Homicídios crescem 15,2% no Estado
- 25 de setembro de 2012 |
- 22h35 |
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Categoria: Polícia
BRUNO PAES MANSO
DANIEL TRIELLI
Os homicídios voltaram a crescer em agosto na capital e no Estado de São Paulo. Os assassinatos aumentaram na capital 15,2% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, fechando com 106 casos. Nos oito primeiros meses do ano, o crescimento na capital já acumula 15,4%.
Depois de cair nos dois primeiros meses deste ano, o aumento nos homicídios começou em março e se manteve nos três meses que se seguiram. Em julho, a capital registrou queda, voltando a crescer no mês passado.
No Estado de São Paulo, o crescimento acumulado nos oito primeiros meses do ano chega a 6,3%. Em agosto, o aumento foi de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 391 casos.
Para o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, essa variação é esperada, já que a capital, por exemplo, registrou em agosto só 14 casos a mais do que o mesmo período do ano passado. “Claro que um homicídio é sempre sentido pelas autoridades policiais. Mas esse valor é pequeno se pensarmos que há uma população de 11 milhões de habitantes”, diz o delegado-geral.
Segundo Carneiro Lima, a reforma do Código Penal, que está sendo discutida atualmente no Congresso Nacional, pode ser uma boa oportunidade para endurecer as penas de assassinatos. “Não defendo que a prisão seja solução para todos os crimes, como furtos e outros casos mais leves. A prisão deve ser lugar de crimes violentos, como os assassinatos.”
Se a violência dos homicidas permanece em alta, as mortes culposas resultantes de acidentes de trânsito estão em queda brusca no ano. Nos primeiros oito meses, a diminuição já acumula 37,5%. Foram 1.785 mortes a menos no trânsito do Estado de São Paulo, apesar do crescimento da frota.
Um dos motivos dessa queda é que na Secretaria de Segurança Pública começaram a ser feitos registros de homicídios dolosos de acidente de trânsito, nos casos em que os motoristas assumem o risco do crime cometido. Ao longo dos oito meses, foram 63 casos de homicídios culposos no trânsito, o que representa porcentagem mínima das mortes no trânsito.
Os roubos seguidos de morte também registraram crescimento no Estado. Foram 24 casos no mês passado, enquanto em agosto do ano passado foram registrados 14. Nos oito primeiros meses do ano, o crescimento total já chega a 9%, alcançando 229 casos no período. Na capital, os latrocínios caíram em agosto, passando de 8 para 4 casos, apesar de registrar aumento de 6% nos oito primeiros meses do ano.
Os estupros, que passaram também a contabilizar os atentados violentos ao pudor, também merecem destaque em agosto. Alcançaram o mais alto número desde que passaram a ser contados mês a mês, em janeiro do ano passado, com 1.184 casos, mostrando que as pessoas estão mais dispostas a denunciar.
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Ex-marido é suspeito de matar universitária
- 20 de setembro de 2012 |
- 22h32 |
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Categoria: Polícia
CAMILLA HADDAD
A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira dois homens acusados de ter assassinado a universitária Lore Santana Vaz, de 26 anos, na cidade de Santo André, na Grande São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), um dos detidos é o ex-marido da vítima, identificado apenas como Alan. Ele é apontado como o responsável por encomendar a morte da jovem a dois rapazes, um deles se chama Robert e teria recebido R$ 2 mil para executar a estudante, que foi degolada. Raimundo Nonato, que também teria participado da morte, estava foragido até a noite desta quinta.
A polícia trabalha com duas hipóteses que motivaram o crime: uma seria uma dívida que Lore teria com o ex-marido, relacionada à venda de uma casa que era herança da família dela. Outra linha de investigação é que Alan estava com ciúmes do atual namorado da universitária.
A detenção dos dois homens foi possível depois de a polícia obter imagens de câmeras de vigilância localizadas no bairro Príncipe de Gales. Nas imagens dois criminosos aparecem descendo do veículo da vítima, um Fiat Uno prata. Na tarde desta quarta-feira, policiais do Setor de Homicídios de Santo André tinham apreendido o veículo utilizado para dar fuga aos criminosos. O carro foi visto na região com os vidros e calotas trocados para despistar os investigadores. O veículo foi levado para a delegacia e passaria por perícia.
Alan, que foi detido nesta quinta-feira, é o pai do filho de Lore, que tem 10 anos. Até a noite desta quinta, a criança ainda não sabia que o pai tinha sido detido acusado de matar a mãe. Segundo parentes da vítima, eles não se viam muito. Inicialmente a polícia acreditava que Lore poderia ter pedido dinheiro emprestado a agiotas para poder quitar parcelas em atraso do cartão de crédito. A família dela também comentou, em depoimento, que a vítima não tinha inimigos.
Na noite em que foi abordada pela dupla de criminosos, Lore tinha ido para a faculdade. Antes de morrer, ela teve uma breve conversa com o atual namorado. Disse que estava chateada, pois não tinha conseguido boas notas na faculdade. Mesmo assim o namorado preferiu incentivá-la a continuar os estudos de publicidade, segundo seu depoimento.
Lore foi encontrada dentro do Uno com o pescoço cortado. A orelha dela também tinha sido machucada por uma faca.
Recentemente, a jovem, que também fazia bicos como promotora de eventos, estava trabalhando na campanha política de uma candidata no ABC.
A Justiça de Santo André decretou segredo no inquérito da Polícia Civil sobre a morte da universitária. A decisão foi tomada na quarta-feira. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o pedido do sigilo partiu do Ministério Público.
Bando surpreendido quando ia fazer arrastão
- 19 de setembro de 2012 |
- 23h34 |
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Categoria: Polícia
WILLIAM CARDOSO
Uma quadrilha foi surpreendida nesta quarta-feira quando se preparava para assaltar um condomínio de luxo no bairro do Taboão, em São Bernardo do Campo, no ABC, Grande São Paulo. Houve troca de tiros e dois bandidos ficaram feridos. A polícia já investigava o bando havia 20 dias.
Policiais da 1ª Delegacia do Patrimônio (Investigações sobre Roubos), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), notaram a movimentação do bando na Vila Liviero, na zona sul de São Paulo, e seguiram os bandidos até o conjunto com duas torres, na Rua Olinto Demarchi, em São Bernardo.
Com a ajuda do porteiro, os ladrões entraram sem dificuldade no condomínio, mas foram surpreendidos pela ação da polícia – não chegaram a entrar nos apartamentos. Eles ainda tentaram fugir, mas dois bandidos foram baleados.
Além de armas, colete à prova de balas, ferramentas e material para embalar droga, foram apreendidos um Toyota Corolla roubado, um Fiat Punto, um Volkswagen Gol e uma moto Honda CB 300.
Pelo menos dez homens participaram da reunião que despertou a curiosidade da polícia na Vila Liviero, e de onde a quadrilha partiu para o assalto. Foram presos Cristiano de Sá Moreira, de 25 anos, Eliton Antônio dos Santos, de 35, Alessandro Costa Maciel, de 34, e Jefferson Ferreira da Silva, de 21, integrantes da quadrilha. Além deles, a polícia também prendeu o porteiro Luismar Rodrigues Vieira, de 34 anos, que mora no mesmo bairro em que os bandidos e jogava futebol com eles durante as folgas. Ele afirmou à polícia que receberia R$ 6 mil para facilitar a entrada dos ladrões no prédio.
O delegado Mauro Fachini, da 4ª Delegacia do Patrimônio (Roubo a Condomínio), afirmou que apenas três dos 19 arrastões a condomínio ocorridos na capital desde o início do ano ainda não tiveram os autores identificados. “Vamos verificar se eles também não estão envolvidos em algum dos casos sem esclarecimento”, afirmou.
Fachini contou que mais de 40 criminosos suspeitos de participar de roubos a condomínios foram presos em São Paulo desde janeiro.
Execuções do PCC no ‘tribunal’ são diárias
- 15 de setembro de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Polícia
RICARDO BRANDT, DE CAMPINAS
Em 2001, após o Primeiro Comando da Capital (PCC) organizar sua primeira rebelião em série nos presídios paulistas, o promotor de Execuções Penais e corregedor do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia, Herbert Teixeira Mendes, alertava as autoridades sobre a força crescente da facção. Hoje, mais de dez anos depois, ele afirma, em entrevista ao JT, que todo o sistema carcerário está dominado pelo PCC e que sentenças de morte são dadas diariamente pelos criminosos.
“Tribunais do crime”, como o ocorrido em Várzea Paulista, que resultou na operação da Rota com nove mortos e cinco presos, são uma exceção?
O julgamento choca mais porque mostra uma audácia. Ele fere porque humilha, mas há julgamentos a todo momento. São eles ajustando contas entre si, ou punindo outros criminosos, ou criminosos que delatam. Essa caricatura chama mais a atenção, ela mostra certa ousadia. Não vou entrar no mérito desse caso, mas execuções acontecem diariamente. Recebo mensalmente atestados de óbito com instrumento perfuro contundente no crânio.
Facções criminosas existem em sistemas prisionais pelo mundo. O PCC difere da realidade de outras prisões?
Sim. Eles não atuam só no interior dos presídios. O sistema deles de arrecadação, de cometimento de crimes, de obtenção de dinheiro, tanto é no interior dos presídios como fora. É uma espécie de franchising.
Desde 2006, quando houve outra megarrebelião e os ataques em série no Estado, o que aconteceu com o PCC?
Passou a existir um acompanhamento contínuo pelas instituições estatais, mas isso não diminuiu a atividade criminosa. Não existe nenhum dado de redução do tráfico de drogas. Ocorre a tentativa de barrar operações ousadas contra o Estado.
E as condições internas dos presídios melhoraram desde a consolidação do PCC como grupo dominante dos presídios?
Pioraram. Até 2006, São Paulo investiu na criação de vagas. Não foram criadas vagas de 2006 até agora no mesmo ritmo de a partir de 1995. Por baixo, hoje os presídios estão 30% mais superlotados do que em 2006.
Então, por que o PCC não faz mais rebeliões?
Porque estão interessados em ganhar dinheiro. Se especializaram, como as grandes facções criminosas, em ter maior poder econômico.
Por que não há um enfrentamento do Estado para desarticular a facção?
O Estado tem dificuldade. Percebo que há empenho de controlar o grupo ao máximo possível. Uma ação para desestabilizar ou realmente acabar é difícil. É uma ação de longo prazo, que tem de ser permanente e é muito desgastante.
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Herbert Teixeira Mendes, PCC, Ricardo Brandt, Rota, tribunais do crime
MP não vê irregularidade em ação da Rota
- 14 de setembro de 2012 |
- 22h55 |
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Categoria: Polícia, Segurança Pública
WILLIAM CARDOSO
william.cardoso@estadao.com
A promotora Francine Regina Gomes Cavallini afirmou ontem que, em princípio, vê legitimidade na ação dos policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) que terminou com nove mortos na terça-feira, em uma chácara em Várzea Paulista, na região de Jundiaí. Ela foi designada pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar o caso, ao lado da também promotora Patricia Tiemi Momma.
“Em princípio, a Polícia Militar agiu de forma legítima. Não vejo conduta irregular por parte dos policiais, com a ressalva de que o inquérito ainda não se encerrou e que as investigações prosseguem. Precisamos estudar os laudos”, afirmou Francine.
Confronto
Segundo a promotora, o fato de terem ocorrido mortes em pontos diferentes e de criminosos que se entregaram serem presos com vida são indícios de que realmente houve confronto.
Sobre Maciel Santana da Silva, de 21 anos, “absolvido” pelos bandidos da acusação de estupro de uma menina no “tribunal do crime” e morto pelos policiais da Rota por supostamente ter reagido e disparado uma pistola 9 milímetros, Francine disse que ainda é preciso esclarecer a situação e saber também se ele era integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O pai do rapaz, um serralheiro de 56 anos, disse que o filho tinha problemas psiquiátricos e com drogas e que não pertencia à facção criminosa.
Um dos cinco suspeitos que sobreviveram à ação da Rota, Richard de Melo Mantelato, de 24 anos, apresentou aos policiais uma identidade falsa, em nome de José Edson Correa dos Santos. Ele foi descoberto por uma peculiaridade que confirmou as suspeitas de policiais da Divisão de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí: trazia o nome verdadeiro tatuado nas costas.
Mantelato era chamado também de Magrelo, “Ele era realmente integrante do PCC e procurado pela Justiça por associação ao tráfico, flagrado em escutas telefônicas que mostravam isso”, contou Francine.
Morto pela Rota e apontado como líder do PCC na região, Iago Felipe Andrade Lopes, o Príncipe, de 20 anos, também era conhecido da Promotoria. “O Iago começou (a ter problemas com a Justiça) na Vara da Infância, em oitiva informal sobre tráfico”
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