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Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
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Cidade Tiradentes para após boato de ataque

Categoria: Polícia

WILLIAM CARDOSO

O medo de um ataque do Primeiro Comando da Capital (PCC) levou moradores de Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, a viverem ontem um dia atípico.

Um boato sobre um suposto toque de recolher imposto em represália a um dos seis mortos pelas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) na segunda-feira fechou escolas, creches, postos de saúde, uma unidade de pronto-atendimento e lojas do bairro.

José Carlos Arlindo Júnior, de 35 anos, era morador de Cidade Tiradentes e conhecido como um dos principais criminosos da região. Ele participava na noite de segunda-feira de uma reunião com outros suspeitos em um estacionamento na Penha, zona leste, quando foi morto pela Rota.

Segundo a PM, uma denúncia anônima informou que o grupo planejava resgatar um preso no Centro de Detenção Provisória do Belém, também na zona leste.

Segundo moradores, os boatos começaram a circular na noite de anteontem. Supostos integrantes da facção teriam mandado que serviços públicos e comércio fechassem as portas após o enterro do corpo de Arlindo, às 11horas de ontem. “Rolou esse papo e desisti de sair com minhas amigas”, disse uma atendente de 16 anos.

Nas ruas mais distantes, como a dos Gráficos, Pedreiros e Avenida dos Metalúrgicos, parte dos serviços públicos fechou. As Escolas Municipais Wladimir Herzog e Adoniran Barbosa e algumas creches também tiveram funcionamento prejudicado. “Pego crianças em nove escolas e todas estavam fechadas”, disse uma condutora de van escolar, de 30 anos.

Fechado
No Pronto-Atendimento Doutora Glória Rodrigues dos Santos Bonfim, as portas de vidro estavam fechadas, apoiadas por cadeiras na parte interna. “Fiquei sabendo que tinha o toque de recolher, mas esperava que aqui estivesse aberto”, afirmou uma garçonete de 25 anos que procurou a unidade para tratar uma conjuntivite.

Nas ruas, porém, crianças sem aula brincavam à tarde. O transporte também funcionou. Delegado titular do 54.º DP (Cidade Tiradentes), José Ademar de Souza disse que suas equipes não encontraram nada que justificasse o temor da população. “Quem fechou, foi por conta própria.”

Anteontem, a polícia abordou cerca de 20 suspeitos reunidos na Rua Edson Danillo Dotto, mas eles negaram que promoveriam toque de recolher. “Nada há de verdadeiro nesses rumores.”

Segundo a PM, o policiamento na região foi reforçado preventivamente e o que se constatou é que “a ordem pública permanece preservada”. “Tudo segue dentro da normalidade”, informa a PM, em nota.

A Prefeitura afirmou que alguns equipamentos optaram pela não abertura ao público por decisão da direção de cada unidade, influenciada por boatos. Assim que informadas, as respectivas secretarias determinaram o imediato restabelecimento das atividades.

Segundo a Prefeitura, as escolas da Diretoria Regional de Educação Guaianases (responsável por Cidade Tiradentes) abriram normalmente, mas algumas famílias preferiram não enviar seus filhos e outras retiraram os alunos ao longo do período.

Mortos
Arlindo estava intimado a comparecer no dia 5 ao 54.º DP após uma denúncia de que ele e colegas usavam drogas no condomínio onde vivia. A ação da Rota foi descoberta porque uma testemunha ligou ao 190 e narrou em tempo real a execução, na Rodovia Ayrton Senna.

Acidente de trânsito acaba em agressões na Vila Mariana

Categoria: Polícia

Um acidente com três veículos, na Avenida Prefeito Fábio Prado, na Chácara Klabin, região da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, deixou três pessoas feridas, entre elas uma policial civil, por volta das 23h da última terça-feira, 29.

 Após a colisão, aconteceu uma discussão entre os envolvidos, uma policial civil de 29 anos, o marido dela
e um jovem de 22 anos. Moradores do bairro afirmam que presenciaram agressões.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirma que o homem de 22 anos dirigia um Citroen C3 preto pelo
Jardim Butantã em direção à sua casa na Vila Mariana. Em seu depoimento, o jovem contou que, ao passar pela Avenida Prefeito Fábio Prado, foi fechado duas vezes pela policial, que conduzia um Hyundai Santa Fé prata.

Mais à frente, ainda segundo a SSP, o homem mudou de faixa para entrar na rua onde mora, mas foi impedido pela policial, que jogou seu carro em direção ao dele. Após a batida, de acordo com a assessoria da Polícia Civil, o marido da policial, um médico  de 37 anos que estava em um Fiat Uno amarelo, começou a agredir o jovem juntamente com a policial.

Momentos depois, o pai do rapaz, um bancário de 57 anos, chegou e foi ferido por um soco na boca, ainda
conforme informações da Secretaria de Segurança. Policiais militares foram chamados e separaram os envolvidos. De acordo com moradores da Avenida Prefeito Fábio Prado, a policial se retirou do local do acidente sozinha, andando a pé.

A SSP afirma que a policial foi encaminhada ao Hospital Sepaco, na  Rua Vergueiro, na Vila Mariana. De acordo com o boletim médico divulgado nesta quarta-feira, 30, pela assessoria do hospital, a policial civil deu entrada, no dia 30, à meia noite.

Moradores da região confirmam a versão e afirmam que a policial civil estava descontrolada e aparentava
estar alcoolizada. De acordo com o professor universitário Mário Luiz Miranda, de 50 anos, que mora em um condomínio em frente ao local do acidente,  ”em todo o momento a mulher voltava para agredir o menino e ninguém a isolou, ela estava descontrolada”.

Ainda segundo o boletim médico, a mulher apresentou “quadro de ruptura do estômago e passou por uma cirurgia de reconstrução da estrutura órgão”. Em seguida, a paciente foi encaminhada para a Unidade de
Terapia Intensiva (UTI), na qual permanece sob sedação.

Ela estava, até as 17h desta quarta, sob cuidados intensivos e o quadro se apresenta estável, afirma o boletim médico divulgado pela unidade. A SSP afirma ainda que o jovem que dirigia o Citroen e seu pai foram socorridos ao Hospital Santa Cruz, onde foram medicados e liberados.

As vítimas foram orientadas quanto ao prazo de seis meses para representação, segundo a Polícia Civil.
Foram solicitados perícia e exames de IML. O caso foi registrado como lesão corporal culposa na direção de
veículo automotor e lesão corporal no 8º Distrito Policial e será encaminhado ao 6º DP (Cambuci), área dos fatos.

Gheisa Lessa

 

 

PMs da Rota matam 6 e são presos

Categoria: Polícia, Segurança Pública

CAMILLA HADDAD
Uma moradora da Penha, na zona leste, assistia à televisão quando foi alertada pelo filho sobre uma cena “estranha” perto da casa da família, na noite desta segunda-feira (28). De longe, a mulher viu PMs em uma viatura das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) agredindo um homem. Depois, ouviu som de tiros. Ela descreveu tudo isso a um atendente do 190, em tempo real. O diálogo, de 12 minutos, terminou com a prisão de três policiais suspeitos de execução.
O coronel Salvador Modesto Madia, comandante da tropa de elite, afirma que o homem morto estava ligado a um grupo que teria recebido PMs a balas em um estacionamento da região, às 21h de anteontem. Na ação, cinco pessoas foram mortas pelos policiais. Essa parte da ocorrência foi registrada como resistência seguida de morte. Outras três pessoas foram presas e cinco fugiram.

Mas, no caso do homem observado pela moradora, a polícia diz que ele pode ter sido vítima de homicídio doloso (quando há intenção de matar) praticado por uma equipe de Rota. Um sargento identificado como Nogueira, o cabo Cosmo Levi e o soldado Aparecido estão detidos no Presídio Militar Romão Gomes.

O coronel Madia explicou que os três não têm no histórico militar episódios graves, como execuções. “A ação no estacionamento foi legítima. O que houve foi desvio de conduta de uma das equipes”, diz o comandante. Segundo Madia, a ocorrência começou quando o batalhão recebeu denúncia de que o grupo, num estacionamento, planejava o resgate de um preso ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com as informações, seis viaturas – um total de 24 PMs – seguiram para a Rua Osvaldo Sobreira, endereço do estacionamento. Madia disse que as equipes foram alvo de tiros. Ninguém da tropa ficou ferido. Apesar de ter 38 câmeras no local, a ação da polícia não foi gravada.

Enquanto o fogo cruzado tomava conta da rua, o homem não identificado visto pela mulher foi detido, colocado em uma viatura e levado para a Rodovia Ayrton Senna, a seis quilômetros de distância. Investigadores disseram que câmeras da rodovia gravaram a viatura parada por exatos 12 minutos –mesmo tempo de conversa mantido entre o 190 e a mulher. Só que, na versão da equipe, eles resolveram parar na estrada pois um dos PMs teve câimbra.

A Polícia Civil investiga o caso. O diretor do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Jorge Carrasco, disse que há sinais de execução no caso.

Três mortos foram identificados: José Carlos Arlindo, de 35 anos, Antonio Marcos Santos, de 37, e Cláudio Mendes. Arlindo tem passagem por furto, roubo e homicídio. Santos por tráfico, homicídio e porte de droga. Mendes não tem passagem criminal. Com eles foram apreendidas pistolas, metralhadores e drogas.

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Vídeos combatem abuso policial

Categoria: Segurança Pública

WILLIAM CARDOSO

Cada vez mais populares e presentes até em celulares simples, as câmeras têm virado arma importante de denúncia da violência policial e os vídeos, parte das provas contra agentes públicos que extrapolam funções.

Esse uso não é novo. Em março de 1997 na Favela Naval, em Diadema, extorsões, agressões e até a morte do escriturário Mário José Josino foram filmados durante quatro dias pelo cinegrafista amador Francisco Romeu Vanni. Os crimes
foram cometidos por policiais militares do 24.º BPM/M e punidos posteriormente. Mas a internet ainda não era tão difundida e foi apenas pela televisão que as imagens chegaram às casas.

Quinze anos depois, as acessíveis câmeras estão apontadas para todo lado. Em janeiro, durante reintegração de posse do terreno do Pinheirinho, em São José dos Campos, elas encheram redes sociais de cenas de violência. “

Uma das vítimas, na ocasião, foi o servente de pedreiro Claudio Anésio Martins, de 48 anos. De braços erguidos, ele foi cercado por quatro PMs e espancado com cassetete. Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos é cético quanto ao uso disseminado das câmeras. “No Pinheirinho, foi possível por ser uma ação coletiva. Mas se pegar um grupo de jovens na periferia durante a noite, nem sempre será possível registrar.”

Na Universidade de São Paulo, imagens de um aluno negro sendo agredido por um sargento da PM foram parar na internet. O policial que sacou a arma contra o aluno e o soldado que o acompanhava foram afastados.

Para o presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana, Ivan Seixas, a presença cada vez maior de câmeras democratiza a comunicação. “Se não tivesse essas imagens, iam dizer que era mentira de baderneiros, como faziam na ditadura em relação aos comunistas.”

Presidente da Comissão da Sociedade Digital da OAB-SP, Augusto Marcacini vê de forma positiva o fenômeno. Para ele, o registro das imagens pode ser o primeiro passo para redução da violência e da corrupção, mas outras medidas devem ser tomadas. “Por mais que a população filme tudo, se o Estado não punir, só vai banalizar o uso.”

Contraofensiva
O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro, também defende o uso de câmeras. “O trabalho da polícia tem de ser transparente, público.” Em sua opinião, policiais também devem usar imagens em autodefesa. “Na parte ostensiva, de patrulha, é a própria polícia a primeira interessada em registrar para provar que agiu dentro da lei, em defesa da sociedade.”

Diretor jurídico do Sindicato dos Investigadores de Polícia de São Paulo, Manuel Borges de Miranda diz que os vídeos não são provas definitivas e podem causar injustiças quando caem na internet. “Denigrem a imagem de uma pessoa antes mesmo da instrução do processo. Mostram uma imagem negativa, que fica como verdadeira. Um tapa na cara não se tira mais.”

PARA DENUNCIAR

POLÍCIA CIVIL: R. da Consolação, 2.333, 1º andar, Centro. %  3231-5536, ramais 238 e 239

OUVIDORIA DA POLÍCIA CIVIL: www.ssp.sp.gov.br/servicos/denuncias/denuncias_civil.aspx

POLÍCIA MILITAR: R. Alfredo Maia, 58, Luz.% 3322-0190 e-mail: correg@polmil.sp.gov.br

OUVIDORIA DA PM: R. Japurá, 42, Bela Vista (das 9h às 15h); 0800-177070, das 9h às 17h. (11) 3291-6033 e-mail: ouv-policia@ouvidoria-policia.sp.gov.br

Blitz encontra 4 menores em bar da zona sul

Categoria: Polícia

GIO MENDES

Sete estabelecimentos comerciais foram fechados durante a Operação Pancadão neste sábado de madrugada no Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Essa foi a sétima megablitz realizada na região, desde novembro do ano passado, com o envolvimento de vários órgãos públicos para coibir os bailes funks que acontecem em ruas e bares. O dono de um dos estabelecimentos foi detido pela polícia sob a suspeita de vender bebida alcoólica para quatro menores de idade, que foram entregues ao Conselho Tutelar do bairro.

A operação reuniu cerca de 100 agentes públicos, entre policiais civis e militares, fiscais da Subprefeitura do Campo Limpo e do Programa de Silêncio Urbano (Psiu) e guardas civis. Os estabelecimentos fiscalizados constavam de um levantamento de locais com som alto e grande concentração de pessoas feito pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Campo Limpo, com base na reclamação de moradores da região.

Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, foram fechados dois bares, uma lanchonete e quatro lojas de conveniência de postos de combustível. Ainda de acordo com a secretaria, os estabelecimentos terão cinco dias úteis para regularizar sua situação na subprefeitura do bairro para não serem lacrados. A Polícia Militar apreendeu nove motos irregulares durante a operação.

O primeiro local visitado pelos agentes públicos no começo da madrugada foi uma loja de conveniência que fica a poucos metros do Shopping Campo Limpo, na Estrada do Campo Limpo. “Adolescentes costumam comprar bebida no local e depois se reúnem em frente a shopping center”, disse o secretário do Conseg, Marcelo Fernando Gonçalves.

A operação terminou às 3h deste sábado, com o fechamento de um bar na Rua Professora Nina Stocco. No estabelecimento havia cerca de 50 pessoas, entre elas quatro menores. Como o som estava muito alto, o responsável pelo bar foi multado por fiscais do Psiu por desrespeitar a “lei da 1 hora”. Ele deverá pagar 300 Unidades Fiscais do Município (UFMs), que equivale a R$ 32.598. Além da suspeita de venda de bebida para menores, o dono do bar responderá por exploração de jogos de azar. Duas máquinas caça-níqueis foram apreendidas no bar.