Obra fecha ruas de Pinheiros
- 13 de julho de 2012 |
- 23h08 |
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CAIO DO VALLE
A região do Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste, terá mais uma interdição viária a partir de amanhã. Cerca de 350 metros da Rua Sumidouro, entre as Ruas Fernão Dias e Amaro Cavalheiro, serão bloqueados durante um mês para obras de alargamento da via, remodelação das redes de esgoto e água e enterramento da fiação.
A soma dos trechos já fechados ao trânsito na área sobe para mais de 1 km. Na Rua Paes Leme, onde a interrupção começou domingo, comerciantes e motoristas reclamam de transtornos.
Ali, os 280 metros de asfalto dos quarteirões entre as Ruas Padre Carvalho e Amaro Cavalheiro já foram removidos. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que as intervenções naquele ponto devem durar um mês. Mas donos de lojas afirmaram ontem que alguns funcionários da obra relataram que o bloqueio pode ser maior, de dois meses. Os comerciantes dizem que o movimento já caiu pela metade.
“A Prefeitura avisou só um dia antes. Todo mundo foi pego de surpresa pela interdição. Não tivemos tempo de avisar os clientes”, reclamou Julio Cesar Castija, de 29 anos, dono de uma papelaria. No quarteirão vizinho, João Bosco, de 70 anos, é sócio de uma loja de ferragens e madeira. Ele conta que, desde 1987, quando se transferiu para o local, nunca passou por uma situação assim.
“O número de pessoas circulando diminuiu bastante.” A única vantagem de o trânsito ter saído temporariamente da Paes Leme, brinca ele, é que agora é possível ouvir melhor o canto dos sabiás e maritacas que frequentam as redondezas.
Sem saber que a rua estava fechada, a artista plástica Bettina Vaz Guimarães, de 51 anos, teve de carregar barras de madeira até o carro. Ela compraria os materiais em uma loja na Paes Leme, mas foi obrigada a parar longe.
O designer de móveis Daniel Maia, de 30 anos, também se confundia com os desvios no trânsito. “Está mal sinalizado. Acho que vou ter de entrar na contramão.” Faixas da CET nas ruas alertavam sobre as mudanças. No Sesc Pinheiros houve impacto no movimento, segundo a atendente Paula Brasil. Agora, os veículos entram e saem pela Rua Butantã, que fica congestionada nos picos.
Também há bloqueios nas ruas Gilberto Sabino e Conselheiro Pereira Pinto. Elas somam 330 metros. A requalificação urbana da região está a cargo da São Paulo Obras (SP Obras), da Prefeitura.
Incêndio em favela mata três irmãos e a prima deles
- 13 de julho de 2012 |
- 23h07 |
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CAMILA BRUNELLI
Um incêndio em uma favela no Jardim Consórcio, zona sul da capital, provocou a morte de três crianças e de uma jovem de 16 anos, por volta das 12h de ontem. A Defesa Civil acredita que o fogo tenha sido causado por sobrecarga de energia elétrica e facilitado pela baixa umidade do ar.
De acordo com o relato de testemunhas, a mãe das crianças saiu de casa para comprar leite e deixou os filhos aos cuidados da prima. Letícia, de 16 anos, ficou tomando conta de Daniel, de 5 anos, Davi, de 3 anos, e Danilo, de 1 ano e 10 meses. Vizinhos disseram que as crianças estavam trancadas no barraco.
A dona de casa Gleice da Silva, de 33 anos, que estava perto do local na hora em que o fogo começou a se alastrar, disse que Letícia havia fechado a porta e dormia com as crianças. “Foi tudo muito rápido. Eu ouvi batendo na parede, gritando por socorro. Meu marido e outros cinco rapazes ainda tentaram arrancar as madeiras do barraco, mas não deu. E justamente hoje (ontem), nós ficamos sem água”, lamentou.
Paulo Sérgio Ferreira, de 25 anos, marido de Gleice, chorava por causa do acidente com os meninos. “Estamos revoltados porque nós não conseguimos salvar essas crianças”, desabafou. Segundo ele, quando os bombeiros chegaram, pediram a funcionários da Subprefeitura de Cidade Ademar – vizinha do terreno onde fica a favela – que abrissem o portão para facilitar o acesso ao barraco.
“Eles fizeram um paredão e falaram que lá nós não entraríamos. Se eles tivessem ajudado, essas crianças poderiam estar feridas, mas vivas.” A família também disse que pediu água aos funcionários, mas não foi atendida. Já a Subprefeitura de Santo Amaro, responsável pelo terreno, negou a informação dada pelos moradores e disse que os servidores da Subprefeitura de Cidade Ademar foram os primeiros a prestar socorro aos moradores, inclusive mobilizando o caminhão hidrojato (usado para lavar vias públicas) para ajudar a apagar as chamas.
Outros cinco barracos foram parcialmente queimados, como o da dona de casa Monica de Souza, de 26 anos – ela, no 9º mês de gestação, dormia na hora do incêndio. Foi acordada por vizinhos e chegou a pular o muro que separa a favela da subprefeitura para escapar do fogo.
“O mais provável é que o fogo tenha se propagado para dentro da casa”, explicou o coordenador da Defesa Civil, Jair Paca de Lima. Ele afirmou ainda que o grande número de ligações irregulares no local e a baixa umidade relativa do ar na cidade aumentam a probabilidade de incêndios, principalmente em favelas.
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Oito morrem em confronto com a polícia
- 13 de julho de 2012 |
- 23h06 |
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Categoria: Polícia
BRUNO PAES MANSO
CAMILA BRUNELLI
RICARDO VALOTA
Oito pessoas morreram, uma ficou ferida e três fugiram em seis casos de supostas resistências seguidas de morte envolvendo policiais militares entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem. Nos boletins de ocorrência, PMs afirmaram que as mortes ocorreram em resposta a disparos dados pelas vítimas. Cinco casos ocorreram na capital e um em Itapevi, na Grande São Paulo. Em Parelheiros, base da Força Tática foi alvo de disparos.
No último trimestre, de abril a junho, foram 100 casos de supostas resistências seguidas de morte na Grande São Paulo. O número já corresponde a 19,8% do total de homicídios dolosos do período. Em junho, mês dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), houve 32 resistências, menos do que em maio (22).
A última vez que a PM havia acumulado tantos casos de resistência de morte em um período tão curto foi em agosto de 2010, logo após o atentado ao ex-comandante da Rota, Paulo Adriano Telhada. Foram oito mortes em 36 horas.
“Se os casos de resistência estão aumentando, deve-se registrar que os casos de roubos também estão crescendo, o que pode provocar mais confrontos”, diz o delegado Jorge Carrasco, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.
Violento
Entre ontem e anteontem, o caso mais violento ocorreu na zona norte, no Parque de Taipas. Três pessoas morreram por volta das 23h de quinta-feira. PMs da Força Tática do 18.º Batalhão disseram ter trocado tiros com três homens que ocupavam um Gol roubado. Eles bateram o carro contra um muro durante a perseguição. Entre os mortos, dois eram adolescentes. A terceira vítima foi Douglas Silva de Luna.
Em Parelheiros, na zona sul, uma base da Força Tática foi atacada à 1h30 de ontem. Segundo a polícia, três homens a bordo de um Fiat Doblò atiraram contra a base. Na fuga, teriam se deparado com um carro do 50.° BPM, desembarcado do veículo e atirado contra a guarnição.
Ainda segundo a polícia, houve troca de tiros e um dos suspeitos foi baleado e, mesmo socorrido, não resistiu aos ferimentos. Os outros dois bandidos fugiram. O Doblò havia sido roubado no dia 10 e foi devolvido na manhã de ontem à dona.
Também na zona sul, no Jardim Ângela, policiais da Rota afirmaram ter revidado a tiros dados por dois suspeitos que ocupavam um Fiat Punto. Um dos suspeitos morreu, o outro fugiu. Outro tiroteio com a Rota ocorreu no Socorro, zona sul. A equipe disse ter desconfiado de dois ocupantes de um Classic.
A perseguição só terminou após a dupla atingir outro veículo. Segundo PMs, os dois desceram atirando. Um dos suspeitos morreu e o outro fugiu. Em São Mateus, na zona leste, a vítima foi Alexandre Silva de Souza. Em Itapevi, dois supostos assaltantes também teriam reagido. Um morreu e o outro fugiu.
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Grupo mata oito em Osasco em 3 horas
- 13 de julho de 2012 |
- 0h04 |
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Categoria: Polícia
FELIPE TAU E CAMILLA HADDAD
A polícia acredita que a execução de oito homens na madrugada de ontem, em Osasco, na Grande São Paulo, possa ter sido praticada pelos mesmos criminosos. Os casos ocorreram em menos de três horas: entre 1h27 e 4h20, e em bairros vizinhos: Jardim Mutinga, Jardim Canaã, Jardim Munhoz Júnior e Jardim Rochdale.
De acordo com a polícia de Osasco, as duas vítimas sobreviventes e as testemunhas identificaram características similares nos suspeitos: os homens usaram um carro – Pálio ou Corsa, vermelho ou vinho – e uma moto esportiva de alta cilindrada.
Segundo o delegado Mauro Guimarães Soares, responsável pela Delegacia Seccional de Osasco, é possível se deslocar facilmente entre um bairro e outro de madrugada em apenas cinco minutos, o que reforça a hipótese de que um mesmo grupo tenha cometido os crimes. Ontem, a equipe percorreu cada um dos pontos colhendo relatos. Na rua Jade, as imagens da câmera de segurança de uma escola foram solicitadas.
A hipótese de que a motivação tenha sido um acerto de contas ou uma briga de quadrilha, segundo o delegado, também não está descartada. Dos dez homens baleados, cinco tinham passagem pela polícia por roubo, assalto, ameaça, entre outros crimes. E a maioria, de acordo com parentes de vítimas, usava drogas.
Todas as execuções ocorreram dois dias após um soldado da PM ter sido vítima de atentado no mesmo município, no bairro Jardim Airosa, na região central. Ele foi atingido por dois tiros na barriga quando estava de folga, na frente de um mercado. O soldado Juvenal Ramos, que trabalha na região, passa bem.
Horas depois, mais quatro mortes foram registradas naquela mesma noite: um triplo homicídio no bairro Vila Menck e um quarto assassinato, também no mesmo bairro. As vítimas foram: Ricardo Batista da Costa, de 29 anos, Carlos de Souza, de 21, e um terceiro não identificado. Na outra ocorrência, foi morto Francisco Ademar Graça, de 20 anos.
Para a corporação, o caso do atentado está sendo tratado isoladamente e não existe ligação com as oito mortes de ontem. A polícia irá apurar se existe relação entre as ocorrências.
Tiros
Entre os mortos de ontem, Adriano Barbosa da Silva, de 25 anos, levou o maior número de tiros: 12, na frente de uma mercearia na Rua Jade. Ele é um dos três mortos que não têm passagem pela polícia. O morador de um sobrado vizinho disse conhecer o rapaz, mas informou que ele não costumava frequentar a rua. Estaria passando por ali quando foi atacado. “Ouvi os disparos e, quando cheguei perto da porta, vi um corpo no chão”, afirmou o morador. “Em 36 anos, isso nunca tinha acontecido aqui, é uma rua bem tranquila.”
Rosana Cardoso de Godoy, de 25 anos, irmã de Robson Cardoso de Godoy, de 22, um dos assassinados, contou que o irmão, torcedor do São Paulo, era usuário de drogas há cerca de cinco anos. Ele morreu na Rua Cuiabá. “Ele usava cocaína, mas nunca fez mal a ninguém”, ressaltou.
A família de Marcelo Longarini, de 41 anos, estava desesperada. Segundo a Universidade de São Paulo (USP), o rapaz era funcionário de uma biblioteca da Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Um dos dois sobreviventes é formado em Ciências Contábeis. Mesmo ferido, foi ele quem ligou para a polícia.
AS VÍTIMAS
MORTOS
> > Marcelo Lúcio Longarini, 41 anos, bibliotecário. Atingido nas pernas, cabeça e no braço, trabalhava na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Antecedente por direção perigosa.
> > Edilson Silvestre da Silva, 35 anos, serralheiro. Atingido no tórax, pescoço, ombro, na cabeça e na perna. Passagem por ameaça.
> > Antônio Carlos Gimenez, 46 anos, servente. Atingido no peito, na cabeça e nas costas. Não tinha passagem criminal.
> > Jailton Rodrigues da Silva, 29 anos, gesseiro. Atingido nas costas, na cabeça e no tórax. Família diz que ele não tinha passagem criminal nem desafetos.
> > Robson Cardoso de Godoy, 22 anos. Passagem por violência doméstica. Segundo parentes, arrumava confusão com
facilidade e usava drogas.
> > Denis dos Santos, 33 anos. Atingido nas pernas, no pescoço e no tórax. Tinha passagem pela Fundação Casa por furto e já adulto por furto e roubo.
> > Daniel Pereira Medrado, 23 anos, ajudante geral. Foi atingido no peito, no braço e na cabeça. Serviu no Batalhão de Infantaria de Osasco. Família disse que não usava drogas.
> > Adriano Barbosa da Silva Souza, 25 anos. Atingido por 12 tiros no peito, braço, ombro, nas costas e na cabeça. Não tinha passagem pela polícia.
FERIDOS
> > J.M., 47 anos, técnico em contabilidade. Atingido por tiro nas costas, conseguiu pedir socorro pelo 190. Passagem
por roubo.
> > F.S., 17 anos. Passagem na Fundação Casa por droga e receptação.
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Ladrões atacam no entorno do Parque Villa-Lobos
- 10 de julho de 2012 |
- 23h09 |
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Categoria: Polícia, Segurança Pública
CAMILLA HADDAD
Criminosos que fazem sequestros relâmpagos têm escolhido suas vítimas em locais próximos ao Parque Villa-Lobos, na zona oeste da capital. Entre abril e julho, 11 casos foram registrados nas delegacias da região. Na tarde do feriado de 9 de Julho, anteontem, mãe e filha foram rendidas por três pessoas no bolsão de estacionamento do parque.
“Foi uma agressão psicológica. Um deles disse: ‘Tia, não fica ciscando, senão eu taco bala na sua cara’”, contou a vítima, uma professora. Ela e a filha tinham acabado de passear com três cães quando o trio cercou o Volkswagen Jetta da família, pouco depois das 18h.
As duas tiveram de rodar com os ladrões até serem libertadas pela Polícia Militar – quase três horas depois, na saída de uma loja de artigos esportivos, em Osasco, na Grande São Paulo. Um homem foi preso e dois adolescentes apreendidos. Um deles usava uma arma de brinquedo para amedrontar as vítimas durante o crime.
Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, responsável pelo local, em dezembro a direção do parque reforçou a segurança nos bolsões com vigilantes de bicicleta. Em abril, houve uma nova investida e a ronda foi intensificada. A decisão teria sido tomada após uma série de roubos de carros dos frequentadores.
As avenidas Queiroz Filho, Imperatriz Leopoldina e Doutor Gastão Vidigal estão entre as escolhidas pelos ladrões, mas há outros endereços com problemas semelhantes. Os crimes são registrados no 91.º Distrito Policial (Ceagesp) e no 14º DP (Pinheiros). Policiais do 91º DP disseram que não há uma quadrilha específica agindo no bairro e que no começo do ano a situação era mais complicada, mas vem melhorando.
No dia 7 deste mês, por volta das 19h, um bancário de 30 anos e uma estudante de 23 foram cercados em um Kia Sportage na Avenida Queiroz Filho. Duas horas depois foram abandonados na Rodovia Raposo Tavares. Eles tiveram de fazer compras para três ladrões armados.
A Polícia Militar foi procurada ontem três vezes e não comentou os crimes na região. Dentro do parque existe uma companhia da corporação, mas, segundo policiais militares da unidade, a base atende toda a região, não só o parque.
Traumatizadas com a violência, mãe e filha citadas no começo da reportagem não querem mais voltar ao parque sozinhas. “Só se for com meu marido e mais cedo”, disse a professora. Na internet, duas queixas sobre o parque foram publicadas em redes sociais.
Em um dos relatos, um pai conta que “trombadinhas” teriam arrancado a bicicleta de seu filho, em maio. Um mês antes, uma frequentadora conta que presenciou uma pessoa sendo assaltada ao entrar no carro, que estava em um dos bolsões do Villa-Lobos. A Secretaria do Meio Ambiente observou que a segurança do parque é feita por uma empresa terceirizada, selecionada por licitação.
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