulhamento na área do roubo. Um PM bem informado poupa o trabalho que caberia a pelo menos quatro bandidos: o de contenção durante eventual fuga. Também sai mais barato, porque são três a menos para dividir o que foi roubado.

Em março, por exemplo, um protesto de professores nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes deslocou o efetivo para o Morumbi e obrigou o PM envolvido com a quadrilha a sugerir que os ladrões abortassem o assalto a uma residência porque a área estava cheia de viaturas.

Investigação
Neste ano, duas investigações levaram a PMs suspeitos de cooperar com quadrilhas. Na 5.ª Delegacia do Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o cabo Dario Roberto do Carmo, do 26.º BPM, foi flagrado em escutas sugerindo a uma quadrilha o nome do soldado Alexandre Siqueira, do 45.º BPM, para um “bico” na Chácara Klabin. O trabalho era monitorar o arrastão a um prédio na Rua Pedro Pomponazzi, que terminou com a prisão de 15 pessoas em uma operação da Polícia Civil no dia 7, horas antes do assalto. ::