Grupo mata oito em Osasco em 3 horas
- 13 de julho de 2012 |
- 0h04 |
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Categoria: Polícia
FELIPE TAU E CAMILLA HADDAD
A polícia acredita que a execução de oito homens na madrugada de ontem, em Osasco, na Grande São Paulo, possa ter sido praticada pelos mesmos criminosos. Os casos ocorreram em menos de três horas: entre 1h27 e 4h20, e em bairros vizinhos: Jardim Mutinga, Jardim Canaã, Jardim Munhoz Júnior e Jardim Rochdale.
De acordo com a polícia de Osasco, as duas vítimas sobreviventes e as testemunhas identificaram características similares nos suspeitos: os homens usaram um carro – Pálio ou Corsa, vermelho ou vinho – e uma moto esportiva de alta cilindrada.
Segundo o delegado Mauro Guimarães Soares, responsável pela Delegacia Seccional de Osasco, é possível se deslocar facilmente entre um bairro e outro de madrugada em apenas cinco minutos, o que reforça a hipótese de que um mesmo grupo tenha cometido os crimes. Ontem, a equipe percorreu cada um dos pontos colhendo relatos. Na rua Jade, as imagens da câmera de segurança de uma escola foram solicitadas.
A hipótese de que a motivação tenha sido um acerto de contas ou uma briga de quadrilha, segundo o delegado, também não está descartada. Dos dez homens baleados, cinco tinham passagem pela polícia por roubo, assalto, ameaça, entre outros crimes. E a maioria, de acordo com parentes de vítimas, usava drogas.
Todas as execuções ocorreram dois dias após um soldado da PM ter sido vítima de atentado no mesmo município, no bairro Jardim Airosa, na região central. Ele foi atingido por dois tiros na barriga quando estava de folga, na frente de um mercado. O soldado Juvenal Ramos, que trabalha na região, passa bem.
Horas depois, mais quatro mortes foram registradas naquela mesma noite: um triplo homicídio no bairro Vila Menck e um quarto assassinato, também no mesmo bairro. As vítimas foram: Ricardo Batista da Costa, de 29 anos, Carlos de Souza, de 21, e um terceiro não identificado. Na outra ocorrência, foi morto Francisco Ademar Graça, de 20 anos.
Para a corporação, o caso do atentado está sendo tratado isoladamente e não existe ligação com as oito mortes de ontem. A polícia irá apurar se existe relação entre as ocorrências.
Tiros
Entre os mortos de ontem, Adriano Barbosa da Silva, de 25 anos, levou o maior número de tiros: 12, na frente de uma mercearia na Rua Jade. Ele é um dos três mortos que não têm passagem pela polícia. O morador de um sobrado vizinho disse conhecer o rapaz, mas informou que ele não costumava frequentar a rua. Estaria passando por ali quando foi atacado. “Ouvi os disparos e, quando cheguei perto da porta, vi um corpo no chão”, afirmou o morador. “Em 36 anos, isso nunca tinha acontecido aqui, é uma rua bem tranquila.”
Rosana Cardoso de Godoy, de 25 anos, irmã de Robson Cardoso de Godoy, de 22, um dos assassinados, contou que o irmão, torcedor do São Paulo, era usuário de drogas há cerca de cinco anos. Ele morreu na Rua Cuiabá. “Ele usava cocaína, mas nunca fez mal a ninguém”, ressaltou.
A família de Marcelo Longarini, de 41 anos, estava desesperada. Segundo a Universidade de São Paulo (USP), o rapaz era funcionário de uma biblioteca da Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Um dos dois sobreviventes é formado em Ciências Contábeis. Mesmo ferido, foi ele quem ligou para a polícia.
AS VÍTIMAS
MORTOS
> > Marcelo Lúcio Longarini, 41 anos, bibliotecário. Atingido nas pernas, cabeça e no braço, trabalhava na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Antecedente por direção perigosa.
> > Edilson Silvestre da Silva, 35 anos, serralheiro. Atingido no tórax, pescoço, ombro, na cabeça e na perna. Passagem por ameaça.
> > Antônio Carlos Gimenez, 46 anos, servente. Atingido no peito, na cabeça e nas costas. Não tinha passagem criminal.
> > Jailton Rodrigues da Silva, 29 anos, gesseiro. Atingido nas costas, na cabeça e no tórax. Família diz que ele não tinha passagem criminal nem desafetos.
> > Robson Cardoso de Godoy, 22 anos. Passagem por violência doméstica. Segundo parentes, arrumava confusão com
facilidade e usava drogas.
> > Denis dos Santos, 33 anos. Atingido nas pernas, no pescoço e no tórax. Tinha passagem pela Fundação Casa por furto e já adulto por furto e roubo.
> > Daniel Pereira Medrado, 23 anos, ajudante geral. Foi atingido no peito, no braço e na cabeça. Serviu no Batalhão de Infantaria de Osasco. Família disse que não usava drogas.
> > Adriano Barbosa da Silva Souza, 25 anos. Atingido por 12 tiros no peito, braço, ombro, nas costas e na cabeça. Não tinha passagem pela polícia.
FERIDOS
> > J.M., 47 anos, técnico em contabilidade. Atingido por tiro nas costas, conseguiu pedir socorro pelo 190. Passagem
por roubo.
> > F.S., 17 anos. Passagem na Fundação Casa por droga e receptação.


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