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Sábado, 25 de Maio de 2013
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Arqueólogos acham sutiãs do século 15

Categoria: História

 Durante anos, a invenção dos sutiãs de bojo anatômicos era atribuída ao século 19. No entanto, ao escavarem em um castelo na Áustria, arqueólogos encontraram quatro peças de 600 anos atrás. A descoberta pode mudar a história da roupa íntima feminina.
Apesar dos primeiros sutiãs terem sido confeccionados em massa há aproximadamente um século, promovendo o rápido declínio do espartilho, os historiadores não sabem dizer ao certo quando a peça foi inventada.
Um bom indício, que pode comprovar que o sutiã é uma peça ainda mais antiga no guarda-roupas das mulheres do que o imaginado hoje, foi encontrado por arqueólogos da Universidade de Innsbruck, na Áustria. “Até agora não havia nada para indicar a existência de sutiãs com bojos claramente visíveis antes do século 19”, afirmou Beatrix Nutz, arqueóloga da universidade, à revista Der Spiegel. “E hoje apresentamos quatro peças com bojos distintos produzidas no século 15”, completou.
As peças foram localizadas dentro de um baú com 2.700 fragmentos têxteis. O material foi recolhido durante uma investigação arqueológica no castelo de Lengberg, na região do Tyrol do Leste. A edificação será reconstruída – as obras começaram em 2008.
Apesar dos sutiãs terem sido descobertos há quatro anos, a novidade só foi divulgada no último dia 22. De acordo com os pesquisadores, das quatro peças encontradas, duas estavam muito fragmentadas e são descritas como “um conjunto de sutiã e camiseta”, sem mangas, mas com laços de renda abaixo dos seios para “promover maior suporte”.
O terceiro, que é decorado de forma elaborada, “parece muito mais com um sutiã moderno”, com alças sobre os ombros e indicações de que era amarrado nas costas. Já a quarta peça “realmente parece um sutiã moderno”, como bojos “feitos de dois pedaços de tecidos costurados verticalmente”, descreveu Beatrix.
De acordo com a arqueóloga, fontes medievais que possam confirmar a existência de peças com bojos são difíceis de serem encontradas. “Algumas fontes se referem a ‘sacolas para seios’ ou ‘camisas com sacolas’. Outras mencionam faixas para o peito ‘para apertar seios de tamanho excessivo’.”
A descoberta intrigou até mesmo os pesquisadores. “Nem mesmo nós acreditamos inicialmente. Achávamos impossível que algo assim pudesse já ter sido usado na Idade Média.” Antes, a roupa íntima feminina descrita por livros de história eram peças confeccionadas em linho sem qualquer semelhança com os modelos atuais.
Exames com radiocaborno nas amostras, para determinar a idade dos fragmentos têxteis, confirmaram que as peças de Lengberg foram usadas entre 1440 e 1485.
Outras peças foram encontradas no mesmo cofre, como camisas de linho com gola plissada e uma cueca. “Não vamos conseguir dizer o que era cada coisa, mas vamos reconstruir pelo menos 20 peças”, disse Beatrix. ::

Auschwitz será reformada até 2015

Categoria: Sem categoria

A história do nazismo e do holocausto será recontada nos campos de concentração e extermínio de Auschwitz – Birkenau, localizados no sul da Polônia. O governo local investirá R$ 33 milhões na reforma do complexo e uma nova exposição será inaugurada até 2015. Um concurso internacional irá determinar o responsável por organizar e modernizar o acervo dos campos.

Atualmente, Auschwitz – Birkenau abriga uma exposição com cabelos, sapatos e outros objetos dos mortos pelos nazistas. Faltam, no entanto, explicações sobre as atrocidades que ocorreram no local. A mudança é necessária em parte devido à mera passagem do tempo e à necessidade de reformar uma exposição já muito antiga, argumentam os responsáveis pela administração do complexo.

Mas há também a pressão do turismo e a mudança de gerações que obrigam uma atualização da mostra. “Os adolescentes atualmente têm avôs que nasceram após a guerra”, afirmou Piotr Cywinski, diretor do Museu Estadual Auschwitz– Birkenau, ao jornal The New York Times. De acordo com ele, a juventude desconhece a história.

“Antigamente, as pessoas que visitavam o campo já sabiam, as vezes por experiência própria, o que foi a guerra. Não era preciso explicar muita coisa”, disse Cywinski. “Hoje, os adolescentes não têm o nível de educação e consciência a respeito do significado desses fatos. Eles, muitas vezes, choram. A empatia é algo nobre, mas não é suficiente. É necessário entender os fatos”, completou o diretor.

Ele explicou que o objetivo é iniciar a nova exibição com uma sessão que explicará como os campos funcionavam. “Todos, ou quase todos, os visitantes serão conduzidos por guias que responderão às perguntas e manterão as multidões de visitantes em constante movimento.”

Dados do Museu Estadual reforçam a necessidade de modernização. Em 2000, cerca de 450 mil pessoas visitaram Auschwitz – Birkenau. No ano passado, esse número chegou a 1,38 milhão. “Temos que levar em consideração que um número cada vez maior de pessoas vem para cá”, disse Marek Zajac, secretário do Conselho Internacional de Auschwitz.

Projeto
Um concurso internacional irá escolher o responsável por organizar o acervo e a “nova maneira de contar a história dos campos”, afirmou Zajac. A nova exibição descreverá o processo de extermínio, guiando os visitantes passo a passo através daquilo que as vítimas experimentaram e terminará com uma sessão sobre a vida nos campos de concentração.

“Mas não iremos abusar de efeitos especiais para não desviar as atenções da autenticidade deste lugar”, disse Cywinski. O diretor também promete a abertura de uma área utilizada em experiências nazistas de esterilização – uma das poucas que praticamente não sofreu qualquer modificação desde a guerra – , e um novo centro de visitantes.

Cywinski deseja arrecadar mais R$ 266 milhões para um fundo de preservação do complexo. Até o momento, a Alemanha se comprometeu a fornecer R$ 136 milhões, a Áustria, R$ 13 milhões e os Estados Unidos, R$ 25 milhões.
“Acredito que cuidar deste local é uma dívida que temos para com as vítimas. Eu às vezes me reúno com estudantes que conheci anos atrás, e que agora são adultos, e que me dizem que sofreram uma transformação com a visita, que se tornaram pessoas responsáveis, dedicadas à caridade e que levam vidas norteadas pela ética”, afirmou Zajac.

Tragédia brasileira é destaque no exterior

Categoria: Mundo

JÚLIO CÉSAR BARROS

A cobertura da tragédia que resultou na morte de centenas de pessoas é destaque em boa parte dos sites de jornais e emissoras de TV do exterior. As reportagens sobre a cobertura dos resgates às vítimas da catástrofe causada pelas fortes chuvas que atingiram a região Sudeste do Brasil estão entre os artigos mais lidos pelos leitores dos principais portais de internet do mundo.

Na página eletrônica da BBC Internacional, o artigo sobre a morte de mais de 400 pessoas no Sudeste do Brasil ficou boa parte do dia como o mais lido. Segundo a rede britânica, “a Defesa Civil brasileira alertou as autoridades de que ainda podem haver centenas de corpos pare serem resgatados apenas em Teresópolis” (clique aqui para ler o texto na íntegra, em inglês).

A versão eletrônica do jornal espanhol El País destaca em sua página inicial o artigo “Dilma Rousseff visita las ciudades de la tragedia en Brasil” (Dilma Rousseff visita as cidades da tragédia no Brasil). “O medo da população e das autoridades é alimentado pelas previsões meteorológicas mais recentes que anunciam mais fortes chuvas até o próximo sábado. As fotos tiradas de helicópteros são sombrias e mais parecem mostrar imagens de localidades afetadas por um forte terremoto”, descreve o repórter do El País. (Leia aqui a matéria na íntegra, em espanhol)

O portal de internet da rede americana CNN dá destaque à catástrofe ocorrida na região serrana do Rio com muitas reportagens, galerias de fotos, além de vídeos. A matéria principal sobre a tragédia esteve entre os 15 textos mais lidos. “Milhares de famílias que vivem nas encostas das montanhas ou às margens de rios no Brasil correm o risco de serem levadas pelas fortes chuvas que já mataram mais de 400 pessoas”, informa o site noticioso. (Clique aqui para ler o texto original em inglês)

O periódico argentino Clarín traz em sua página inicial o artigo “Río: más de 400 muertos en la peor inundación de su historia” (Rio: mais de 400 mortos na pior inundação de sua história). “Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis são as três cidades mais afetadas. As mortes ocorreram em um só dia de chuvas intensas e inesperadas que atingiram as região serrana. O fenômeno também afeta Minas Gerais e São Paulo”, informa a reportagem. (Para visualizar o artigo em espanhol, clique aqui)

“Nuvens pesadas no céu e a chuva que continua a cair sobre empresas fechadas e prédios abandonados na cidade, localizada numa região de montanhas a 90km a nordeste do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, onde deslizamentos e inundações derrubaram prédios, arrastaram carros e mataram muitos moradores”, informa o site do The New York Times na internet. O principal jornal americano destaca o artigo Death Toll Mounts in Brazilian Deluge — Dilúvio nas Montanhas Brasileiras Deixa Mortos, na tradução livre. (Aqui você encontra o texto na íntegra, em inglês)

No texto Brazil landslides’ death toll climbs as rescue teams dig for survivors — Número de mortos em deslizamentos no Brasil sobe à medida em que equipes de resgate escavam por sobreviventes, na tradução livre –, o jornal britânico The Guardian destaca em sua página eletrônica na web a visita da presidente Dilma Rousseff às cidades da região serrana fluminense que foram devastadas por inundações de escorregamento de encostas. O texto sobre a tragédia ficou quase todo o dia entre as cinco mais lidas. Leia o trexto orignal clicando aqui.

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WikiLeaks muda a diplomacia

Categoria: Mundo

O soldado americano Bradley Manning, de 22 anos, vive hoje em uma “solitária”, à espera do julgamento em corte marcial em 2011. Antes de ser isolado do mundo, porém, o jovem teve acesso (durante 14 horas por dia, sete dias por semana, ao longo de oito meses) a uma rede gigantesca de informações secretas do Departamento de Estado americano a partir de seu posto, em Bagdá.
Ao decidir apagar os arquivos MP3 de Lady Gaga e copiar em seu lugar 1,6 gigabytes de dados em um CD regravável, Manning protagonizou o maior vazamento de informações da história. Nas mãos do australiano Julian Assange e do site WikiLeaks, 250 mil relatórios escritos por diplomatas dos Estados Unidos vieram à tona no último domingo e, desde então, já começam a mudar o modo de se fazer diplomacia.
Por ordem de Washington, computadores cedidos pelo Departamento de Estado a diplomatas que redigem relatórios confidenciais não mais contarão com tecnologias banais (consideradas não seguras), como os drives USB para pen drives.
Além disso, a Casa Branca determinou a suspensão do SIPRNet, o sistema de troca de informações entre o Departamento de Estado e o Departamento de Defesa. Esse aplicativo permitia o acesso de 2,5 milhões de funcionários civis e militares americanos a informações “secretas” do governo e foi apontado como a fonte do vazamento dos telegramas diplomáticos para o WikiLeaks. O sistema era usado por quase todas as embaixadas americanas para fazer chegar a Washington seus relatórios.
Medidas semelhantes vêm sendo adotadas ou estudadas em todo o mundo nos últimos meses para aprimorar a segurança de dados sigilosos. Entre diplomatas, a preocupação com o sigilo é tangível – até mesmo entre brasileiros. Bruno Carrilho, ex-conselheiro Político da Embaixada do Brasil em Paris, citado em um dos telegramas divulgados pelo site WikiLeaks, admitiu na noite de quarta-feira que a fuga de dados pelo Departamento de Estado americano levou todos na profissão a questionarem eventuais procedimentos que possam resultar em novos e constrangedores vazamentos. “Neste momento, nós, diplomatas, estamos no olho do furacão. É um momento de reflexão para todos nós”, afirmou Carrilho.
Para François Nicoullaud, ex-embaixador da França em países sensíveis como o Irã, os vazamentos do WikiLeaks põem em risco um dos princípios mais importantes da diplomacia: o sigilo. “Se quisermos ser transparentes e objetivos nos nossos relatos, precisamos ter a garantia do segredo. A liberdade de análise e de discrição do diplomata é muito importante para que os líderes políticos tomem decisões acertadas”, disse.
Garantia do sigilo das fontes
Embora o governo americano não tenha emitido nenhuma ordem interna a respeito até sexta-feira, os telegramas das embaixadas dos EUA tendem a mudar de estilo por iniciativa dos próprios diplomatas. Alguns deles se preparam para, independentemente de orientação oficial, escrever o essencial e ocultar nomes de pessoas nos próximos despachos.
Um diplomata americano confirmou, sob condição de anonimato, ter debatido intensamente o episódio com seus colegas de uma embaixada dos EUA nessa semana. Segundo ele, será inevitável uma mudança no estilo de relato dessas conversas. A menção de nomes de fontes, antes tida como forma de reforçar a credibilidade da informação, será repensada.
No Brasil, o Itamaraty já segue o procedimento de ocultar o nome das fontes.

Andrei Netto e Denise Chrispim