Lojistas coreanos recebem carta com ameaças
- 14 de setembro de 2012 |
- 22h35 |
- Tweet este Post
FELIPE TAU
RICARDO VALOTA
Comerciantes sul-coreanos da Rua José Paulino, reduto do comércio de roupas na região central de São Paulo, estão assustados com uma correspondência recebida por 14 lojistas no dia 31 de agosto. Em um envelope pardo onde estava escrito “leia com atenção”, uma carta em coreano cobrava dos donos de lojas o pagamento de R$ 3 mil em uma conta bancária especificada. O documento, com um carimbo da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), trazia as iniciais do criminoso Gegê do Mangue, bandido violento vinculado ao grupo, e ameaçava de morte os destinatários e a família de quem não depositasse a quantia.
Recebidos na mesma tarde por diversas lojas vizinhas da José Paulino, num trecho entre o Parque da Luz e a Rua Carmo Cintra, os envelopes, idênticos, causaram apreensão entre os comerciantes. Depois de se reunir na rua, alguns chegaram a fechar as lojas mais cedo e um deles foi registrar a ameaça no 2.º DP (Bom Retiro), onde o caso é investigado como tentativa de extorsão.
De acordo com o delegado titular da delegacia, Orivaldo Volpato, a conta corrente especificada na carta é fictícia. Mas o selo de postagem, com o endereço da agência dos Correios, permitiu identificar a origem do material: ele foi postado no dia 30 de agosto em Diadema, na Grande São Paulo, na Avenida Lico Maia, 453, no bairro de Serraria.
Imagens do circuito interno da agência, recolhidas para perícia, mostram um homem entrando no estabelecimento às 13h24, com camisa e calça escuras, carregando uma bolsa preta. Ele chega a cruzar com um policial militar que tinha acabado de sair e se dirige ao guichê de atendimento. Depois de se certificar de que os avisos em coreano – colados com papel sulfite – não seriam retirados, aguarda a postagem, pergunta se os selos identificam a agência de origem, checa o comprovante do serviço e deixa o local calmamente, quatro minutos depois.
Para Volpato, o comportamento displicente e a presença de assinatura são incompatíveis com a forma do PCC agir. O delegado acredita que as ameaças não foram planejadas pela organização criminosa. “Achamos que foram feitas por alguém que pretende criar o medo para oferecer algum serviço de segurança, porque deram uma conta bancária que não existe. E o PCC não iria carimbar uma carta dessa maneira”, acredita o policial.
Por conta da baixa qualidade da imagem, disse Volpato, a polícia ainda não chegou ao suspeito. Entretanto, isso deve acontecer à medida em que surgirem denúncias (que podem ser feitas pelo número 181 de maneira anônima).
Ouvida informalmente, a funcionária da agência que atendeu o suspeito, e que ainda será chamada a depor, disse que ele não era conhecido no bairro. A participação de pessoas próximas aos lojistas no episódio não está descartada, afirmou Volpato.
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
ameaça de morte, comerciantes sul-coreanos, Gegê do Mangue, PCC, Rua José Paulino
Base da PM é alvo de atentado
- 9 de setembro de 2012 |
- 23h37 |
- Tweet este Post
WILLIAM CARDOSO
Uma base móvel da Polícia Militar foi atacada a tiros na madrugada deste domingo na Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Ninguém foi preso até às 20h. Não houve feridos no atentado. Desde junho, policiais e unidades da PM se tornaram alvo de criminosos na capital.
Por volta das 2h10, um homem que caminhava pela Rua Laerte Setúbal se aproximou a pé e atirou cinco vezes contra os policiais da base. Um dos PMs, que estava do lado de fora, ainda tentou reagir e disparou na direção do atirador, mas não conseguiu atingi-lo. O criminoso fugiu correndo em direção a Paraisópolis, que fica próximo do local, e não foi mais encontrado pelos policiais.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado, os tiros disparados pelo bandido atingiram a lateral e a parte superior da base móvel. O caso foi registrado no 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi) como tentativa de homicídio. Foi solicitada perícia para o local e para a arma do PM que atirou contra o criminoso.
A polícia ainda não sabe se o ataque ocorrido no domingo tem relação com a prisão de um líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) da comunidade. Há duas semanas, policiais federais, em parceria com a Polícia Militar paulista e com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE), prenderam em Itajaí (SC) Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, de 36 anos, que estava foragido da Justiça. Em maio, ele recebeu o benefício da saída temporária para o Dia das Mães, mas não retornou à Penitenciária de Pacaembu, onde cumpria pena.
Piauí, que foi transferido para Avaré, controlava o tráfico de drogas na comunidade e, segundo a polícia, teria ordenado nos últimos meses ataques contra policiais militares da capital.
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
89ºDP, atentado, Avaré, Avenida Giovanni Gronchi, base móvel, Morumbi, PCC
‘Foi engano’: tentou dar golpe, mas ligou para DP
- 4 de setembro de 2012 |
- 22h54 |
- Tweet este Post
Categoria: Geral
CAMILLA HADDAD
O investigador Martinez, de 31 anos, cumpria mais um expediente na Delegacia Seccional Norte quando o telefone tocou. A ligação, a cobrar, chamou a atenção. Na linha um criminoso tentava aplicar um golpe e pedia por ‘Reginaldo’. “Me passei pela pessoa que ele procurava e vi que era uma mistura de ‘golpe do sequestro’ com o ‘golpe do sobrinho’”, descreve o policial, que prendeu o acusado horas depois na tarde desta segunda-feira.
Para o investigador, o criminoso deu “azar”. “Eles ligam aleatoriamente, mas dessa vez caiu numa delegacia. Eu desconfiei do barulho no fundo da ligação e fui conversando.” Martinez fingiu ser Reginaldo, o verdadeiro alvo do golpe. Ele disse que o suspeito exigiu R$ 3 mil e tinha voz desesperada. Primeiro disse que o filho da vítima tinha batido em seu carro. Depois partiu para ameaças de morte. O investigador marcou o encontrou para pagar o resgate.
Já na Avenida Parada Pinto, próximo ao Horto Florestal, região indicada pelo golpista, um motoboy contratado pelo criminoso receberia o pagamento. No local, o motoboy disse que iria entregar o dinheiro na Avenida Assis Ribeiro, na zona leste da capital. Auxiliado por outros dois policiais, o investigador foi então até o endereço indicado e prendeu o ajudante-geral Wimbledon Elias da Silva Minhaco, de 22 anos.
O motoboy, que apenas iria fazer o serviço do transporte do envelope, foi levado para a Seccional Norte, no bairro da Casa Verde, e depois foi liberado.
Quando chegou à delegacia, Minhaco ostentava uma tatuagem de palhaço nas costas. Segundo policiais, ele disse que o desenho era em alusão ao artigo 157 do Código Penal (crime de roubo). Ele não apresentou advogado para comentar o episódio.
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
Mais duas mulheres acusam médico
- 3 de setembro de 2012 |
- 23h57 |
- Tweet este Post
Categoria: Polícia
CAMILLA HADDAD
Mais duas mulheres, supostas vítimas do médico Rogério Pedreiro, de 48 anos, serão ouvidas nesta terça-feira na Delegacia de Defesa da Mulher na Vila Clementino, na zona sul de São Paulo. Segundo a polícia, elas reconheceram o clínico geral por meio de imagens divulgadas pela televisão. Pedreiro foi preso preventivamente na sexta-feira (dia 31), em sua clínica, no Alto da Boa Vista, também na zona sul, acusado de abusar sexualmente de duas pacientes, mãe e filha, de 49 e 24 anos.
Essas duas vítimas passaram em consulta com o médico, que se apresenta como ginecologista, em 18 de junho. Até a noite de ontem, Pedreiro estava detido na carceragem do 31.º Distrito Policial (Vila Carrão), na zona leste, para onde vão presos com curso superior. O advogado dele nega todas as acusações.
A delegada responsável pelo caso, Lisandréa Zonzini Salvariego Colabuono, disse que uma das mulheres que irá ao distrito nesta terça-feira procurou primeiro uma emissora de televisão, mas também será ouvida. As duas devem fazer o reconhecimento pessoal do médico. De acordo com Lisandréa, no caso de mãe e filha, as duas contaram que, na tarde da consulta, na Avenida Vereador Jose Diniz, teriam sido molestadas sexualmente. Mas não relataram violência ou grave ameaça.
Uma das vítimas, a mulher de 24 anos, contou à reportagem que Pedreiro a atendeu e fez exames ginecológicos sem o uso da luva de borracha. Ele também teria perguntado se ela se masturbava com frequência. A consulta, de acordo com a paciente, levou cerca de uma hora. No meio do atendimento, ela disse que o médico fez um exame anal e sugeriu que ela operasse a vagina.
De acordo com especialistas em ginecologia, é normal que durante o exame ginecológico seja feita a avaliação retal. Mas, para a vítima, o exame passou dos limites, já que teria sido feito mais de uma vez.
A delegada que investiga o caso disse que, além de mãe e filha, outras três mulheres registraram boletim de ocorrência envolvendo o acusado nos anos de 2008, 2009 e 2010. Mas, de acordo com Lisandréa, esses inquéritos foram arquivados. A policial não explicou os motivos.
No caso da mãe e filha, o médico é acusado de violação sexual mediante fraude (por ter se aproveitado da situação de médico para abusar das vítimas, sem violência). O advogado Rogério Nogueira de Abreu, que defende Pedreiro, nega o crime. Em caso de condenação, a pena varia de dois a seis anos de prisão.
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
Para peritos, Elize não agiu sozinha
- 1 de setembro de 2012 |
- 23h59 |
- Tweet este Post
Categoria: Justiça
Elize Araújo Matsunaga, de 38 anos, contou com a ajuda de pelo menos uma pessoa para esquartejar o marido. É o que indica a análise das amostras de sangue encontradas na cena do crime. O exame reforça a tese da acusação de que ela não agiu sozinha após matar o empresário Marcos Kitano Matsunaga, de 42, na noite de 19 de maio, com um tiro na cabeça. As informações – presentes em um laudo do Instituto de Criminalística divulgado pela revista Isto É – podem causar reviravolta no caso. Desde que confessou o crime, Elize diz ter feito tudo sozinha.
O laudo é resultado de análises de DNA de 30 amostras de sangue colhidas no dia 6 de junho ao redor da área onde Matsunaga, herdeiro da empresa de alimentos Yoki, foi esquartejado. A coleta foi feita no dia da perícia realizada no apartamento do casal, uma cobertura de luxo na Vila Leopoldina, zona oeste da capital. O documento revela que os peritos identificaram material genético de um indivíduo do sexo masculino, excluindo Marcos Matsunaga. E cita também a possibilidade de que haja sangue também de outra mulher, além do de Elize.
A participação de mais uma pessoa no crime é cogitada desde o início das investigações, mas até agora não havia indício real de coautoria. Para prová-la, no entanto, será preciso identificar o dono da amostra de sangue encontrada no quarto para onde a vítima foi arrastada após ser baleada, já na madrugada de 20 de maio.
O promotor de Justiça José Carlos Cosenzo, responsável pelo caso, diz que recebeu o relatório na sexta-feira e a Promotoria deve agora solicitar esclarecimentos técnicos aos peritos para saber se as amostras de fato colocam outra pessoa na cena do crime.
“Sempre acreditamos que Elize tinha contado com a ajuda de um terceiro depois de praticar o crime. No esquartejamento, na distribuição e acondicionamento das partes do corpo e na maquiagem feita na cena do crime.”
Segundo o promotor, o fato de ainda não terem aparecido imagens de pessoas subindo no apartamento de Matsunaga não impede que terceiros tenham participado do crime. “O que sabemos é que ninguém subiu de elevador. Mas nada impede que tenha entrado pela escada ou deixado o prédio dentro de um carro”, diz. Ele defende que sejam feitas novas investigações para confirmar a hipótese de ajuda de terceiros.
Elize está presa em Tremembé, no interior, desde 4 de junho. Ré confessa, diz que matou o marido durante discussão iniciada por causa da infidelidade da vítima. O advogado dela, Luciano Santoro, não foi encontrado ontem. (Adriana Ferraz e Bruno Paes Manso)

