Mulheres no comando do julgamento de Lindemberg
- 13 de fevereiro de 2012 |
- 23h26 |
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Categoria: Justiça
CAMILLA HADDAD
Mulheres comandam o tribunal que julga Lindemberg Alves Fernandes, de 25 anos, acusado pelo assassinato da estudante Eloá Pimentel, ocorrido em outubro de 2008. No julgamento que começou ontem no Fórum de Santo André, no ABC, as três protagonistas dos debates são mulheres: a juíza Milene Dias; a promotora Daniela Hashimoto; e a advogada Ana Lúcia Assad.
E outras mulheres compõe a corte. A advogada Ana Lúcia Assad levou para o tribunal duas assistentes – Camila e Laís – para auxiliá-la. O registro do júri é feito por três estenotipistas (digitadoras). E a chefia de segurança é ocupada por uma mulher.
Para o jurista Luís Flávio Gomes, a ala feminina, em maioria do tribunal, é uma tendência em cargos importantes. “Para mim, foi uma coincidência. E elas estão indo muito bem.” Apesar da concentração de mulheres, ele acredita que esse fato não vai influenciar o desfecho do julgamento.
Enquanto exercem suas funções, elas revelam um pouco de suas personalidades. A promotora Daniela Hashimoto, por várias vezes demonstrou preocupação com as testemunhas ouvidas ontem. “Se Deus quiser, será a última vez que vocês vão relembrar o caso”, disse às testemunhas. Daniela fazia questão de dizer que se elas não lembrassem dos fatos perguntados, não havia o menor problema, bastando dizer que não se recordavam.
Já a juíza Milene Dias mostrou sensibilidade com Nayara Rodrigues da Silva, de 18 anos – melhor amiga de Eloá, que também foi refém de Lindemberg e primeira testemunha a ser ouvida. Em determinados momentos, Milene “defendeu” Nayara das investidas da defesa de Lindemberg. A juíza ressaltava que a garota também “era vítima”, na tentativa de fazer com que a advogada fosse menos agressiva nos questionamentos.
Já advogada Ana Lúcia expressou gestos de carinho com seu cliente. Por ao menos três vezes, no início do julgamento, foi até a cadeira do réu, passando a mão em suas costas, como se quisesse tranquilizá-lo. Foi ela também que logo no início da plenária fez questão de pedir à juíza Milene que as algemas fossem retiradas – apelo prontamente atendido.
Durante os trabalhos, Ana Lúcia e Daniela discutiram. Tudo porque a promotora forneceu o número errado da página do processo onde estava uma declaração que envolvia Nayara. Por conta da confusão, a sessão foi interrompida por dez minutos. “Quero que isso conste em ata”, exigiu Ana. Quando foi a sua vez de interrogar Nayara, também se enganou ao fornecer o número da página, sendo questionada por Daniela. Após alguns minutos, conseguiu dar explicações e disse: “Aqui a gente mata a cobra e mostra o pau.”
Diferente da plenária, o júri tem homens em sua maioria: são seis e só uma mulher. Para o jurista Luís Flávio Gomes, isso sim pode ser favorável a Lindemberg. “Essa tesa de homicídio passional é típica do masculino. Homens tendem a se identificar com outros homens”, diz. “Mas é algo teórico, na prática, pode não funcionar.”
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