Acusado de matar Eliza, Bola se cala
- 12 de julho de 2010 |
- 21h51 |
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Categoria: Polícia
Eduardo Kattah
Belo Horizonte (MG) – Apontado como o autor da suposta execução de Eliza Samudio, de 25 anos, e do desaparecimento dos restos mortais da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, se recusou nesta segunda-feira, 12, a responder as perguntas feitas pelos delegados que apuram o caso. De acordo com o advogado do suspeito, Zanone Oliveira Júnior, o ex-policial permaneceu calado e só responderá em juízo.
A mesma orientação foi dada pelo advogado Ércio Quaresma a outros três suspeitos de envolvimento com o crime: Wemerson Marques, o Coxinha, Flávio Caetano e Elenilson Vitor da Silva. Os quatro foram levados no início da tarde da penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, para o Departamento de Investigação (DI), na capital mineira. Coxinha e Elenilson ratificaram depoimentos anteriores e se recusaram a responder novas perguntas.
Diante da resistência, a estratégia da polícia mineira é “cansá-los” com técnicas de interrogação. Ao mesmo tempo, para avançar na investigação, a polícia pretende fazer acareação entre os primos de Bruno, o menor J. e Sérgio Rosa Sales, para esclarecer divergências nos depoimentos.
O juiz Marcius da Costa Ferreira, do Juizado da Infância e da Juventude do Rio, autorizou a transferência de J. para Minas Gerais. O adolescente, que confessou ter participado do sequestro de Eliza, deverá ser levado nesta terça-feira, 13, para a capital mineira. O advogado Marco Antônio Siqueira, que representa Sérgio, disse que considera “fundamental” a acareação para o esclarecimento dos fatos. Segundo ele, o primo de Bruno está disposto a colaborar com a investigação.
Quaresma – que também representa Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Dayanne Souza, mulher do goleiro – e o advogado de Bola reiteraram que iriam impetrar habeas corpus em favor de seus clientes. Zanone deve impetrar também uma ordem de reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso ao inquérito. O advogado chegou a sugerir que a ex-amante do goleiro estaria viva na Rússia.
Casa para matar
O inspetor Júlio Monteiro, ex-coordenador do Grupo de Resposta Especiais (GRE), reiterou nesta segunda, 12, a acusação de que Bola integrava uma organização de extermínio na equipe de elite da Polícia Civil mineira, embora estivesse excluído da corporação desde 1992. O inspetor disse que, segundo denúncia anônima, no fim de 2008 dois rapazes foram presos pelos acusados e levados para o interior do sítio alugado por Bola – onde a polícia fez buscas pelos restos mortais de Eliza -, para um local chamado de “casa para matar”.
Segundo o depoimento, os jovens foram “desmembrados” com um facão por um inspetor identificado como Gilson e os restos mortais queimados com ajuda de pneus. As vítimas teriam sido mortas em um método de assassinato e ocultação de cadáver semelhante ao que foi descrito por J. em relação a suposta morte de Eliza. O advogado do ex-policial contestou as denúncias. “Estão pintando um monstro do meu cliente. Isso é uma balela.”
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