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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Balas de borracha contra ‘noias’

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WILLIAM CARDOSO
BRUNO PAES MANSO

Às 16h30 de ontem, cerca de 100 usuários de crack se aglomeravam na Praça Princesa Isabel e no canteiro central da Avenida Rio Branco, no centro, a cerca de 150 metros da antiga cracolândia, quando dezenas de policiais militares chegaram com apoio de carros da Força Tática e da Cavalaria para dispersar o grupo. Houve confusão e correria. Usuários de droga fugiam em direção à Avenida Duque de Caxias, seguidos por PMs e guardas-civis. Corriam entre carros e ônibus. A PM reagiu, com pelo menos dois tiros de borracha e viaturas trafegando em alta velocidade até na contramão. Três pessoas foram detidas.

O tenente-coronel Wagner Rodrigues, chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento da Área Centro, disse que os disparos foram necessários porque “noias” começaram a chutar carros e ônibus. “Foi um caso pontual. Esperamos que não seja necessário repetir”, afirmou.

No terceiro dia da Operação Centro, o que se viu na região da cracolândia foi uma espécie de jogo de gato e rato. Grupos se acumulavam nas imediações da região central. Sempre que ganhavam volume, a PM os dispersava. A presença policial na Rua Helvétia fez com que muitos usuários migrassem para outros locais. Segundo Rodrigues, foram identificados quatro novos pontos de concentração de “noias” – além da Praça Princesa Isabel, estão na Avenida Angélica, no Largo Santa Cecília e na República.

Moradores e comerciantes de Higienópolis dizem que já notaram maior movimentação de usuários de crack no bairro após o início da operação. Mas, por enquanto, a concentração é apenas na divisa com Santa Cecília, no início da Avenida Angélica. “Sabemos que esse é um reflexo natural, por isso esperamos que o policiamento seja reforçado. A PM deve proteger os moradores”, diz Pedro Ivanow, presidente da Associação Defenda Higienópolis.

A confusão afetou o comércio na região. Nas lojas ao redor da Praça Princesa Isabel, vendedores passaram boa parte da tarde na porta assistindo às constantes idas e vindas de dependentes. “Mesmo aqui dentro os clientes ficam com medo de serem atacados. Com toda a razão. Atrapalhou o nosso trabalho, caiu o movimento”, afirmou a vendedora Francisca Paulino, de 44 anos.

Na Rua Apa, em Santa Cecília, cerca de 50 usuários se aglomeravam na tarde de ontem: quando a PM se aproximava, eles fugiam, para retornar minutos depois. “Vivo por aqui e percebi que muitos dos que estavam lá na cracolândia vieram para cá”, disse Tatiana Santana, de 30 anos, usuária de crack há três. Ela também notou aumento na presença da PM. “A Rota não aparecia tanto por aqui e agora aparece.”

Sucateiro, Eduardo Ferreira, de 47 anos, percebeu nos últimos três dias uma mudança no perfil das pessoas que o procuram para vender material na Rua General Júlio Marcondes Salgado. “Eles trazem placas, letras de bronze, pedaços de hidrante. Nem compro. Sei que vai dar problema.”

Cerca de 30 minutos depois da ação policial na Duque de Caxias, um novo grupo, com cerca de 50 usuários, voltou a se formar no canteiro central da Avenida Rio Branco. A PM novamente atuou e “noias” correram em direção às ruas dos Gusmões e Vitória. Vários foram revistados e, mais uma vez, o bando se dispersou pelo centro. Toda a movimentação foi acompanhada pelo helicóptero Águia.

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