Sudão do Sul completa um ano
- 9 de julho de 2012 |
- 23h06 |
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Categoria: Mundo
Dezenas de milhares de sul-sudaneses se reuniram sob um sol intenso nesta segunda-feira na capital do país, Juba, para celebrar o primeiro aniversário da nação mais nova do mundo. No entanto, nem tudo é festa. O evento é marcado por dificuldades econômicas e uma ameaça de guerra constante.
Danças tradicionais foram realizadas e as Forças Armadas do Sudão do Sul realizaram um desfile com seu armamento de guerra mais pesado: dois helicópteros de ataque. O sol estava tão forte que vários soldados tiveram de ser carregados em macas.
O presidente Salva Kiir falou sobre a principal ameaça ao país, a volta de uma guerra com o Sudão, com quem travaram batalha de mais de duas décadas. “Desde a nossa independência, Cartum tem violado continuamente nossa soberania por meio de bombardeios aéreos e incursões terrestres”, disse ele.
Petróleo
O maior sucesso do Sudão do Sul em seu primeiro ano de vida foi evitar uma guerra total com o Sudão, mas essa possibilidade chegou perto. A polêmica sobre a partilha da indústria do petróleo entre os países, que antes era unificada, fez com que o Sudão do Sul interrompesse sua produção de petróleo.
E como o petróleo do Sul passa por oleodutos que correm pelo Sudão, a decisão bloqueou a principal fonte de renda de Cartum e levou à instabilidade na capital. Mas a medida também teve custos para o Sudão do Sul. Noventa e oito por cento do orçamento do país, que não tem litoral, provêm do petróleo.
O produto também foi o estopim de um confronto militar entre os dois países em abril, quando o Sudão do Sul tomou a disputada cidade de Heglig, responsável por mais da metade da produção petrolífera do Sudão, medida condenada pela comunidade internacional.
Instabilidade
Mas vários dos problemas do Sudão do Sul são internos. O país tem sido assolado por confrontos étnicos, principalmente no Estado de Jonglei, onde, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) cerca de 900 pessoas foram mortas em disputas por gado e ataques retaliatórios entre o final de dezembro do ano passado e o início de fevereiro.
Por causa da perda dos recursos do petróleo, a inflação disparou, deixando famílias com menos alimentos. Mas a crise econômica pode ter um lado bom: as conversas com o Sudão. Como os dois países foram prejudicados pela interrupção da exploração de petróleo, é possível que o retorno das negociações dê resultados.
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