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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Medo de agressão faz mulher denunciar mais

Categoria: Polícia

 

BRUNO RIBEIRO
ELVIS PEREIRA

O medo de serem espancadas em casa está levando mais mulheres a pedir ajuda à polícia. No primeiro semestre deste ano houve, em média, 28 queixas de ameaça por dia contra namorados e maridos. Em 2009, considerando o ano inteiro, o índice foi de 27 casos por dia.

A média de agressões físicas, entretanto, recuou de 23 para 19. Para especialistas, as vítimas estão denunciando os companheiros antes dos socos e chutes por fatores como melhoria de renda, mudança de geração e repercussão de mortes como a de Eliza Samúdio e Mércia Nakashima.

“Apanhei ontem, mas não quero isso para mim. Vai que ele faz de novo”, desabafou uma mulher de 31 anos, operária de uma fábrica, à reportagem na segunda-feira. Ela estava numa Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para denunciar o marido. “Ele está fazendo da minha vida um inferno.” Só naquele dia, a delegacia recebeu 12 queixas de agressão e ameaça.

Ao todo, entre janeiro e junho deste ano, 5.090 mulheres relataram nas DDMs paulistanas serem vítimas de ameaças, conforme dados obtidos pelo JT. Nos 12 meses do ano passado, a soma atingiu 9.787. Ou seja, a média diária subiu de 27 para 28. Já as agressões consumadas diminuíram. No primeiro semestre do ano, chegaram a 3.531 casos (média de 19 por dia). Em 2009 inteiro, foram 8.480 (23 ocorrências diárias).

Na avaliação da assistente social Fátima Marques, coordenadora-geral da Mulher da Prefeitura, a maior presença de mulheres no mercado de trabalho está entre as explicações para o aumento de denúncias de ameaça. “Entre as mulheres que não procuram ajuda após ameaça, estão aquelas que não têm emprego, são dependentes financeiramente do marido”, observou Fátima.

“Com elas, está o temor da separação”, continuou, “mas é porque elas ficam preocupadas com as crianças. O fato de haver independência financeira permite a mulher pensar em abandonar o agressor”. A assistente social ressaltou, entretanto, que a violência atinge todas as classes sociais.

Dados do Ministério do Trabalho mostram aumento de 22% no número de mulheres admitidas na capital na comparação de janeiro a outubro de 2009 e com o mesmo período de 2010. Entre os homens, o expansão foi de 20%.
A promotora pública Maria Gabriela Mansour, especialista em violência contra a mulher, concorda com o “fator emprego” como um dos motivos para haver mais denúncias.

“Mas casos como o da Mércia (morta, segundo a polícia, pelo ex-namorado Mizael Bispo de Souza) e da Eliza (Samúdio, cujo assassinato teria ocorrido a mando do goleiro Bruno, diz a polícia) fazem as mulheres terem consciência de que, sim, elas podem até serem mortas pelos namorados.”

A psicóloga Ana Paula Mallet Lima, da Universidade Federal de São Paulo, atribui o maior número de denúncias de ameaça à nova geração de mulheres. “Hoje, a opinião das pacientes é sempre contrária à das mães e avôs delas. As mães vão falar: ‘aguenta, não contraria o seu marido. Aceite porque eu aceitei’”, explicou a médica.

Fora de casa, entretanto, a reação é diferente. “Ela vai ouvir outro padrão: ‘Você tem de tomar uma atitude, procure a delegacia’.”

Onde denunciar

1ª Delegacia de Defesa de Mulher – Centro

Rua Doutor Bittencourt Rodrigues, 200

Telefone: 3241-3328

2ª Delegacia de Defesa da Mulher – Vila Clementino

Avenida Onze de Junho, 89

Telefone: 5081-5204

3ª Delegacia de Defesa da Mulher – Vila Lageado

Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 4.300

Telefone: 3768-4664

4ª Delegacia de Defesa da Mulher – Freguesia do Ó

Avenida Itaberaba, 731

Telefone: 3762-2908

5ª Delegacia de Defesa da Mulher – Vila Zilda

Rua Doutor Corinto Baldoíno Costa, 400

Telefone: 2293-3816

6ª Delegacia de Defesa da Mulher – Jardim Anhanguera

Rua Sargento Manoel Barbosa da Silva, 115

Telefone: 5523-5479

7ª Delegacia de Defesa da Mulher – Itaquera

Rua Sabbado D’Angelo, 64

Telefone: 2071-3488

8ª Delegacia de Defesa da Mulher – Jardim Brasília

Avenida Osvaldo Valle Cordeiro, 190

Telefone: 2743-3288

9ª Delegacia de Defesa da Mulher – Pirituba

Avenida Menotti Laudísio, 286, 2º Andar

Telefone: 3974-8890

1 Comentário Comente também
  • 15/12/2010 - 23:58
    Enviado por: Maria Amelia Alencar

    Parabens ao jornal da tarde pela matéria. O papel da midia também é esse, trazer informações que incentivem as mulheres a dar um basta a violencia.
    Precisamos de promotoras de justiça como Dra. Maria Gabriela, sensivel a questão de violencia contra a mulher e que cumpre a Lei Maria da Penha, parabens à Doutora.

    responder este comentário denunciar abuso

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