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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Ladrões de táxi eram ‘vizinhos’ de vítimas

Categoria: Polícia

FELIPE TAU

Foram tantos os assaltos a táxis vindos do Aeroporto de Guarulhos, que o presidente da Guarucoop, Edmison Sarlo, passou a recomendar que os motoristas entrassem com o veículo na garagem da casa ou do hotel dos passageiros. A medida de segurança surgiu depois da chegada de uma quadrilha que agia na zona sul da capital, cujos líderes, já presos, aproveitavam a comodidade de morar numa favela perto das áreas nobres onde agiam.

Responsáveis por ao menos 40 roubos a táxis da cooperativa nos últimos três meses, Carlos Alexandre Amado, o Xandi, de 30 anos, e Adriano Luiz da Silva, o Ceará, de 27, foram presos na favela Vila Santa Catarina, no começo do mês passado e são acusados de chefiar um grupo com cinco integrantes. O terceiro, Rafael Gonzaga de Oliveira, de 27 anos, está foragido. O bando foi reconhecido por vítimas de dez crimes. Os presos já têm passagem por roubo.

Segundo o delgado Fábio Antônio Bolzani, titular da Delegacia de Investigações sobre Crimes em Concessionárias e Prestadoras de Serviço, que divulgou o caso ontem, os bandidos agiam na região de Moema, Vila Mariana, Ibirapuera e Paraíso.

Sempre em duplas, os assaltantes circulavam em uma Parati, pertencente a Xandi, e assim que avistavam um táxi da Guarucoop – com faixas azuis nas laterais –, iniciavam a perseguição. A abordagem era feita no desembarque do passageiro, na frente de flats, hotéis ou de sua residência. Às vezes, acontecia em meio ao congestionamento. “Eles iam em busca de estrangeiros com euros e dólares ou de executivos com tablets, smartphones e objetos de valor”, disse Bolzani.

Um dos bandidos ficava no carro e outro, armado, abordava o taxista. “Quando não atendidos, davam coronhadas nas vítimas”, completou o delegado. Xandi foi pego ao sair de casa com sua Parati e portava a pistola calibre 765 usada nos crimes. Ceará foi detido em um bar por um policial de campana.

Os dois, segundo Bolzini, não têm relação com a quadrilha desarticulada em 2009 que atacaba os táxis de Guarulhos. Também não participaram da morte do taxista Eduardo Pereira, de 36 anos morto em julho num assalto na Vila Santa Catarina. O crime gerou um protesto de cerca de 600 motoristas na Praça Charles Miller, zona oeste, e fez a Policia Militar repensar a segurança da categoria.

Desde então, locais como a Estrada de Itapecerica, na zona sul, e as Marginais tiveram a segurança reforçada. Porém, para o presidente do Sindicato dos taxistas Autônomos de São Paulo, Natalício Bezerra Silva, a situação não melhorou. “A polícia está fazendo blitz para abordar taxistas, não os bandidos”, diz. A PM informa que as blitze visam motocicletas usadas em roubos a táxis, que só são abordadas quando há suspeita.

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