Exclusivo: preso conta como comanda tráfico
- 30 de junho de 2010 |
- 23h30 |
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Categoria: Justiça
Josmar Jozino
De uma cela de 9 m² do presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau, no oeste do Estado, o sequestrador Wanderson Nilton Paula Lima, o Andinho, de 31 anos, condenado a 632 anos, 8 meses e 15 dias de prisão, comandou pelo menos até 2009 as bocas de tráfico em Campinas, a 504 quilômetros dali. Foi o que revelou em depoimento que deu à Justiça de Campinas no dia 1º de fevereiro deste ano, ao qual o Jornal Tarde teve acesso com exclusividade.
O depoimento de Andinho à Justiça mostrou que ele fez de sua cela na P-2 de Presidente Venceslau um escritório do crime. Diante do juiz Maurício Henrique Guimarães Pereira Filho e dos promotores de Justiça Amauri Silveira Filho e Gaspar Pereira da Silva Júnior, explicou como, além de comandar o tráfico, usou o celular para mandar jogar duas granadas num jornal de Campinas, em 22 de janeiro de 2009, por não ter gostado de uma reportagem sobre seu casamento.
A cela-escritório de Andinho não tinha mobília. Apenas uma prateleira para guardar mantimentos, cobertores e produtos de limpeza. Pelo telefone, cuidava dos negócios ilícitos sem chamar a atenção de agentes penitenciários. Em meio ao banho de sol de três horas na quadra de futebol, misturado a centenas de outros presos, ou à noite, na cela, trancada a partir das 17 horas, ele passava recados para seus funcionários, a maioria gerentes de pontos de vendas de drogas em Campinas.
Da prisão, Andinho autorizava a entrega de presentes, como motos e carros do ano, para seus empregados, principalmente menores de idade. Mas também mandava atacar quem o contrariasse.
Em Campinas, Andinho foi chamado pela Polícia Civil de “rei do sequestro”. Segundo a Divisão Anti-Sequestro, uma de suas vítimas foi a cigana Rosana Rangel Melotti, de 52 anos. O criminoso foi acusado de matá-la com tiro nas costas, perto da casa da vítima, porque a família dela não tinha dinheiro para pagar o resgate.
Segundo o Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), Andinho confessou a participação em 19 sequestros. Ele foi um dos primeiros presos a cumprir castigo no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, construído para abrigar criminosos perigosos e líderes de facções. Andinho passou cinco vezes pelo CRP, uma delas em maio de 2004. Motivo: foi flagrado com telefone celular na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
O preso, usando gírias, contou que tinha várias “biqueiras” (pontos de droga). Andinho negou ser integrante do PCC, mas confessou que usava pelo menos dois telefones celulares na prisão. Disse que entre seus funcionários havia “um monte de molecada”, a quem chamava de Fio ou Fia. Segundo ele, “os moleques não tinham escola, eram doidos para ganhar um carro do ano, por isso viravam ladrão e cumpriam suas ordens à risca”.
Doutor em Direito Penal, Sergio Salomão Shecaira, especialista na área prisional, disse que em São Paulo o Estado perdeu o controle dos presídios. Para ele, é preocupante o fato de presos terem acesso a telefone celular para controlar o tráfico de drogas e ordenar atentados nas ruas.
“Se isso acontece na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, considerada de segurança máxima pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), imagine o que ocorre num Centro de Detenção Provisória”, indagou.
Outro lado
Apesar de haver evidências de que detentos usam telefones celulares para cometer crimes, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que a tolerância é zero com relação à entrada de objetos ilícitos em suas unidades prisionais. “Nenhum dos presídios da SAP funciona como escritório do crime organizado”, informou a SAP, por nota.
A secretaria diz que, além de coibir a entrada de equipamentos, realiza revistas periódicas e vigilância constante dos agentes. Segundo a SAP, as 146 unidades prisionais do Estado estão equipadas com aparelhos de raio X de menor e maior porte, além de detectores de metal de alta sensibilidade, e foram investidos R$ 34 milhões em equipamentos (recursos federais).
Elisa, bebê e goleiro foram vistos no sítio
- 30 de junho de 2010 |
- 23h23 |
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Categoria: Polícia
Tiago Dantas
Uma moradora do Condomínio Turmalina, em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte, afirmou nesta quarta-feira, 30, que viu o goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, de 25 anos, a estudante Eliza Samudio, de 25 anos, e um bebê no sítio do jogador. A jovem, que está desaparecida, tentava provar na Justiça que o goleiro é pai do filho dela, de 4 meses. Uma das hipóteses da polícia mineira é que Eliza foi morta no dia 10. Bruno é considerado o único suspeito.
Duas testemunhas prestaram depoimento ontem na Delegacia de Homicídios de Contagem (MG). “Uma moradora viu Eliza e o bebê dentro do sítio com o Bruno. Mas ela não lembra a data”, disse o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações de Minas Gerais, que afirmou que esse episódio teria acontecido entre os dias 5 e 9. A presença dos três no imóvel havia sido citada por um amigo do goleiro anteontem aos investigadores. A outra testemunha disse ter ouvido duas pessoas falarem que o jogador teria pagado R$ 70 mil para sumirem com o corpo. A conversa foi em um bar de Ribeirão das Neves, cidade vizinha onde Bruno passou a infância e adolescência.
“Minha lista de suspeitos tem um único nome: Bruno”, afirmou Moreira. Como o corpo não foi encontrado, o caso é tratado como “desaparecimento com indícios de provável homicídio”, segundo o delegado Wagner Pinto, da Divisão de Crimes contra a Vida. Uma denúncia anônima levou investigadores a um local chamado Mata das Abóboras, em Contagem. Nada foi localizado. “Não descartamos nada. Temos que investigar”, afirmou Pinto. O delegado disse que Eliza pode ter sido mantida em cárcere privado. Os sequestradores teriam coagido a jovem a ligar para amigas no dia 9 e dizer que estava bem.
Dentro de 20 dias, a polícia deve saber se o material encontrado no carro e no sítio de Bruno é sangue humano. A amostra poderá ser comparada com o DNA do pai de Eliza Samudio. Os investigadores não têm certeza se o Range Rover verde do atleta transportou a moça morta. O veículo foi apreendido dia 8, antes do último telefonema da vítima. “Ela pode ter andado ferida no veículo”, disse Pinto.
Cerca de 20 pessoas já foram ouvidas no inquérito pela delegada Alessandra Wilke. Segundo os depoimentos, antes de desaparecer Eliza acreditava que faria as pazes com Bruno. Por telefone, no dia 4, ela disse a uma amiga que deixara o filho com o goleiro e que apresentaria a criança à família. A defesa de Bruno não retornou ligações do JT.
Treino
Bruno treinou nesta quarta-feira, 30, no Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio. Ele evitou falar sobre o sumiço de Eliza. Os atletas do time estão em Itu, interior de São Paulo. O goleiro foi dispensado da viagem para resolver seus problemas pessoais.
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Bruno, bruno fernandes, Condomínio Turmalina, Delegacia de Homicídios de Contagem, Eliza Samudio, goleiro Bruno, Ribeirão das Neves
Caso Mércia: projétil feriu advogada de raspão
- 30 de junho de 2010 |
- 21h53 |
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Categoria: Polícia
O tiro disparado contra Mércia Mikie Nakashima a atingiu de raspão no canto direito da boca. Para a perícia, o assassino estava sentado no banco do passageiro e a advogada, no do motorista. Ele teria atirado dentro do Honda Fit da vítima, antes de jogá-lo na represa de Nazaré Paulista (SP).
Essa é a dinâmica avaliada, até o momento, pelo Instituto de Criminalística. Nesta quarta-feira, 30, peritos do IC se reuniram por mais de duas horas com representantes do Instituto Médico-Legal para discutir o que definiram como um “quebra-cabeça”.
Mércia, de 28 anos, morreu após deixar a casa da avó dela, em Guarulhos, em 23 de maio. O ex-namorado dela, o advogado e policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, de 40 anos, é considerado pelo Ministério Público como o provável mandante do crime. Um dos irmãos dele e o vigia Evandro Bezerra da Silva também estariam envolvidos no crime.
O IC analisará a bala de revólver calibre 38 encontrada no chão do Fit com a das armas do PM.
Para polícia, Bruno é único suspeito do sumiço de ex
- 30 de junho de 2010 |
- 21h51 |
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Categoria: Polícia
Tiago Dantas
A polícia mineira trabalha para reconstruir os últimos passos dados pela estudante Eliza Samudio, de 25 anos, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Uma das hipóteses é que a jovem foi morta no dia 10. Ela tentava provar, na Justiça, que o goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, de 25 anos, é pai do filho dela, um menino de 4 meses. O jogador é considerado pela polícia como único suspeito.
“Minha lista de suspeitos tem um único nome: Bruno”, disse o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações de Minas Gerais. Como o corpo não foi encontrado, o caso é tratado como “desaparecimento com indícios de provável homicídio”, segundo o delegado Wagner Pinto, chefe da Divisão de Crimes contra a Vida da polícia mineira.
Duas testemunhas prestaram depoimento nesta quarta-feira, 30, na Delegacia de Homicídios de Contagem. Uma moradora do Condomínio Turmalina, em Esmeraldas, afirmou que viu Bruno, Eliza e um bebê no sítio. A mulher não lembra a data. A presença dos três no imóvel já havia sido citada por um amigo do goleiro nesta terça-feira, 29, aos investigadores.
A outra testemunha afirmou que ouviu duas pessoas comentarem que o jogador teria pagado R$ 70 mil para sumirem com o corpo. A conversa teria sido em um bar de Ribeirão das Neves, cidade onde Bruno passou a infância e adolescência.
Dentro de 20 dias, a polícia deve saber se o material encontrado no carro e no sítio de Bruno é sangue humano. A amostra poderá ser comparada com o DNA do pai de Eliza Samudio. Os investigadores não têm certeza se o Range Rover verde do atleta transportou a moça morta. O veículo foi apreendido dia 8, antes do último telefonema da vítima. “Ela pode ter andado ferida no veículo”, disse Pinto.
Bruno treinou nesta quinta no Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro. Ele evitou falar sobre o sumiço de Eliza. Os atletas do time estão em Itu, interior de São Paulo. O goleiro foi dispensado da viagem para resolver seus problemas pessoais.
Chico Picadinho pode estar nas ruas em 90 dias
- 30 de junho de 2010 |
- 20h44 |
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Categoria: Justiça
Leandro Calixto
Preso ininterruptamente há 34 anos, um dos criminosos mais conhecidos do País entre as décadas de 1960 e 1970, Francisco Costa Rocha, de 68 anos, o Chico Picadinho, poderá deixar a prisão em 90 dias. Nesta quarta-feira, 30, o criminoso fez exames psiquiátricos com profissionais do Instituto de Medicina Social e de Criminologia (Imesc).
Na avaliação, Chico Picadinho respondeu a um interrogatório apresentando pelo Ministério Público (MP) e também por sua defesa. O laudo psicológico será encaminhado para um juiz, que irá avaliar se ele tem condições de voltar a conviver em sociedade.
Francisco Costa da Rocha, Chico Picadinho, ao lado de tela pintada na prisão (Foto: Hélvio Romero/AE – 31/08/00)
Sob alegação de que o caso exige sigilo, Ministério Público, Imesc e também a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não confirmaram se Chico Picadinho fez o exame. Três funcionários do Imesc, no entanto, confirmaram à reportagem que o assassino passou pela bateria de avaliação na tarde desta quarta.
Chico Picadinho foi condenado a 20 anos de prisão pela morte de uma garota de programa em São Paulo, em 1976. Ele já deveria ter sido libertado em 1998, mas por conta de seu estado clínico, o criminoso confesso continua preso no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Dr. Arnaldo Amado Ferreira, a Casa de Custódia de Taubaté, na região do Vale do Paraíba.
Antes de matar a garota de programa, Chico Picadinho havia assassinado uma bailarina austríaca na Rua Aurora, no centro, em 1966. A vítima foi estrangulada e teve seu corpo retalhado em vários pedaços. Após ser condenado há mais de 20 anos de prisão, o criminoso foi colocado em liberdade em 1974 por bom comportamento. Dois anos depois, no entanto, ele cometeu novo assassinato.
Antes de cometer o primeiro assassinato, Chico Picadinho vivia no mundo da boêmia paulistana, entre belas mulheres e drogas, de acordo com depoimentos do próprio acusado na época dos crimes. Considerado um homem articulado, ele chegou a cursar a faculdade de Direito e na prisão é sempre visto lendo livros e pintando quadros.

