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Terça-feira, 18 de Junho de 2013
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Chefe da Rota é réu do massacre do Carandiru

Categoria: Justiça

Por Fabiano Nunes

O novo comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), o tenente-coronel Salvador Modesto Madia é réu no processo que julga a execução de 111 presos no massacre do Carandiru, em 2 outubro de 1992. Ele assumiu o comando do batalhão ontem e disse que a condição de réu não influencia na nova função.

“Respondo a esse processo há 19 anos. Tenho certeza que não influencia em nada (ao ser escolhido como comandante da Rota)”, analisou Madia, de 48 anos, logo após conceder uma entrevista coletiva na sede do batalhão, na Luz, região central de São Paulo, na tarde de ontem. Na época do massacre, o atual comandante era tenente da Rota. “O que eu fiz lá eu assumi e respondo até hoje de cabeça erguida e sem arrependimento nenhum”, completou. O tenente-coronel assumiu o posto após a aposentadoria do coronel Paulo Telhada, semana passada.

O caso do massacre no Carandiru, que no ano que vem completará 20 anos, continua sem solução. Em junho de 2001, o coronel Ubiratan Guimarães, comandante da PM durante a rebelião de presos no Pavilhão 9, foi inicialmente condenado a 632 anos de prisão por 102 das 111 mortes do massacre. Porém em 2006, após uma série de recursos, ele foi absolvido. Sete meses depois, Ubiratan foi assassinado em seu apartamento.

Mas até hoje 77 policiais militares ainda aguardam julgamento pela participação no massacre. Entre eles, o atual comandante da Rota. “Ele é um policial da ativa e não há restrição para que tenha promoções”, afirmou a advogada Ieda Ribeiro de Souza, que defende o tenente-coronel Madia no caso do massacre. Ela disse que entrou com recurso para que a absolvição que foi dada ao coronel Ubiratan seja estendida aos outros réus. “Fiz o pedido extensivo para o Tribunal de Justiça, que negou. Vamos entrar com um recurso no Superior Tribunal de Justiça.”

A nomeação de Madia foi criticada pelo advogado Martins de Almeida Sampaio, presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB-SP. “A nomeação dele é no mínimo delicada. O governo do Estado está promovendo um réu que está envolvido em um caso de repercussão internacional. É intolerável que até hoje a sociedade não tenha recebido uma resposta para isso.”

O cientista político Guaracy Mingardi, especialista em segurança pública, classificou a nomeação de sinal equivocado. “Ele poderia ocupar qualquer posto dentro da instituição, mas nunca na Rota. Pois é um batalhão que apresenta certos problemas. Ao nomeá-lo, o governo diz para aquela tropa que as coisas erradas que foram feitas antes podem ser repetidas.”

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