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Domingo, 27 de Maio de 2012
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20 reféns no 23º assalto a mercado

Categoria: Polícia

Fachada do hipermercado Wal-Mart da Av. Dr. Gastão Vidigal, na Vila Leopoldina, assaltado por um grupo de criminosos (FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE)

 

BRUNO RIBEIRO

Ao menos 20 funcionários do Walmart da Avenida Doutor Gastão Vidigal, na Vila Leopoldina, zona oeste da capital, foram feitos reféns na madrugada desta segunda-feira, 16, em mais um arrastão contra supermercados ocorrido na Grande São Paulo. É o 23º crime do tipo neste ano e o 5º em 15 dias.

No momento da ação, por volta das 2h, o supermercado estava fechado e havia apenas os funcionários. O estabelecimento fica bem em frente ao 91º Distrito Policial, que agora investiga o caso e estava aberto no momento da ação. Como nos outros ataques, os alvos foram equipamentos eletrônicos e os caixas bancários. Ninguém foi preso.

Os criminosos se passaram por entregadores para entrar. Eram cerca de 15 a 20 e permaneceram com os reféns por pelo menos três horas antes de levar as mercadorias roubadas em dois caminhões. Deixaram para trás um maçarico que, segundo a polícia, foi usado para estourar os caixas eletrônicos e o cofre da loja. Segundo policiais, até a noite desta segunda-feira não havia um balanço de todas as mercadorias roubadas.

A Polícia Militar só foi acionada após a saída do grupo, quando os funcionários conseguiram escapar e pedir socorro. Soldados fizeram buscas na região até o começo da manhã, sem sucesso. Nenhum funcionário se feriu. Em nota, o Walmart diz que está “levantando o montante roubado” e que “a loja funciona normalmente”.

Reportagem do JT publicada no domingo, 15, mostrou que essa onda de violência mobiliza a Associação Paulista de Supermercados (Apas). A PM diz que esse delito, agora “na moda”, tem prioridade nas ocorrências relatadas ao 190. Essa série de crimes vem na sequência de outra onda neste ano, os assaltos a joalherias de shoppings.

Presos

Três jovens foram presos nesta segunda por policiais do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) ao tentar roubar um supermercado em Vila Alpina, na zona leste.

Os ajudantes Edinaldo da Silva Rocha e William Tertulino da Silva, ambos de 19 anos, foram flagrados cometendo o crime – a dupla ameaçou funcionários com uma pistola 7.65mm. PMs do 19º Batalhão interceptaram o GM Kadett, onde estava o operador de injetora Thiago José da Silva, de 21, que havia fugido do local.

Modo de ação

Os ataques recentes a supermercados mostram uma atuação padronizada dos criminosos. Mas, por enquanto, a polícia trata todos os casos como crimes isolados.

Em oito dos 23 ataques ocorridos neste ano, as lojas já haviam encerrado o expediente e foram invadidas por grupos com mais de dez pessoas, que portavam armamento pesado e permaneceram por um período entre 30 minutos e três horas nos estabelecimentos. Além do Walmart, Extra e Carrefour também tiveram unidades invadidas.

No começo do mês, o Extra da Rodovia Raposo Tavares, na zona oeste, foi invadido por um grupo de 15 a 20 homens. Cerca de 20 dias antes, o alvo foi o Walmart da Avenida Washington Luiz, na zona sul.

Um dos casos de maior repercussão foi o ataque ao Carrefour do Tatuapé, na zona leste, que aconteceu em 23 de outubro. Na ocasião, 15 homens usando máscaras iguais às do filme Pânico renderam 20 funcionários e levaram TVs de plasma.

Além dos ataques a lojas, os clientes também têm sido vítimas dos criminosos. Um comerciante foi sequestrado na sexta-feira no supermercado Mambo do Morumbi, na zona sul.

Ele ficou refém por cerca de três horas e foi libertado pela Polícia Militar. Dois homens foram presos. Somando todos esses casos, 22 pessoas foram presas em flagrante logo após os assaltos.

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