Demolição do Minhocão fica mais distante
- 17 de julho de 2012 |
- 23h05 |
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Categoria: Geral
TIAGO DANTAS
Discutida desde 1993, a demolição do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, ficou ainda mais distante. A gestão Gilberto Kassab (PSD) esperava que a operação urbana Lapa-Brás, apresentada em maio de 2010, levasse à retirada do viaduto. A licitação que escolheria uma empresa para desenvolver o projeto, porém, fracassou.
O único consórcio que se interessou pela empreitada foi desclassificado no fim do mês passado. O grupo formado pela multinacional CNEC-WorleyParsons e a norte-americana Aecom – responsável por projetar as intervenções do Projeto Nova Luz, que prevê a reurbanização da cracolândia, no centro – não atingiu a pontuação mínima exigida em uma das fases do certame.
Arquitetos e urbanistas acreditam que não há tempo para uma nova licitação ser feita até o fim do ano. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano diz que ainda avalia como viabilizar os estudos necessários para fazer, por conta própria, o projeto da operação urbana Lapa-Brás.
“A demolição do Elevado é uma das diretrizes da operação. A decisão final sobre essa intervenção específica está atrelada ao desenvolvimento de um projeto urbanístico para a área”, informa a pasta, em nota. Quem mora ou trabalha na Avenida General Olímpio da Silveira, na Água Branca, zona oeste, considera difícil que a estrutura de 3,4 quilômetros desapareça da paisagem.
“São Paulo tem de ter mais ruas, e não menos. Onde vão colocar todos esses carros? O Elevado é útil para o trânsito”, argumenta o taxista Oswaldo de Lima Carvalho, de 41 anos. “A gente se acostumou com o Elevado na porta de casa. É muito bom poder dar uma corrida aqui à noite ou andar de bicicleta aos domingos. Mas isso não quer dizer que estamos contentes com o Minhocão aqui, porque durante a semana toda é um inferno”, diz a professora de música Iara Bressanin, de 35 anos, que vive há 10 anos em um prédio próximo à estação Marechal Deodoro.
Os moradores reclamam que o trânsito pesado provoca muito barulho e traz sujeira para suas casas. Também dizem que a estrutura elevada atrai moradores de rua e usuários de droga que querem se abrigar do frio e da chuva.
Embora possa melhorar a qualidade de vida da população, a demolição do Minhocão não deve ser considerada “crucial”, na opinião do urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Polis.
“Há uma tendência internacional de se desconstruir estruturas como essa. Claro que é importante, mas não é uma questão crucial para a cidade”. Segundo Nakano, aproveitar o elevado para criar um jardim suspenso seria uma solução interessante para o viaduto.
Já o arquiteto Valter Caldana, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, acredita que o fim do Minhocão é “imprescindível”. “O Elevado impõe um limite de qualidade de vida para a cidade. Há uma área de 700 metros dos dois lados do viaduto que é afetada”. Caldana defende que a demolição não precisa estar ligada ao projeto da operação urbana Lapa-Brás.
A proposta da Prefeitura é a de que, por meio da operação, a linha férrea seja enterrada entre a Barra Funda e o Brás, o que abriria espaço para uma nova avenida que faria a ligação Leste-Oeste. Quando a obra estivesse pronta, o Minhocão poderia ser demolido sem prejudicar o trânsito.
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