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Quinta-feira, 02 de Outubro de 2014
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‘Rei da coca’ volta à cena

Categoria: Mundo

(Foto:Reprodução) Ator Andrés Parra vive o traficante: polêmica

O nome do narcotraficante Paulo Escobar voltou à imprensa da Colômbia. Mas, desta vez, não nas páginas policiais e sim nas de entretenimento. O famoso “rei da cocaína” virou tema de um polêmico seriado de televisão que acaba de estrear no país.

“Escobar: el patrón del mal”, levado ao ar pela emissora Caracol, não é a primeira iniciativa da TV colombiana inspirada pelo chefe do cartel de Medellín, morto em 1993, mas é considerada a mais ambiciosa até o momento.
Trata-se da primeira produção de grande envergadura que usa abertamente o nome do bandido.

“Era como se algo grave tivesse acontecido na família, e seus membros tivessem que esperar que o tempo passasse para poder tocar no assunto”,disse à rede BBC o diretor da série, Carlos Moreno, quando questionado por que a Colômbia tinha demorado tanto tempo até levar à ficção um personagem que definiu uma época complexa no país.

“É um assunto muito doloroso”, afirmou o diretor, destacando também o esforço da série em respeitar ao máximo a memória das vítimas do narcotraficante.

A passagem do tempo também ajudou a dissipar alguns medos vinculados a Escobar.

“Quando uma figura passa a ser uma lenda, um mito, a gente consegue citá-lo com mais facilidade”, opinou César Paredes, jornalista da revista colombiana Semana, lembrando as relações de Escobar com importantes figuras políticas e econômicas do país.

Os esforços da Colômbia em se livrar do estigma de “país do narcotráfico” também explicam parte do silêncio que por anos rodeou o personagem.

Mas a história do narcotraficante nunca deixou de circular, boca a boca, entre os colombianos.

“O que sei de Escobar ouvi em histórias da minha família”, contou Marcela Méndez, de 18 anos.

“Tinha só três anos (quando ele morreu), mas essas coisas não se esquecem, porque muitas das nossas famílias viveram aquele momento, e quando saíam às ruas explodia uma bomba perto (deles)”, afirmou Antonio Pinillos, estudante de 21 anos.

Ao mesmo tempo, Pinillos reconhece que 19 anos depois da morte do narcotraficante, ele e os demais jovens de sua geração têm uma imagem incompleta e fragmentada de Pablo Escobar.

Carlos Moreno diz ter como um dos principais objetivos ajudar as novas gerações a entender melhor a figura de Escobar, suas motivações e as consequências de seus atos. “Na Colômbia, e na América Latina em geral, ainda temos a explicação incompleta do que ocorre, ocorreu e vai ocorrer com o narcotráfico”, disse.

Já a dona de casa Mirela Gomez afirma que o retorno da imagem do traficante às telas poderá “torná-lo um artista admirado”.

“Muita gente acha que o tráfico é uma maneira fácil de ganhar dinheiro. Para muitos, a imagem que ficou deste bandido foi o de um boa vida inteligente”, disse.